Os ovóides

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Os ovóides

"Ante o intervalo espontâneo, reparei, não longe de nós, como que ligadas às personalidades sob nosso exame, certas formas indecisas, obscuras. Semelhavam-se a pequenas esferas ovóides, cada uma das quais pouco maior que um crânio humano. Variavam profusamente nas particularidades. Algumas denunciavam movimento próprio, ao jeito de grandes amebas, respirando naquele clima espiritual; outras, contudo, pareciam em repouso, aparentemente inertes, ligadas ao halo vital das personalidades em movimento". (André Luiz, Libertação, Cap. VI, pag. 84).

A figura 30 tenta materializar a visão dramática de André Luiz no livro Libertação (capítulo VI) ao contar o seu encontro com os Espíritos, que por monodeísmo, sob inenarráveis sofrimentos, perderam o perispírito ou corpo astral estando envolvidos apenas pela túnica mental. Os esferóides vivos: "tristes mentes humanas sem apetrechos de manifestação". Segundo o autor, os ovóides são percebidos como constituídos de matéria que parece leve gelatina, fluida e amorfa.

Pela densidade da mente, saturada de impulsos inferiores, gastam o corpo astral e dormitam em estranhos pesadelos:

"Registram-nos os apelos, mas respondem-nos, de modo vago, dentro da nova forma em que se segregam, incapazes que são, provisoriamente, de se exteriorizarem de maneira completa, sem os veículos mais densos que perderam, com agravo de responsabilidade, na inércia ou na prática do mal. Em verdade, agora se categorizam em conta de fetos ou amebas mentais, mobilizáveis, contudo, por entidades perversas ou rebeladas. O caminho de semelhantes companheiros é a reencarnação na Crosta da Terra ou em setores outros de vida congênere, qual ocorre à semente destinada à cova escura para trabalhos de produção, seleção e aprimoramento". (André Luiz, Libertação, Cap. VI, pág. 88) (Os negritos são nossos).

Os veículos mais densos que os espíritos perderam foram o corpo físico e o duplo etérico durante o processo de desencarnação e após, o corpo astral, devido aos desequilíbrios contínuos em que se fixaram.

Devemos ressaltar novamente que o processo de perda do corpo astral tanto ocorre no sentido inferior, os esferóides ou ovóides, aqui focalizados, como no de ascensão evolutiva quando os missionários do bem alcançam novas formas nas conquistas de planos mais elevados rumo às esferas sublimes. Também nos processos reducionais sofridos durante a reencarnação, muitas entidades, tomam a forma da figura 30 e por laços fluídicos ligam-se ao ovo humano resultante da interação do espermatozóide paterno e o óvulo materno reestruturando ou "reformando", durante a gravidez, o corpo astral, que servirá de molde à configuração dos corpos etérico e físico. A medida que vai recordando, no período gestacional, a etapa reencarnatória ou a vida ou as vidas anteriores que irá resgatar ou aprimorar na nova etapa de existência, pelo corpo mental, veículo de expressão do pensamento, vai imprimindo modificações essenciais, oriundas do erro, da culpa, do remorso etc., no novo corpo astral, que por suas estruturas imprimem ao duplo etérico em desenvolvimento e daí ao corpo físico em formação, pelas vias genéticas, as inibições, distonias ou patologias que o irão acompanhar durante o novo ciclo de vivência terrena. Daí, a sublimidade da maternidade e a relevância do período gestacional, nele não se forma apenas o corpo físico visível, mas igualmente e concomitantemente, o novo corpo astral e o duplo etérico. A usina de formas e interações que representa a gravidez é de importância capital na qualidade e integridade das formas geradas:

"Os pequeninos acham-se, deste modo, à mercê dos moldes espirituais dos que lhes tecem o berço ou lhes asseguram a escola, assim como a argila frágil e viva ante as idéias do oleiro". (Emmanuel, Pensamento e Vida, Lição13).

"Muitos infelizes, obstinados na idéia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico, envolvem sutilmente aqueles que se lhes fazem objeto da calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideística, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes". (André Luiz, Evolução em dois Mundos, Primeira Parte, Cap. XV, pag. 117).

As figuras de 31 a 40 mostram, sob diferentes ângulos e posições, o vampirismo exercido por "parasitas ovóides" em relação a um encarnado. Os ovóides são representados com tamanho menor do que a figura precedente (prancha de n° 30). É que podemos encontrá-los de diferentes formas e matizes, situados em posições diferentes dentro do nosso complexo psicossomático.

"A vampirização era incessante. As energias usuais do corpo pareciam transportadas às "formas ovóides", que se alimentavam delas, automaticamente, num movimento indefinível de sucção". (André Luiz, Libertação, Cap. IX, pág. 115).

"Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de certo modo, à sacculina carcini, que, provida de órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraiza-se, depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as características morfológicas primitivas, para converter-se em massa celular parasitária.

No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais entre credor e devedor". (André Luiz, Evolução em dois Mundos, Primeira Parte, Cap. XV, pág. 117).

A sacculina carcini é uma craca, que quando fixada no hospedeiro, espalha raízes parecidas com as das plantas, cobertas com filamentos semelhantes aos que revestem o intestino humano. Com o tempo, assume a fórmula de um nódulo que vira uma bolota cada vez maior, transformando, por exemplo, o caranguejo, numa criatura apenas para servi-la. O hospedeiro não consegue mais fazer coisas que gastam energia _ trocar de casca, crescer, recuperar garras perdidas, etc. Mutatis mutandis, os ovóides sugam as energias das vítimas, impedindo-as de realizar as mínimas funções da vida, apropriando-se de forças físicas e psíquicas, vampirizando-as em processos altamente intensivos. O mesmo ocorrerá com o desencarnado:

"Existem "parasitas ovóides" vampirizando desencarnados?

Sim, nos processos degradantes da obsessão vindicativa, nos círculos inferiores da Terra, são comuns semelhantes quadros, sempre dolorosos e comoventes pela ignorância e paixão que os provocam". (André Luiz, Evolução em dois Mundos, Segunda Parte, Cap. XIX, pág. 215) (os grifos são nossos).

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