Maria de Nazaré

MARIA DE NAZARÉ

Maria é reverenciada entre os homens de nosso tempo por ter recebido Jesus como filho. Aceitou e viveu plenamente esta missão, mas existem outros aspectos de sua história que merecem ser lembrados. A análise de sua encarnação na Terra nos remete à existência de um grande plano de salvação da humanidade.

Acontecimentos como a sua gravidez, parto, as peregrinações para fugir dos perseguidores de Jesus serão aqui lembrados, mas sua contribuição não se resumiu a estes eventos.

A origem de seu espírito por si só nos indica ser ela portadora de condição espiritual diferenciada. Estagiando em regiões felizes do mundo astral pode nos trazer um pedacinho do céu, demonstrar com seu amor o verdadeiro método de vida evangélica.

TRAJETÓRIA DE MARIA

Antes de adentrarmos na encarnação de Maria como mãe de Jesus, analisemos o processo maior em que ela e nós estamos inseridos, e que explica a origem da evolução e da existência do planeta Terra. Pietro Ubaldi explica que antes da existência da matéria, e por conseqüência dos mundos físicos, todas as almas reuniam-se em um sistema, harmônico e dirigido por Deus.

“Para compreender, observemos a estrutura do sistema. Ele se baseia em alguns princípios fundamentais como o egocentrismo e a liberdade. A criatura, parte integrante do sistema, foi constituída como um esquema menor do esquema maior, cujo centro é Deus, de acordo como princípio já mencionado dos esquemas de tipo único.” (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Cap. 4, pág. 44).

Mas eis que existia dentro deste sistema, orientado por Deus, a possibilidade de revolta por parte da criatura.

“O ser, portanto, dada a sua estrutura e a do sistema em que existia, deveria achar-se diante da possibilidade do erro. Em outros termos, o ser passava por uma prova, por um exame, de cujo resultado dependeria a sua futura posição, por ele livremente escolhida”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Cap. 4, pág. 45).

A escolha estava ali diante da criatura. Ou seguia o caminho de aceitação do Amor Divino, ou escolhia a desobediência, orientando-se por si própria, negando a Deus.

“Eis o ser diante de Deus. Apenas criado, ele ainda não falou. Deve dizer agora a sua primeira palavra, que Deus lhe pede em resposta ao Seu ato criador: a palavra decisiva. (...) A este Meu ato falta somente um último retoque para ser perfeito e ele deve partir de ti. Espero-o de ti, que o farás com plena liberdade. Ofereço-te a existência como um grande pacto de amizade. Ele é baseado no Amor com que te criei e a que deves o teu ser. Podes aceitar ou não este Meu Amor”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Cap. 4, pág. 47).

Na hora decisiva da escolha algumas criaturas decidiram aceitar a Deus, e outras se rebelaram, caindo na matéria.

“Então, muitos “Deuses” menores, feitos da substância divina, livremente decidiram tornar-se “Deuses” maiores, iguais a Deus. A escolha foi por eles feita, e o universo, abalado até aos fundamentos que estão no espírito, estremeceu e parte dele desmoronou, involvendo na matéria. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Cap. 4, pág. 48). (Grifos nossos).

Esta é a origem da matéria e do universo físico tal qual hoje o concebemos. Os espíritos encarnados e desencarnados que habitam a Terra participaram deste momento de escolha acima descrito por Ubaldi, e a decisão de todos eles foi pela revolta, a negação do princípio Divino.

Maria, assim como nós, fez parte deste processo e caiu no Anti-Sistema, termo utilizado também por Ubaldi. Jorge Damas em sua obra “Regina”, apoiando-se em Roustaing, é categórico em afirmar que “O Espírito Maria não escapou a esta regra”. E seguindo este raciocínio, o autor ainda acrescenta:

“Depois de percorrer os reinos: mineral, vegetal e animal, com suas respectivas fases de transição, teve, porque todos temos, “a necessidade de se libertar inteiramente do contato forçado em que esteve com a carne, de esquecer as suas relações com a matéria, de se depurar dessas relações” (...) “O Espírito (Maria e todos nós) é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais: é conduzido aos mundos ad hoc, às regiões preparatórias, pois que lhe cumpre achar o meio onde se elaboram os princípios constitutivos do perispírito”. (Jorge Damas, Regina, Cap. 1, pág. 19).

Então a trajetória de Maria, até este ponto, assemelha-se com os demais espíritos terrenos, ou seja, pertenciam ao sistema Divino, rebelaram-se caindo na matéria, iniciando daí o processo de evolução pelos reinos mineral, vegetal e animal até o momento em que foram conduzidos aos mundos ad hoc, regiões do plano espiritual onde se passa pelo processo de formação do perispírito, e a alma pode enfim readquirir o seu livre arbítrio.

A partir deste momento iniciam-se as diferenças entre a história de Maria e a nossa, espíritos presos em mundo de prova e expiação. Após a restauração de seu livre arbítrio, Maria escolhe progredir a passos largos, conquistando patrimônios espirituais reais no plano astral, enquanto que os espíritos que hoje habitam a Terra caem novamente, e a partir daí reencarnam de planeta em planeta, a grande maioria deles assumindo débitos e resgates futuros, através de erros em compromissos reencarnatórios. Portanto, todos nós pertencíamos à primeira queda, contudo, em segunda oportunidade, Maria escolhe avançar progressivamente em direção a Deus, e nós novamente O negamos. É o que descreve Jorge Damas citando Roustaing:

“Quando o livre-arbítrio de Maria atingiu, segundo a revelação dada a Roustaing – um desenvolvimento completo, ela não se deixou, como muitos, nesta fase inicial, se arrastar pelo ateísmo, orgulho e inveja (Q.E.I, 311). E o Espírito da Soberana das Mães, sempre debruçado no inesgotável “livro da vida” (Ap. 20:12), através dos tempos que nossos relógios não conseguem registrar, galgou um estado de evolução admirável. Neste ponto, seu invólucro perispiritual já brilhava em rara beleza. Mas é bom que se diga logo, Maria ainda não havia conquistado o ápice da escada moral, patamar dos Espíritos puros, que atingiram a “perfeição sideral” (Q.E.I, 328)”. (Jorge Damas, Cap. 1, Regina, pág. 20).

Maria continuou, portanto, sua evolução. Todavia, como escolheu seguir a Deus, seu progresso foi realizado em regiões mais evoluídas, inconcebíveis para nós, almas atrasadas e presas a formas materiais. A condição evolutiva de Maria atingia graus cada vez mais elevados, o que demonstra porque este Espírito teve condições de tanto fazer pelo Cristo, e de auxiliar em sua missão de redenção das almas em sofrimento na Terra.

Mas perceba-se que ela era relativamente perfeita em relação às almas em prova e expiação, mas não havia atingido a perfeição absoluta característica dos Espíritos Puros. E assim, durante este percorrer de sua evolução em planos bem mais espiritualizados que a Terra, Maria sofre uma pequena queda.

“Mas, eis que surge um pequeno desacerto nesta caminhada já avançada de Maria. Falamos em pequeno desacerto por nos faltar todos os parâmetros para compreensão. Esta falta do Espírito Maria foi levíssima: um minúsculo extraviar-se dos mecanismos exigentes e perfeitíssimos das estruturas cósmicas”. (Jorge Damas, Cap. 1, Regina, pág. 19).

A trajetória de seu espírito evoluído, como ainda sujeita a eventos desta natureza, sofre pequeno desvio, e Maria deve então encarnar para corrigir sua falta. Mas proporcionalmente ao seu adiantamento moral, o local onde o débito foi pago corresponde para nós ambiente de extrema felicidade. Neste ponto, acompanhando as explicações de Roustaing, compreendemos a elevada condição espiritual da Mãe Santíssima.

“Maria encarnou numa dessas terras benditas por que tanto anseais. Para vós, pobres criaturas miseráveis, tal encarnação seria invejável recompensa, que tudo deveis fazer para obter. Para Maria foi uma punição, pois que a privou de um estado mais belo”. (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 333).

Com estes relatos pode-se aproximar a mente da situação de Maria quando recebe a missão de vir à Terra e receber Jesus como filho. Ligada à humanidade por suas escolhas, continuou evoluindo em condições espirituais, mas assumiu o compromisso de ajudar na grande missão de redenção das almas que ainda estagiam no egoísmo e na ignorância:

"A hierarquia, como sabeis, se estabelece entre os Espíritos em conseqüência da elevação e do progresso deles. Deveis compreender que o Espírito que, desde a sua origem, progrediu sem se afastar nunca do caminho que lhe é traçado, está sempre mais adiantado em ciência universal do que outro que se purificou depois de haver falido". (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, Item 60, p. 330).(Itálicos do autor)

Na sequência Roustaing faz um resumo da hierarquia espiritual de Maria:

"Maria, purificada por essa encarnação, retomou, sem mais falir, o caminho simples e reto do progresso e ainda o trilha, pois que ainda não chegou ao cume, isto é, à perfeição sideral. Conquanto, porém, não se ache ainda na categoria de Espíritos puros, suas atuais encarnações (...) tão acima estão das vossas inteligências, que não podeis fazer idéia do que sejam". (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, Item 60, p. 334).

Roustaing afirma que Maria continuou trilhando o caminho do bem em mundos mais evoluídos. Mas antes de vir à Terra ajudar o Cristo em sua missão, onde ela habitava? É certo que seus caminhos a partir de quando readquirira seu livre-arbítrio se distanciaram dos nossos destinos, mas em que local e condições ela adquiriu tão elevados recursos espirituais. E mais, se já havia conquistado o patrimônio sincero do amor em seu coração, por que encarnar na Terra, planeta destinado a receber almas atrasadas e renitentes no mal?

O Espírito Áureo, no livro Universo e Vida nos dá um idéia das moradas de Maria antes de encarnar na Terra, e dos objetivos de sua vinda entre nós.

“Como os Grandes Espíritos são solidários entre si, também o são os mundos e as Humanidades que eles governam em nome do Criador. Quando Sírius, da Constelação do Grande Cão, atingiu a posição de sistema de orbes regenerado, muitos Espíritos orgulhosos e rebeldes que lá habitavam foram transferidos para Capela, da Constelação do Cocheiro, que era, na ocasião, um sistema de mundos de provas e expiações”. (Áureo, Universo e Vida, Cap. 2, pág.32).

Então, seguindo a explicação de Áureo, quando o planeta Sírius adquire a condição de mundo regenerado, objetivo a que a Terra está submetida e que será em alguns anos o seu futuro, diversos Espíritos foram de lá expulsos e remetidos para Capela, novo lar destas almas atrasadas que buscariam evoluir em mundo de prova e expiação. Áureo continua narrando esta história.

“No transcurso dos milênios, esses degredados, já redimidos, regressaram, em sua maioria, aos celestes pagos, ou se incorporaram às coletividades capelinas, das quais se fizeram devotados condutores. Houve, porém, numerosas entidades, de poderosa inteligência, mas de renitente coração, que não apenas perseveraram em sua rebeldia, mas lideraram, além disso, legiões de tresloucados seguidores de suas incontinências. Esses os Espíritos que, indesejáveis em Capela, quando aquele sistema alcançou o estágio de orbes de regeneração, foram banidos para a Terra, onde a magnanimidade do Cristo os recebeu e amparou”. (Áureo, Universo e Vida, Cap. 2, pág.32).

Novamente acompanhamos a regeneração de um planeta, agora Capela, que antes definido como ambiente de prova e expiação passa à condição de mundo regenerado, e por esta razão não mais pode abrigar Espíritos que ainda persistem no mal. Atente-se para a expressão “banidos para a Terra” que Áureo utiliza em referência às almas que não conseguiram acompanhar a evolução de Capela, o que indica que a chegada deles à Terra não se deu por escolha ou mérito de cada um, mas para não atrapalhar a evolução do planeta Capela.

Estes Espíritos renitentes e banidos de planetas que conquistaram a condição de mundos de regeneração somos nós, expulsos de Sírius, depois de Capela, e agora novamente submetidos à oportunidade de escolha, seguir o destino da Terra que passará a ser ambiente regenerado, ou persistir no erro e ter que retornar à conquista dura da evolução em outro planeta mais atrasado.

Áureo dá seguimento à explicação:

“Tais degredados não vieram, porém, sozinhos, como se fossem imenso rebanho abandonado à violência das procelas. Alguns dos seus grandes líderes, já redimidos, renunciaram, por amor a eles, à glória e à felicidade do regresso à Sírius, e desceram, à sua frente, aos vales de dor da Terra primitiva, na condição de Grandes Guardiães, colocando-se humildemente a serviço do Cristo Planetário”. (Áureo, Universo e Vida, Cap. 2, pág.32).

Para auxiliar na evolução da Terra diversas almas aqui encarnam. Vêm para auxiliar o Cristo e servirem de exemplo de vida e de amor à Deus. Enfrentam ambiente hostil, vivem em meio à almas bem mais atrasadas e suportam grandes sofrimentos em renúncia aos irmãos. Estas descrições de Áureo apontam para a existência de um plano Divino para a Terra, coordenado por Jesus, mediante o auxílio de várias almas abnegadas. Trata-se de uma missão de salvação da Terra e dos seres atrasados que nela habitam, na tentativa de se regenerar a todos. Neste contexto aparece Maria, na condição de Espírito superior a nós e que participa deste projeto de redenção:

"Mas o amor sublime de excelsos Espíritos de Sírius não abandonou os antigos companheiros, e foi de lá, daquele orbe santificado, que vieram, desde os primórdios da Terra, para auxiliar voluntariamente ao Cristo Jesus, aqueles seres extraordinários que cercaram, no mundo, o Messias, como Ana e Simeão, Isabel e Zacarias, e principalmente o Carpinteiro José e a Santa Mãe Maria". (Áureo, Universo e Vida, Cap. 2, pág.33). (Grifos nossos).

Junto a estes benfeitores estava Maria, que, pelo seu imenso amor, abriu mão de sua ascensão suprema para seguir o Cristo Jesus e trazer-nos a boa nova, a esperança de retorno a estes mundos celestiais e à "Casa do Pai". Isto porque Sírius já era um planeta renovado para abrigar espíritos próximos da angelitude e enviou até a Terra estes seus filhos para glorificarem a vinda de Jesus.

Ao lado de tantos outros, Maria abriria caminho para a chegada do Messias, bem como através dos tempos, trabalharia incansavelmente para a regeneração individual e coletiva daqueles filhos muito amados.

A PREPARAÇÃO PARA SUA VINDA

Entendida qual foi a origem de Maria, de onde ela veio e, conseqüentemente, qual era sua condição espiritual, tratemos de analisar a sua encarnação como mãe de Jesus. Por que foi escolhida para este trabalho? Como foi a preparação para a sua vinda e no que contribuiu ela nesta tarefa?

Emmanuel nos fornece os primeiros elementos desta discussão:

“As figuras de Simeão, Ana, Isabel, João Batista, José, bem como a personalidade sublimada de Maria, têm sido muitas vezes objeto de observações injustas e maliciosas; mas a realidade é que somente com o concurso daqueles mensageiros da Boa Nova, portadores da contribuição de fervor, crença e vida, poderia Jesus lançar na Terra os fundamentos da verdade inabalável”. (Emmanuel, A Caminho da Luz, Cap. 12, pág. 105). (Grifos nossos).

Este grande instrutor espiritual nos mostra que a vinda de Jesus à Terra foi precedida de uma preparação espiritual árdua. A encarnação destas almas teve importância decisiva. Sem elas, o Cristo não encontraria elementos necessários para viver em ambiente tão hostil. O mais evoluído, quando se dispõe a socorrer espíritos inferiores, necessita de recursos mais próximos àquele meio. Era necessária a construção de pontes entre o céu Crístico e a imperfeição humana. Estas almas vieram, portanto, com o objetivo de aproximar o Nazareno dos mais necessitados, e a maior delas era Maria.

Maria fora convocada à tarefa nobre de conduzir nossa humanidade ao manancial de luz que a vinda de Jesus prometia. Nossa atmosfera, ainda carregada de más vibrações necessitava ser purificada para a chegada do Messias.

O plano maior já traçava seus objetivos e lançava sobre os humanos todo o plano de idéias que estava por concretizar-se, num futuro não muito distante. Em seqüência, vários profetas vieram a Terra anunciando a vinda do Messias, conduzindo todos os elementos para a salvação dos povos.

"Maria de Nazaré desceu aos fluidos da carne, cândida entre todas as mulheres, flor de luz que perfumou toda a Terra das sensibilidades humanas; foi coração que muito amou, não encontrando lugar para a sabedoria que pretendeu ocultar na consciência profunda, celeiro de reserva de outras épocas. (...) como instrumento divino, era necessário que ela se diminuísse, para que seu filho crescesse diante de todos!". (Miramez, Maria de Nazaré, Cap. 1, pág. 18).

Observa-se, pois, que seu amor era imenso e que abriria mão de sua ascensão própria para erguer conosco até a suprema divindade. Aguardaria a todos nós, espíritos perdidos no egoísmo de nossas almas, velando e amando, sempre. A futura mãe de Jesus, atendendo ao chamado supremo em missão sublime, orou ao Pai, conforme nos demonstra ela mesma nestas palavras:

"- Senhor!... Quando aceitei, assumi todos os compromissos, e torno a vos afirmar que estou disposta a voltar à Terra quantas vezes achardes conveniente, até que essa mesma Terra vos conheça e se torne um reino de paz e uma escola de amor. Eu sou a vossa escrava; fazei de mim, segundo a vossa vontade!". (Miramez, Maria de Nazaré, Cap. 3, pág. 46).

A Virgem Santíssima estava preparada para penetrar os meandros da Terra. Estava tão ambientada, não pelo carregado e denso ambiente vibracional, mas por enxergar irmãos perdidos no êrro, que vivenciou a oportunidade de trazer-nos a escola do amor. Fez-se escrava; fez-se serva da vontade de Deus.

"Maria de Nazaré é um desses grandes seres que renunciou, como ave de luz, ao seu ninho de bem-estar angelical, para ajudar a humanidade, apagando a sua própria luz, para que se ascendesse a Luz Maior". (Miramez, Maria de Nazaré, Cap. 1, pág. 15).

Tamanha lucidez somente advinha de um espírito nobre e de coração renovado, pois se percebia sobre nossa crosta todo ódio e egoísmo exalados da humanidade.

Na visão espiritual apresentada pelo espírito Áureo recebemos grandes esclarecimentos sobre o papel da mãe de Jesus.

"Existem, contudo, outros seres, muito peculiares, que não são propriamente agêneres, mas que pertencem muito mais ao plano extrafísico do que ao plano que chamamos físico. Trata-se de criaturas sem dúvida humanas, mas cuja ligação biopsicofisiológica com a matéria densa a que chamamos “carne” é a mínima possível. São Espíritos sublimes, de imensa superioridade evolutiva, que só encarnam na Terra em raras e altíssimas missões, de singularíssima importância para a evolução da Humanidade. O maior desses Espíritos foi a Mãe Maria de Nazaré, a Virgem Excelsa, Rainha dos Anjos, cuja presença material, na Crosta Terrestre foi indispensável para a materialização do Messias Divino entre os homens”. (Áureo, Universo e Vida, Cap. 7, pág. 115).

Poderia ter sido outra pessoa a escolhida para maternar o Cristo? Quais as funções que caracterizaram a missão da “Rainha dos Anjos”? Áureo afirma que Maria foi o maior deste Espíritos sublimes. Portanto, dentre aqueles enviados para preparar a vinda de Jesus, ou para lhe darem sustento no cumprimento de sua missão, sua mãe era a de mais adiantada evolução moral. E também por esta razão os fenômenos manipulados por Jesus e pelos Espíritos benfeitores tiveram como base as vibrações dela. É o que Áureo segue explicando.

“Coube a ela fornecer ao Mestre a base ectoplasmática necessária à sua tangibilização, servindo ainda de ponto de referência e de equilíbrio de todos os processos espirituais, eletromagnéticos e quimiofísicos que possibilitaram, neste orbe, a Presença Crística. Tudo o que o Senhor Jesus sentiu, na sua jornada messiânica, repercutiu diretamente nela, na Santa das Santas, na Augusta Senhora do Mundo. Estrela Divina do Universo das Grandes Almas, também ela teve de peregrinar do paraíso excelso de sua felicidade para o nosso vale de lágrimas, a fim de ajudar e servir a uma Humanidade paupérrima de espiritualidade, da qual se fez, para sempre, a Grande Mãe, a Grande Advogada e a Grande Protetora". (Áureo, Universo e Vida, Cap. 7, pág. 116).

Fica clara a contribuição energética de Maria para a realização dos processos que marcaram a vinda de Jesus para a Terra. Roustaing explica que o corpo do Cristo não era material como o nosso. Efeito de manipulação de corpo fluídico, era dotado de tangibilização, característica que permitia dar impressão de matéria. Mas o que nos importa nestes fatos é que era necessária a manipulação de fenômenos espirituais, seja para constituição do corpo fluídico, seja para os outros fenômenos descritos no Evangelho. E assim, na visão de Áureo e Roustaing, Maria foi decisiva para a vinda do Nazareno, pois sendo a mais adiantada dentre todos, possibilitou com sua vibração de Espírito Evoluído a realização do trabalho evangélico. Também por conseqüência das passagens acima citadas podemos concluir que sua escolha não foi por acaso. Não poderia ser qualquer espírito generoso a desempenhar este papel. Se Jesus retirara dela os elementos para o seu próprio “corpo”, então a fonte deveria ser pura, evoluída e cheia de amor.

“Maria de Nazaré, que todos conhecemos e amamos como roteiro de luz dos nossos passos, desceu de plano em plano, sem choques de ansiedade de servir, para ajudar na correspondência da fraternidade pura. Na descensão, em cada estágio, organizou trabalhos para o aprimoramento das almas. Ela objetivava, como centenas de outras companheiras do seu plano, a organizar o ambiente na atmosfera da Terra, no sentido de poder descer o Rei de todos nós, o Pastor da humanidade toda". (Miramez, Maria de Nazaré, Cap. 2, pág. 23).

Todas as referências que buscamos de Maria nos levam a esta mesma conclusão. Ela foi a fonte dos recursos de interação magnética do Cristo com a Terra. Os habitantes daquela época nem imaginavam de quanta complexidade se revestiam estes fenômenos. O que o involuído vê e não compreende dá o nome de milagre, e neste caso, a maioria daquelas almas encarnadas nem sequer chegaram a ver tudo o que ali se passava. Alguns sentiam a vibração amorosa de Maria, mas também não eram capazes de entender que ela vinha à frente abrindo o caminho para Jesus. Às mentes pequeninas escapam este cenário complexo, tomando por corriqueiro o que era, na verdade, a descida do Céu à Terra. E Maria materializou naquele momento uma atmosfera mais doce para que seu Filho pudesse trabalhar. Tendo o cuidado de não promover alardes diante dos acontecimentos, mantendo a discrição para que a tarefa do Cristo não fosse prejudicada, operou em todos os momentos de sua encarnação com aceitação e renúncia. Como já era ela Espírito evoluído, apenas a sua adesão àquela corrente de salvação já foi suficiente para a produção de todos estes eventos.

ANUNCIAÇÃO DO ANJO E GRAVIDEZ DA VIRGEM

De acordo com o que analisamos anteriormente, a vinda de Jesus à Terra constituiu um grande plano de salvação de suas almas atrasadas. Sua descida, já antecipada pelas profecias, foi acompanhada de vários espíritos que auxiliaram nesta missão de esclarecimento.

Maria de Nazaré fazia parte deste grupo de almas que contribuíram para que o Nazareno pudesse nos ensinar o caminho do amor através de seus exemplos e do Evangelho, imortalizado pela ação de seus apóstolos.

No processo de anúncio de sua gravidez percebemos mais uma vez suas elevadas características morais. Em oração, Maria, ávida de luz, por meio de sua mediunidade transcendente, absorve a mensagem do legionário dos céus a quem se deu o nome de Gabriel, o anjo do Senhor. O nascimento de Jesus foi anunciado por vias mediúnicas, o que nos ensina Roustaing:

"Em comunhão espiritual com os Espíritos do Senhor, mas submetida à lei da encarnação material humana tal qual a sofreis, médium inconsciente, ela recebeu, como médium vidente, audiente e intuitivo, no sentido de ter consciência do ser que se lhe apresentava, a predição que lhe era feita. Sua inteligência, entorpecida pelo invólucro material, não se achava em estado de lembrar-se. É o que explica tenha feito sentir ao anjo, ou Espírito, a impossibilidade de conceber durante a virgindade". (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 156).

Mas a virgem não possuía a mesma condição espiritual que seu filho, apesar de já naquela época pertencer à falange de espíritos evoluídos. Quando o anjo Gabriel aparece para Maria e lhe anuncia que ela receberia Jesus como mãe, surge em sua mente a seguinte pergunta:

“Então Maria perguntou ao anjo: “como será isso, uma vez que não conheço homem?”” (Lucas: 34).

Esta indagação demonstra que Maria não possuía condições de entender de pronto todas as situações que caracterizavam a sua missão. Apesar de ser ela Espírito elevado, estava entorpecida pela encarnação, e não podia manifestar a mesma lucidez que seu filho. Ele sim, ciente de sua missão a todo tempo, tem pleno conhecimento de todas as nuanças do processo. Maria necessitava da revelação do anjo Gabriel para colaborar com o nascimento. Jesus, ao contrário, não precisava destes recursos, e manipulava ele mesmo, por exemplo, as forças que constituíram sua veste material.

Mas o fator fundamental deste contexto é a revelação de que Maria posicionou-se em estágio de extrema aceitação. Apesar de ter sido preparada no plano espiritual para receber o menino Jesus, sua tarefa não foi fácil ou simples como poderíamos concluir em uma análise prematura ou superficial da história.

O fato de Maria ser dotada de alta evolução espiritual não a privava de estar submetida às leis físicas características de mundos atrasados como o nosso. Ao contrário, era-lhe mais penoso viver aqui, especialmente pela incompatibilidade vibracional entre ela e o ambiente grosseiro. Tendo que mergulhar na matéria densa, submeteu-se ao esquecimento temporário das realidades espirituais, e por isso necessitava da revelação do anjo.

Fosse outra a sua condição moral e a decisão de aceitar os desígnios de Deus, poderia ela ter se revoltado contra o anúncio de sua gravidez atípica, desprovida de concepção carnal. E veja-se que, para uma menina tão nova, entregar-se ao desconhecido só poderia demonstrar bravura de alma. Por isso reafirmamos que não poderia ter sido outro Espírito que por aqui vivia o portador desta responsabilidade. Foi escolhida propositadamente não somente pelo seu grau de evolução, mas também por ter aceitado decididamente a sua tarefa.

Teve que entregar-se em fé à sua missão. Talvez poderia ela ter pedido ao anjo outras provas do acontecido, aconselhar-se com os mais velhos sobre a natureza da situação, ou até mesmo requerer a Gabriel um tempo para pensar e entender o que seria aquela gravidez. Nada disso lhe passa pela mente. Após uma breve pergunta, aceita, incondicionalmente, o que o anjo lhe pede, e segue, sem pestanejar, as recomendações vindas do céu.

Teve que enfrentar ainda as possíveis dúvidas que surgiriam em seu esposo. Como José aceitaria estes fatos? Como poderia ela explicar que sua gravidez era fruto do sobrenatural, e que tinha permanecido virgem? Não seria considerada adúltera por aparecer grávida sem ter se entregado intimamente a José? Mesmo com a aparição do anjo a José mais tarde, explicando-lhe o que havia de se dar, analisemos que no momento da aparição à Maria esta dúvida poderia ter lhe tomado conta dos pensamentos. Naquela época, a mulher adúltera poderia facilmente ser levada ao apedrejamento, como existem relatos destes exemplos no próprio Evangelho. E diante de todas estas possibilidades, temendo por sua integridade física e moral, a virgem poderia ter recuado. Nada disso. Não pensava ela em sua reputação ou desejava se privar ao sofrimento. Aceita a ordem do alto e segue confiante o seu destino. Se fosse menos evoluída, portadora de menor fé ou se estivesse mais próxima de nós, talvez houvesse falhado. Não foi esta a sua escolha, e a sua elevação moral também não apontava para esta direção.

Este momento de aceitação que poderia passar desapercebido aos leitores da história, reveste-se da mais profunda importância espiritual. E se Maria, neste momento do anúncio do anjo, recusasse receber Jesus como filho? Alguns poderiam tentar solucionar o problema dizendo que seria escolhida outra mãe para esta função.

Ora, já transcrevemos acima citações dos Espíritos Emmanuel e Áureo afirmando que Maria era o maior dentre todos aqueles missionários que vieram auxiliar o Cristo. Sua escolha não foi despropositada, e a partir dela que se desenvolveram os processos magnéticos espirituais que caracterizaram a passagem do Nazareno pela Terra. Se naquele momento houvesse recusa por parte da Mãe de Jesus, o desenvolvimento da missão salvadora necessitaria de outro Espírito daquela categoria. Mas onde encontrá-lo aqui na Terra, se ela era o maior de todos os missionários do Cristo? Teria-se que arquitetar outros planos para consecução do Evangelho.

A ressonância existente entre a futura grávida e o Anjo eram extremas, conforme se observa nesta passagem, nas palavras de Maria.

"O fato é que ali estava ele. Belo e luzidio, doce e cheio de paz. Nunca me ocorreu que fosse um enviado do Maligno, pois a paz que dele emanava era representativa apenas de Deus. (...) Essa mesma paz, a de Deus, encontrava profundo eco em mim. Sua paz e minha paz se entrelaçavam, como se em meu interior nunca tivesse existido outra coisa senão a harmonia divina, uma paz semelhante a que esse mensageiro do Senhor emanava". (Santiago Martín, O Evangelho Secreto da Vírgem Maria, pág. 18).

O que indica esta grande correspondência de vibrações, mesmo diante de uma situação inesperada, fenômeno mediúnico a que a virgem não estava acostumada nesta vida? Podemos concluir que Maria aceita e trabalha por sua tarefa não só no plano espiritual, mas permanece firme em seu propósito em todos os momentos de sua encarnação Terrena. A sua ressonância com o Anjo demonstra que ela estava continuamente preparada para ser a mãe de Jesus, tanto que não foge do encontro incomum. Ao contrário, sente toda aquela vibração de paz e se entrega ao momento revelador.

Passando pelo fato da anunciação, nos ocupemos agora da gravidez da virgem, especialmente quanto as seus detalhes mais reveladores. Este tipo de auxílio empregado pelo anjo, aparece também em outras passagens.

“Assim, só aparência de gestação houve em Maria. A gravidez foi apenas aparente, fluídica, sendo a intumescência do ventre produzida por uma ação fluídica, efeito do magnetismo espiritual. Seu parto foi igualmente obra do Espírito Santo, porque também foi obra dos Espíritos do Senhor e só se deu na aparência, tal como a gravidez, por isso mesmo que resultava desta, que fora simplesmente aparente. Tanto quanto da gravidez, Maria teve a ilusão do parto, na medida do que era necessário, a fim de que acreditasse, como devia acontecer, um nascimento real.” (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 195).(Grifos nossos).

Pela revelação de Roustaing notamos que tanto a gestação quanto o parto foram ilusões. Mas por que os espíritos benfeitores utilizaram-se deste recurso?

Maria tinha que crer num parto real e lembrar-se de fatos que lhe cumpria atestar, como se houvessem ocorrido. Os Espíritos prepostos à preparação do aparecimento do Messias na terra, colocando Maria, pela ação do magnetismo espiritual, sob a influência magneto-espírita, a puseram, por efeito dessa influência, no estado de um sonâmbulo que vê e acredita, sente e experimenta o que se quer que ele veja e acredite, sinta e experimente.” (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 199). (Grifos nossos).

A passagem acima transcrita é clara, Maria tinha que acreditar em um parto comum. Os Espíritos utilizaram recursos do magnetismo para produzirem este efeito, visando a um objetivo. Acreditar que os Espíritos realizaram todo este trabalho sem uma meta é inconcebível. E o grau de detalhe deste fenômeno, empregado por eles remonta o parto natural com uma grande riqueza de detalhe.

“A fim de dar a Maria, sempre sob a influência magneto-espírita, a ilusão do parto e da maternidade, os Espíritos prepostos, pela ação fluídica, a fizeram experimentar efeitos semelhantes às contrações naturais em um parto qualquer.” (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 199).

“No momento em que Jesus apareceu, exatamente como houvera aparecido por efeito de um nascimento real, sob o aspecto de uma criancinha, cessou a influência magneto-espírita. E Maria, iludida pela carne, sob a influência das impressões recebidas pela matéria, que conservara o sinal do compromisso que seu Espírito assumira, tomou nos braços o menino, como se o parto fora real, crente assim de que ele era fruto de suas entranhas, por obra do Espírito Santo”. (Roustaing, Os Quatro Evangelhos,Tomo I, pág. 199).

Alguns poderiam objetar a esta explicação de Roustaing, dizendo que seria impossível que tais fatos acontecessem sem que ninguém percebesse que não houve nascimento. Se o parto natural é cercado por acontecimentos tão intensos como dores, contrações e até mesmo a passagem da criança pelo canal vaginal, como poderia Maria não ter percebido que Jesus não nascera de suas entranhas?

“Fácil teria sido, portanto, produzir nos homens, naqueles que porventura a assistissem, a ilusão do parto de Maria. Mas, a isso se opunha o prestígio misterioso de que devia cercar-se o “nascimento” de Jesus. Maria estava só no momento. Fácil era dar a ilusão àquele Espírito cuja existência material apenas começava, tanto mais quando, embora o desenvolvimento da mulher em tais paragens seja mais precoce do que sob o vosso clima, a vida contemplativa de Maria a conservara ao abrigo de todas as aspirações e sensações materiais. Sendo ela, pois, ignorante das leis da matéria, inútil fora levar mais longe a ilusão.” (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 202).

Claro está, portanto, que Maria não era iniciada nas malícias humanas, e nem tinha contato íntimo com homem algum. Na descrição de Roustaing, vivia uma vida contemplativa. Seria muito fácil aos Espíritos bondosos que conduziram o processo lhe imprimir uma sensação de gravidez e parto normais, que não chegaram a ocorrer, ainda mais porque ela estava sozinha no momento do “nascimento” e, desta forma, este momento não teve testemunhas encarnadas. Mas mesmo que existissem ali outros indivíduos presenciando o nascimento, o magnetismo empregado pelos Espíritos poderia perfeitamente dar-lhes a impressão de nascimento real. O Livro dos Espíritos, pergunta 536-b, nos esclarece sobre o tema.

“536-b. Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primeira, nisto como em todas as coisas. Porém, sabendo que os Espíritos têm ação sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exerceriam certa influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?

“Evidentemente; e nem poderia ser de outro modo. Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele tem agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.” (O Livro dos Espíritos, pergunta 536-b).

Os contemporâneos de Jesus não teriam condições de saber naquela época todos estes detalhes. E como a revelação é progressiva, aos poucos o conhecimento vai descendo à Terra iluminando a ignorância dos homens. Jesus foi tido por muitos daqueles que conviveram com ele na Terra como louco, fanático e derrogador da lei mosaica. Não conheciam a extensão espiritual do Governador deste planeta, nem que para ele realizar sua missão necessitaria de condições tão especiais.

“Já o dissemos e repetimos: Jesus não se revestiu de um corpo material humano tal como os vossos. Sua essência era demasiado pura para poder suportar o contacto com a matéria. Compreendei o sentido destas palavras. Queremos dizer que Jesus, de uma elevação extrema, incompatível com a vossa essência, não podia submeter-se à encarnação material humana. Era-lhe impossível suportar o contacto da matéria, como vos é impossível suportar um odor fétido”. (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 205). (Grifos nossos).

Se Jesus não poderia se submeter à matéria, também não há lógica em dizer que ele teria sido gerado no ventre de Maria, nem ter passado pelo processo do Nascimento.

Mas era preciso que tudo isso permanecesse em segredo. Se estes fatos houvessem sido revelados de imediato, a missão de Jesus poderia ter sido comprometida. Antes do “nascimento” de Jesus, só pelo fato das profecias anunciarem que nasceria o Salvador, foram assassinadas milhares de crianças, na tentativa de que entre elas estivesse Jesus.

Era necessário que a compreensão da parte espiritual dos fenômenos fosse deixada para mais tarde. Sendo a Terra habitada por espíritos renitentes no mal, que já perderam diversas oportunidades de se regenerarem, é natural que a sua capacidade de compreensão seja também reduzida, inferior, e que necessite de tempo e amadurecimento para se entender a verdade.

DESAFIOS DO CAMINHO

Citamos por diversas vezes passagens de autores encarnados e desencarnados avalizando a elevada situação espiritual de nossa protagonista. Dissemos que ela não precisava, de acordo com o seu nível de evolução alcançado, encarnar em mundo de prova e expiação como a Terra. Poder-se-ia daí pensar que sua passagem por aqui foi fácil, e que os Espíritos benfeitores cuidaram de retirar todos os obstáculos para o desenvolvimento de sua missão.

Não é isso que a história nos mostra. Em diversos momentos as dificuldades enfrentadas por ela foram imensas. Jorge Damas, citando Maria Cecília Baij e o Espírito de Amélia Rodrigues, nos esclarece:

“José estava preocupado em realizar tal viagem com Maria naquele estado avançado de “gravidez”. Maria, porém, segundo Cecília Baij, tranqüilizou-o dizendo que, “havendo o Redentor determinado o local e a maneira do Seu nascimento, a eles competia somente estarem preparados para recebê-lo e adorá-lo nesse lugar, e que ela deveria tão-somente levar os necessários panos de linho que havia confeccionado” (A vida de São José, pág. 118). “A viagem fora longa para aquele casal, principalmente para aquela mulher grávida, durante quatro ou cinco dias, sacudida pelo trote da montaria ... Sucederam-se abismos e montes, subidas e descidas, quase às portas da cidade santa, chegando por fim a Belém.. “ (Luz do Mundo, pág. 19)” – (Jorge Damas, Regina, Cap. 12, pág. 140).

Desde o início estava cercada de dificuldades, e nesta passagem vemos que teve que se submeter à dolorosa viagem, estando grávida. Explicamos acima, amparados por Roustaing, que Maria experimentou todas as sensações e desconfortos de uma gravidez normal, embora não estivesse gerando o “corpo” de Jesus. E neste estado, sofrendo, portanto, realizou tudo aquilo que havia lhe sido designado sem protestar contra sua tarefa.

Em Lucas acompanhamos outro exemplo de seus testemunhos.

“Estando eles ali completaram-se os dias de dar à luz, e teve um filho primogênito, e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”. (Lucas: 2: 6-7).

Não bastasse a viagem penosa, o nascimento de Jesus também não foi menos difícil. Roustaing afirma que Maria estava sozinha no momento do nascimento, conforme citações já transcritas acima, ou seja, sem ninguém para lhe auxiliar. E ainda em local desconfortável, especialmente para uma gestante, em razão de que todas as hospedarias do local estavam ocupadas.

Depois que Jesus recebe a visita dos magos, dá-se continuação à luta de Maria.

“Depois de haverem partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, dizendo: “Levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe, foge para o Egito, e fica aí até que te chame; pois Herodes há de procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito”. (Mateus: 2: 13-14).

Herodes realmente procurou Jesus, e na tentativa de exterminar sua vida mandou matar todas as crianças menores de dois anos.

“Herodes, vendo-se iludido pelos magos, ficou irado, e mandou matar todos os meninos em Belém e em todo o seu termo, de dois anos para baixo, conforme o tempo que tinha com precisão indagado dos Magos. Então cumpriu-se o que foi dito pelo profeta Jeremias: “Ouviu-se um clamor em Ramá, choro e grande lamento: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada porque eles se foram”. (Mateus: 2: 16-18).

Maria, então, teve que peregrinar para salvar a vida de seu filho. Fugia da maldade humana, simbolizada neste ato por Herodes, tentando preservar a vida daquele que seria nosso Salvador. Nesta seqüência, observamos que Maria teve que viajar por causa do recenseamento, e após este, agora com o filho pequeno, esconder-se do tirano. Jorge Damas nos apresenta maiores detalhes sobre o ocorrido:

“Sabemos que o rei Herodes, o Grande, faleceu sete dias antes da Páscoa, em março/abril do ano 4 a.C., ou seja, 750 de Roma. Logo, nessa época, Jesus contava por volta de 3 anos no corpo. Permaneceu Ele no Egito com seus pais, durante alguns meses ou no máximo 1 ano. (Jorge Damas, Regina, Cap. 20, pág. 200).

E tendo desencarnado o rei Herodes, perseguidor de Jesus, só então é que a Sagrada Família pode retornar ao porto seguro.

“Mas, tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, dizendo: “Levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel, pois já morreram os que procuravam tirar a vida do menino”. Levantando-se, tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel”. (Mateus: 2: 19-21).

Quando Maria deixa o Egito com sua família, de acordo com os dados fornecidos por Jorge Damas, Jesus contava com mais ou menos 3 anos. Se acrescentarmos o fato de que Maria dirigiu-se para Belém, por ocasião do recenseamento, e no início desta primeira viagem Jesus ainda não havia “nascido”, concluímos que todo o período durou mais de 3 anos. Este foi o tempo que a virgem teve que viver viajando ou fugindo. Teriam sido fáceis estas peregrinações? Obviamente que não. Os meios de transporte eram rudes, sendo eles realizados através de animais. A região era de deserto, onde a temperatura do ambiente eleva-se sobremaneira durante o dia, e passa a um extremo frio pela noite. As viagens demoravam vários dias, o que também podemos comprovar por estas informações.

“Por que fugir para o Egito? Porque, neste país haviam colônias israelitas em Alexandria e Heliópolis. Um outro motivo era a distância. O Egito ficava relativamente perto, a cerca de 250 milhas de Belém, o que podia ser percorrido, em seis ou sete dias, na maior parte pelo deserto”. (Jorge Damas, Regina, Cap. 20, pág. 197).

Se uma viagem curta durava em média uma semana, aquelas mais longas deveriam ser pelo ou menos superiores a 15 dias. Em situações ideais, com meio de transporte adequado e ambiente não tão hostil quanto o deserto, um período deste de viagem já seria bem cansativo. Mas com todas as condições desfavoráveis como as acima descritas, sem dúvida tratava-se de um grande desafio. Maria submeteu-se a tudo isto sem reclamar. Mesmo estando grávida, aventurou-se por estes caminhos difíceis com coragem e determinação.

E neste momento retomamos o problema levantado no início deste tópico. Considerando que Maria era originária de mundos mais evoluídos que o nosso, portadora de elevada posição moral, ter-lhe-iam sido abreviadas as dificuldades? Os Espíritos benfeitores não poderiam adotar medidas para facilitar o desempenho de seus compromissos?

O desenrolar dos fatos nos mostra que o evoluído, mesmo sem nada dever à Terra, quando da realização de missão salvadora, sofre e chora neste vale de lágrimas. Descer à Terra é ainda mais penoso quando o indivíduo já conquistou a beleza das esferas mais altas. Os que aqui vivem, adaptados às baixas vibrações, até vibram com estas mazelas, mas para ele, ser de outros planos, habitar em mundos atrasados reveste-se de dura pena, somente suportada em razão do chamamento íntimo de se espalhar o amor por todos os lugares.

A COMPANHEIRA DO EVANGELHO

Em pesquisa às várias passagens nas quais Maria se fez serva do Cristo, contribuindo para a materialização do evangelho na Terra, percebemos que a maior quantidade delas refere-se às questões acima abordadas: recebimento do anúncio do anjo Gabriel, gravidez, parto, viagens e demais questões atinentes a estes processos.

Jorge Damas ao escrever sua obra que trata de Maria, elegeu para o seu vigésimo quinto capítulo o título de “DEZOITO ANOS DE SILÊNCIO”. Referia-se ele ao período de doze anos até os trinta aniversários do Cristo.

“LUCAS: 2-52
“E Jesus progredia em sabedoria, maturidade e em benevolência diante de Deus e dos homens”.

O Evangelho só registra esta frase sobre os misteriosos e intrigantes dezoito anos de silêncio sobre Jesus e seus pais.” (Jorge Damas, Regina, Cap. 25, pág. 229).

Antes disso, a última aparição reveladora do Nazareno foi a descrita em Lucas: 2: 41-51. Nesta passagem o menino Jesus, então com 12 anos, por ocasião da festa da Páscoa, some de seus pais por 3 dias. Ao procurarem por ele o encontram em Jerusalém no Templo, dialogando com os doutores da lei. Daí surge a célebre resposta do Cristo: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar no que é de meu Pai?"

A partir daí é que decorrem os dezoito anos de silêncio. Neste ponto já constatamos pela consulta ao evangelho que Jesus antecipava, em pequenos eventos, o que seria mais tarde toda a gama de ensinamentos e exemplos por ele realizados. Mesmo na sua infância este sinais apareciam, exatamente porque tinha ele reações como a acima transcrita que não eram experimentadas pelas outras crianças.

Daqui em diante a participação de Maria transforma-se. No início da vida de Jesus eram principalmente nela, mas também em José, concentrados todos os fenômenos descritos no evangelho. Mas quando Jesus inicia sua vida pública o foco dos acontecimentos dirige-se para ele. Nas pregações, na convivência com o público, nas viagens, no templo, no contato com os apóstolos, a presença marcante e mais registrada nas passagens evangélicas é a de Jesus. Maria aparece neste contexto mais como seguidora do Cristo do que como mãe.

No relato de Marcos 3: 31-35, Jesus nitidamente demonstra que seu objetivo maior era evangelizar.

“Chegaram sua mãe e seus irmãos; e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. E muita gente estava sentada ao redor dele e disseram-lhe: “Olha, tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. Ele perguntou-lhes dizendo: “quem é minha mãe ou meus irmãos? E olhando para os que estavam sentados em roda, disse: “eis minha mãe e meus irmãos; pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Teria sua missão acabado? Seria sua tarefa circunscrita à geração e cuidados na infância do Nazareno? O Espírito Áureo, na obra “Universo e Vida” nos esclarece. Já citamos acima este trecho, mas de tão importante, nos socorremos novamente dele.

Coube a ela fornecer ao Mestre a base ectoplasmática necessária à sua tangibilização, servindo ainda de ponto de referência e de equilíbrio de todos os processos espirituais, eletromagnéticos e quimiofísicos que possibilitaram, neste orbe, a Presença Crística". (Áureo, Universo e Vida, Cap. 7, pág. 116). (Grifos nossos).

Os termos são claros. Dependeu de Maria a Presença do Nazareno. Estar presente não pode significar apenas nascer, mas refere-se à toda a sua existência. E estes processos espirituais, eletromagnéticos e quimiofísicos não se deram apenas na gravidez ou no parto de Maria, sucederam-se também em outras ocasiões. Roustaing nos demonstra:

“Já conheceis bastante, de modo geral, os efeitos magnéticos, para compreenderdes a perfeita naturalidade desse fato que foi considerado um “milagre”. Não ignorais que Jesus dispunha de grande poder sobre os fluidos. Pois bem, o que houve ali foi o resultado de uma ação magnética exercida por ele. A água não se transformou em vinho, como o supôs e espalhou o vulgo ignorante das causas do fenômeno produzido. Por efeito daquela ação magnética, a água tomou, para o paladar dos convivas, o sabor do vinho, o sabor que Jesus lhe impôs”. (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo IV, pág. 154).

Jesus utilizava-se destes recursos em diversas oportunidades. A mente ainda bem atrasada de seu público exigia a existência destes “milagres” para facilitar a crença. O equilíbrio destes fenômenos dependia também de Maria, nos dizeres de Áureo. Jesus encontrava guarida na pura vibração de sua mãe para estabilizar estas reações. Todos os apontamentos já levantados neste trabalho indicam esta direção. Primeiro Maria era o espírito de mais elevada condição espiritual dentre todos que receberam a missão de colaborar com o Cristo. Segundo, Jesus não manipulava estes fenômenos sozinho, dependia principalmente da energia sublime de sua mãe para concretizá-los. E por último, perceba-se que eventos desta natureza estão presentes em todo o evangelho. Cura de leprosos, cegos que voltam a ver, loucos que são curados e a própria ressurreição do Cristo.

Por todos estes elementos podemos concluir que a participação de Maria, a despeito de em muitas oportunidades se manter em segundo plano, foi decisiva para a materialização do Evangelho na Terra. Nem mesmo nos momentos de contemplação deixou de contribuir positivamente com todos os ensinamentos do Cristo. A mente humana, ainda arraigada na matéria, comporta-se descrente ante as poderosas afirmações do amor.

E Maria trabalhou neste campo, fornecia sua beleza espiritual como banquete de bênçãos ao mundo. Não precisava estar falando ou fazendo a todo o tempo. Bastava se colocar em estado de obediência, aceitando tudo o que Deus dela queria, para que se manifestasse na Terra o verdadeiro Poder do Criador. E Ele criou através de Maria. Trouxe aos homens o maior exemplo de amor verdadeiro que se pode demonstrar. Ainda hoje estamos bem distantes de compreender toda a extensão da aparição da Rainha dos Anjos entre nós. Mas é com Roustaing que concluímos que o tempo se encarrega de ir revelando o que ainda ignoramos. O homem vibra com aquilo que está mais acostumado, com o que está cheio o seu mundo íntimo, e estamos vazios do amor de Maria. Em êxtase com tantas conquistas materiais, surpreendidos pela revolução tecnológica, nos agitamos inconscientes pelo mundo, carentes de Deus em nossas vidas. O exemplo dela nos servirá como primeiro modelo de amor, visto que mesmo ante do Cristo iniciar sua missão terrena, Maria já se entregava aos testemunhos e às dores por nos amar sem pedido de recompensa.

DESENLACE DE MARIA

Após a crucificação, Maria separou-se dos discípulos que dissiparam-se pelo mundo na divulgação da Boa Nova. A Ave de Luz terminou seus dias em Éfeso, na companhia de João Evangelista, atendendo no santuário doméstico àqueles que lhe procuravam. Sua vida era repleta de lembranças agradáveis e gestos nobres de extrema devoção.

"Para aquela mãe amorosa cuja alma digna observava que o vinho generoso de Caná se transformara no vinagre do martírio, o tempo assinalava sempre uma saudade maior no mundo e uma esperança cada vez mais elevada no céu. Sua vida era uma devoção incessante ao rosário imenso da saudade, às lembranças mais queridas. Tudo que o passado feliz edificara em seu mundo interior revivia na tela de suas lembranças, com minúcias somente conhecidas do amor, e lhe alimentavam a seiva da vida". (Humberto de Campos, Boa Nova, Cap. 30, p. 199).

Maria se fizera referência a quantos desejassem acolhimento e amparo. Transformou-se em verdadeira mãe de todos. Era procurada frequentemente, ao final de sua vida para acalentar os sofredores, e por sua vibração de amor passou a representar verdadeiro símbolo de mãe. Não sem razão, sua casa era conhecida como “Casa da Santíssima”.

Certo dia, estando em sua casinha simples, percebeu que um pedinte se aproximava. O fato parecia ser corriqueiro, pois que frequentemente ela era procurada pelos sofredores do mundo. Recebeu o mendigo com carinho, mas começou a notar nele vibração diferente dos demais que a procuravam.

“Maria sentiu-se empolgada por tocante surpresa. Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores secretas da alma saudosa, com bálsamos tão dulçorosos? Nenhum lhe surgira até então para dar; era sempre para pedir alguma coisa. No entanto, aquele viandante desconhecido lhe derramava no íntimo as mais santas consolações”. (Humberto de Campos, Boa Nova, Cap. 30, pág. 204).

A situação a deixara emocionada. Não entendia o que estava acontecendo, mas sentia uma vibração diferente, algo doce que lhe trazia à alma sensação de leveza e paz.

“Foi quando o hóspede anônimo lhe estendeu as mãos generosas e lhe falou com profundo acento de amor: “Minha mãe, vem aos meus braços!” (Humberto de Campos, Boa Nova, Cap. 30, pág. 205).

E Jesus acrescenta.

"Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos" (Humberto de Campos, Boa Nova, Cap. 30, p. 205).

A partir deste evento, da aparição de seu Filho amado, oportunidade de reencontro que ela tanto desejava e havia pedido, Maria em pouco tempo desencarna e é conduzida ao plano espiritual. Despede-se daqueles que a adotaram como mãe, sofredores da época, passeia pela Galiléia e revive os quadros evangélicos. Completa sua missão e retorna aos planos espirituais evoluídos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Maria sofreu com os sofrimentos de Jesus. Contudo, jamais se rebelou com os homens. Em tempo algum deixou de perdoá-los e compreendê-los em seus sacrifícios, simplesmente soube amar.

"Quando, ó Virgem Mãe, a humanidade puder compreender quem foi Maria, não mais verás, é certo, as multidões enchendo os templos, em busca das fórmulas rituais, que nada valem; terás, porém, em cada coração de crente, um tabernáculo, onde, cheio de fé, o espírito se levante, para dizer - abençoado para todo o sempre seja o sagrado nome de Maria!". (Bittencourt Sampaio, Do calvário ao Apocalipse, Cap. 1, pág. 8).

Dia chegará na Terra que sua passagem por aqui será melhor compreendida. Enquanto isso nos esforcemos para abrir nossas mentes para as poderosas manifestações do amor. Abdiquemos ao menos um pouco de nossos interesses materialistas para adentrar nessa imensa história de devoção. Compreendamos o imenso trabalho desempenhado por Maria. Busquemos nas fontes sérias os relatos de suas ações, a sua origem espiritual, sua obra na Terra, e principalmente seu estado de aceitação dos desígnios de Deus. Seu exemplo poderá, agora ou nos caminhos do futuro, despertar em nós a consciência de viver em obediência a Deus.

BIBLIOGRAFIA

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