O Cristo Cósmico

"Algo nos fala à consciência, de uma vida maior, que inspira sentimentos mais elevados e mais belos. Ingente foi o trabalho no curso longo e multissecular, mas o Deus justo respondeu aos angustiados dos apelos do coração, enviando-nos seu Filho bem-amado – O Cristo Jesus!". (Emmanuel, Paulo e Estevão, Primeira Parte, Cap. VI, p. 111)

É com imensa alegria que escrevemos as primeiras linhas dessa importante matriz de nosso portal e não seria nossa pretensão concluir em tão ligeiras palavras, nem tampouco dimensionar os efeitos do pensamento, da mensagem, da natureza e do Ser Crístico, contudo, iniciamos, apenas iniciamos, a longa jornada de busca dessa Força que aguça profunda e sutilmente nossa natureza espiritual e Divina.

O Cristo Jesus é num só tempo, o futuro biológico do tipo humano, como também é uma realidade intrínseca e latente em cada indivíduo, pois, quanto mais buscamos o Cristo Jesus, mais despertamos o Cristo interno que vibra como sol interior em nosso espírito, eis por que aspiramos ao dia em que poderemos, pelas vias de nossa experiência pessoal, concluir: "não sou eu quem vive em mim e sim o CRISTO" (Gl 2 : 20), tal qual Paulo, o convertido, num momento de pura graça.

A imagem crística guardada em nosso universo interior é CÓSMICA, coletiva, pois reflete o degrau ascensional para o qual todos nos projetamos, e o modelo psíquico que cada um de nós deverá experimentar. Jesus vivenciou desde sua materialização até o fenômeno da crucificação e ressurreição, a integração da psique, fazendo-se símbolo arquetípico da redenção da humanidade.
Foi com esse entendimento que o psiquiatra de alma nobre Carl Gustav Jung, comparando o Cristo com o arquétipo da totalidade ou self, ressaltou intuitivo: "Aquilo que acorre na vida de Cristo ocorre em todos os momentos e locais. No arquétipo cristão, todas as vidas dessa espécie estão prefiguradas". (Carl G. Jung, Psicologia e Religião)

Jesus Cristo é o alfa e o ômega da busca interior, a lembrança mais sentida, a ausência mais percebida, o divino impulso que carregamos, por outro lado, desperta em nós a consciência de quão frágil somos, porque representamos simbolicamente Nicodemos e seu condicionamento (Jo 3 : 1-40), a adúltera e sua multidão de pecados (Jo 8:7), Marta (Lc 10:40), Pilatos (Mt. 27:24), os vendilhões no templo(Mt. 21:12), o jovem rico (Mt. 19:16), confusos na escolha pelo mundo, o povo imaturo e entorpecido, a falange que preferiu Barrabás (Mt. 27:17) e com isso estagnamo-nos, esperando que sejam despertos em nós, com a evolução de nossa consciência: a mulher da fonte, Zaqueu e sua fascinante busca e transformação, para sermos curados como a mulher homorroíza (Mt. 9:20), abençoados como as criancinhas (Mt. 19:14), salvos como o bom ladrão (Lc. 23:43) e para, afinal, repetir a estrela Maria (Lc. 1:30) e permitir que do nosso psiquismo possa vir à luz um Cristo de Deus nascido de nós, um Cristo nascido em nós.

"E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade" (João 1:14)

A NATUREZA CRÍSTICA

Cristo, não representa apenas o messias religioso, transcende essa figura e representa na terra a Comunidade de Espíritos puros, engenheiros universais, tendo presidido, sob o desígnio de Deus, com as suas legiões de divinos trabalhadores, a arquitetura da vida na terra "operou a escultura geológica do orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o seu coração haveria de expandir-se". (Emmanuel, A Caminho da Luz, Cap. I, p. 21)

Sabe-se, que o orbe planetário preparou-se para receber a visita de Jesus, visto que grande limpeza psíquica e vibracional fazia-se urgente, bem como era necessário um impulso no campo social, político e moral da humanidade, para que pudéssemos iniciar a compreensão das lições que receberíamos com Sua vinda, desse modo, para que pudesse ocorrer a materialização do Cristo Jesus, nas vésperas da maioridade terrestre, foram necessários "(...) nos cinco séculos anteriores à vinda do Cordeiro, uma aglomeração de inúmeras escolas políticas, religiosas e filosóficas dos mais diversos matizes, em todos os ambientes do mundo". (Emmanuel, A Caminho da Luz, Cap.X, p. 90)

Ainda assim, não teria sido possível a materialização de Jesus na terra se não fosse a presença celestial de Maria, a estrela do amor e da bondade, destinada a superintender em nosso planeta, segundo o espírito Áureo, as benevolências do amor, na condição de advogada da Humanidade.

Maria, espírito de pouquíssima ligação com a matéria densa que chamamos de carne e de imensa superioridade evolutiva, em missão de singularíssima grandeza, foi verdadeiro eixo de sustentação espiritual, eletromagnética e quimiofísica da tangibilização crística na crosta planetária, na condição medianeira celestial entre o plano físico e Jesus, espírito cuja grandeza espiritual e abnegação voluntária pela causa do Cristo tornou-a a Grande Mãe e Protetora da Humanidade.

Acerca da natureza espiritual do Cristo, cuja categoria resplandecente habita o Sol, cumpre esclarecer que pouco nos foi permitido conhecer, sabe-se, entretanto, que são considerados Crísticos, espíritos cuja missão de amor e sabedoria tem por finalidade conduzir orbes, proteger, ensinar e sustentar humanidades inteiras, e neste sentido o espírito Áureo esclarece "O Cristo-Jesus, Senhor da Verdade e da Inteireza, foi o único Espírito absolutamente completo, com todas as faculdades plenamente desenvolvidas e em perfeito funcionamento, que se materializou totalmente na Terra (...)" (Áureo, Universo e Vida, Cap.VII , p. 116), e noutro ponto revela:

"No seio excelso do Criador Incriado, nos cimos da evolução pontificam os Cristos Divinos, os Devas Arcangélicos, cuja sublime glória e soberano poder superam tudo quanto de magnificente e formidável possa imaginar, por enquanto, a mente humana". (Áureo, Universo e Vida, Cap. VII, p. 110)

E adiante afirma:

"(...) sob a inspiração do Grande Arquiteto do Universo, presidem, no infinito, à construção, ao desenvolvimento e à desintegração dos orbes, fixando-lhes as rotas, as leis fisioquímicas e biomatemáticas e gerindo seus destinos e os de seus habitantes". (Áureo, Universo e Vida, Cap.VII , p. 110)

Com isso, podemos compreender e perceber a singularidade da personalidade de Jesus, espírito de grandeza inestimável que, num ato de amor sacrificial, veio a ter conosco na terra, ensinar-nos o amor que há muito escolhemos esquecer.

Desse modo, dada a divina genealogia de Jesus, percebemos que a trajetória do Cristo na terra foi de majestosa beleza, contudo, a manifestação crística, naquilo que denominamos natividade, encerra capitulo especial, marcado pela visita dos anjos alvíssimos enviados das mais altas plagas celestiais a celebrar o advento do amor na terra, a chegada do admirável menino, o menino Jesus.

"A manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes. Começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações". (Emmanuel, A Caminho da Luz, Cap. XII, p. 105)

A materialização de Jesus na terra confirmava as profecias de Israel, demonstrava que seu surgimento marcava a renovação do entendimento e a maturidade da humanidade sofrida, que intuitivamente aguardava a chegada do Messias Salvador.

A ressurreição apagou para sempre a dúvida da continuidade da vida após o desterro do corpo físico, e em sentido profundo, universal e evolutivo, marcou o retorno do Cristo-Jesus ao Sistema Divino, por isso, não deve ter sido, por outro motivo que se viu ao redor do madeiro infame, porém redentor, a legião de anjos que receberam Jesus aos transpor os umbrais humanos rumo ao seio de Deus, assim narrou-nos Emmanuel no livro - Há dois mil anos – referindo-se à visão de Lívia que, em transe, pôde perceber nos momentos da crucificação de Jesus:

"Extasiada, observou, na retina espiritual, que a grande cruz do Calvário estava cercada de luzes numerosas. (...) naquele momento, Lívia notara que se havia rasgado um longo caminho entre o Céu e a Terra, por onde desciam ao Gólgota legiões de seres graciosos e alados. Concentrando-se, aos milhares, ao redor do madeiro, pareciam transformar a cruz do Mestre em fonte de claridades perenes e radiosas". (Emmanuel, Há 2000 anos, Cap. IX, p. 161)

Diante da beleza e das verdades que encerram as palavras de Emmanuel, concluímos que Jesus Cristo, não foi um homem iluminado que transcendeu a própria experiência humana e a partir disso, se tornou um modelo universal. Não! Cristo é a verdade manifesta, o caminho ascensional de retorno ao seio de Deus, é a imagem e semelhança do próprio Pai, a forma de vida plenal, e mais que isso, é da categoria de espíritos puros, mais alto grau evolutivo que na terra temos conhecimento, razão por que é modelo perfeito anunciado pelo espiritismo na pergunta 625 de o livro dos Espíritos.

A TANGIBILIZAÇÃO DO CORPO DO CRISTO

Da trajetória crística, talvez sua tangibilização seja o ponto de maior confusão e discussões, mas, seriamente embalados pelas pesquisas já realizadas em torno de Jesus e sua excelsa natureza, concordamos com o entendimento de que os CRISTOS podem ir de um extremo a outro dos universos, podem manifestar-se visivelmente por imenso sacrifico de amor e atuar donde ordene a Vontade Todo-Poderosa, podendo com isso, tangibilizar-se, mas, não encarnar, posto que à emanação pura e crística não pode ligar-se à matéria densa que envergamos, espécie de energia primitiva e prensada que se lhe tornou incompatível, impossibilitando a ligação biológica, posto que a matéria desintegrar-se-ia, caso sofresse contato direto com uma emanação Crística, por mais abrandada que fosse.

Para fazer-nos compreender a impossibilidade da encarnação de Jesus, basta que racionalizemos que, uma vez atingida a razão, não pode o homem, ser inteligente, envergar um corpo irracional. De igual sentir, um Cristo, dado a distância evolutiva que de nós se encontra, não poderia vestir-se num corpo humano, por completa impossibilidade biológica, isso porque "A distância evolucionária que separa um orangotango de um homem terrestre é bem menor que aquela que medeia entre um ser humano terrestre e um Cristo Divino". (Áureo, Universo e Vida, Cap. VII, p. 111)

Nesse aspecto, a teoria apresentada no livro de Roustaing (1999), incompreendida por falta de análises sérias e sem pré-conceitos, parece-nos bastante esclarecedora quando conclui pela impossibilidade da encarnação de um Cristo num corpo de carne.

Pois bem, tomando-se por verdade, as teorias recebidas intuitivamente pelo professor Pietro Ubaldi em sua obra, no sentido de que a evolução é um constante devenir de forças, ou seja, o "vir-a-ser" do Espírito que, invertendo-se, tornou-se energia e posteriormente transmutou-se em matéria densa, na conhecida queda dos anjos, ou descida involutiva.

Bem como, tendo por princípio que, esta mesma matéria, impulsionada pela evolução determinística tende a desmaterializar-se, ascendendo em energia e transcendendo em Espírito, na subida evolutiva, não parece coerente contestar a materialização do Cristo, ao invés de sua encarnação.

Isso porque, dada a condição de integração psíquica em que o Cristo se encontrava com o Pai, tinha pleno conhecimento da substância matriz que forma a matéria, o fluido cósmico universal ou hálito divino, assim, entendemos que não exagera Roustaing quando afirma:

"Somente o espírito puro, não mais sujeito a encarnação em qualquer planeta que seja, por já haver atingido a perfeição sideral, dispõe de todos os fluidos , como possuidor que é de uma ciência completa, goza de inteira liberdade e independência e tem consciência exata de sua origem, seja qual for o perispírito ou corpo fluídico que tome e assimile às regiões que percorra". (J.B. Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Vol. I, p. 160)

Disso decorre que a natureza Celestial de Jesus permitia que, por ato de sua vontade, pudesse atrair os fluidos ambientes necessários a constituir a sua organização física e dessa maneira materializá-lo para se tornar visto e palpável aos olhos dos homens. Contudo, na antemão desse raciocínio, estão os que negam a materialização do Cristo, negando-se a crer naquilo que não fazem esforço em compreender.

Isso porque não seria o próprio perispírito do homem desencarnado de natureza fluídica, diferenciado na matéria densa? Acaso não é o próprio espírito que, determinando a escolha de suas provas, seus descendentes e ascendentes, bem como o ambiente em que viverá, preside a formação de sua constituição orgânica temporária, na condição de co-criador em plano menor? Por que tamanha dificuldade em aceitar que o próprio Cristo tenha manipulado os elementos que formaram a veste fluídica que envergou enquanto esteve visível sobre a terra?

Em o Livro dos Espíritos (Allan Kardec, perg. 94), temos o esclarecimento de que o perispírito é formado a partir do fluido cósmico existente em cada globo, bem assim, ensina (Allan Kardec, perg.94) que os espíritos que habitam os mundos superiores vêm entre nós, tomando para si um perispírito mais grosseiro do que a energia que desfrutam pela necessidade de se revestirem de nossa matéria.

Guardadas as devidas e já ressaltadas proporções, concluímos que: se pode, pois, o homem, apenas recém desembarcado na margem do livre arbítrio manipular as formas perispirituais, presidindo sua formação orgânica, tanto mais não poderia o Cristo Arquiteto e Governador do planeta, regente de toda vida na terra materializar-se em roupagem fluídica e luminosa?

Tendo por base Kardec, em nada parece incongruente, ou, irrealista o texto grafado por Roustaing, visto que, assinala a materialização do Cristo-Jesus na terra, ação natural e previsível dado o grau hierárquico que traduz a natureza crística.

Colaborando com este entendimento ressaltamos que no mesmo Livro dos Espíritos (Allan Kardec p.112) parece igualmente, chamar-nos a atenção para a realidade da evolução biológica a que estamos suscetíveis, quando descreve que a categoria dos espíritos puros (condição de Jesus), não sofre influência nenhuma da matéria.

Concordamos que o nobre rabi da Galiléia era de fato, um agênere, aqui entendido como "(...) criaturas fisiologicamente não geradas como o normal dos encarnados. Noutras palavras seres que se mostram materializados aos olhos humanos, às vezes por longos períodos, que são sempre interrompidos, necessariamente, por variáveis interregno de tempo". (Áureo, Universo e Vida, Cap VII , p. 115)

O próprio Cristo-Jesus foi assente ao explicar sobre a possibilidade de materializar-se: "Deixo a vida para a retomar; ninguém me tira, sou eu que por mim mesmo a deixo; tenho o poder de a deixar e de a retomar". (João 10 :18 )

Portanto, não resta dúvida, que "(...) Jesus, pois, constituiu ele próprio, pela ação de sua vontade, o perispírito tangível quase material" (J.B. Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Vol.I, p. 161), e tendo em vista, o planeta que habitamos, tomou para si, temporariamente, um corpo relativamente semelhante ao nosso.

Diante disso, concluímos que, infelizmente, o entendimento acerca da natureza fluídica do Corpo do Cristo, fica em segundo plano quando se tenta desacreditar a condição medianímica ou mesmo moral do nobre J. B. Roustaing, perdendo-se grandes oportunidades investigativas que engrandeceriam a esclarecedora doutrina dos espíritos e amadureceria os espíritas.

A DESCIDA DO CRISTO-JESUS À TERRA

Por meio das elucidações do espírito Áureo ( Universo e Vida, Cap. VII , pag. 111), temos a narrativa esclarecedora do sofrimento verdadeiramente sobre-humano a que se expôs o Cristo para envergar na terra o corpo semi-material, tal qual estrela candente a apagar-se dolorosa e paulatinamente, escondendo sua particular luminosidade para que não fôssemos por ela feridos.

Assim, o processo de tangibilização custou longuíssimo tempo na contagem humana, sendo que, o primeiro passo da jornada delicada, custou-lhe a transferência do centro solar donde habitam os seres daquela estirpe para a fotosfera onde tornou-se possível o mergulho na matéria, através do revestimento consciente de seu puro espírito com um tecido energético de fótons.

Posteriormente, em processo consciente de materialização, imergiu-se no bojo do planeta Terra, para transformar seu manto fotônico em átomos ionizados, revestindo finalmente, o corpo iônico em tenuíssima túnica molecular, estruturada basicamente por ectoplasma agregado a células de origem vegetal, emanadas dos vinhedos e trigais. Comprovando o entendimento esposado no livro Universo e Vida, e por nós compartilhado, temos como referência o próprio Jesus, que Mateus (26:26) descreve que, tomando o pão na santa ceia, abençoando e servindo aos seus discípulos, declarou resoluto: Tomai, comei, isto é o meu corpo.

Por outro lado, urge considerar que o fenômeno da descida do Cristo a crosta terrestre foi marcado por grandes processos de dor, isso porque a evolução lhe permitira condição de sensibilidade apuradíssima, com isso a descida luminosa, fê-lo sofrer imensuravelmente a dor do arcanjo, que nós outros por hora, sequer conseguiríamos dimensionar.

UMA NOVA VISÃO DO CRISTO

"Todos devemos fazer o que o Cristo fez. Devemos fazer o nosso experimento. Devemos viver até o fim a nossa visão de vida. E haverá erros. Se evitam erros não se vive". (Jung, Psicologia e Religião, p. 103)

Jesus de Nazaré representa tanto força interior, como manifestação do Amor de Deus pelos filhos pródigos que nos tornamos. Cristo é o responsável celestial por todas as almas que estão ligadas à mãe terra, tendo recebido tal missão quando a terra foi se desligando, do gigante solar, resfriando-se durante milhões de anos, tornando possível o surgimento da vida. Foi o Cristo-Jesus que presidiu magistralmente a formação e a evolução do seres, sendo o preposto Divino em nosso processo evolutivo.

Esse mesmo Cristo é a figura central do nosso processo evolutivo, representa uma busca interna, é manifestação inequívoca daquilo que Jung chamou de Self, representando a simbologia perfeita do processo de crescimento da personalidade humana.

Representa, como na visão de Ubaldi, o tipo evolutivo do futuro, a antecipação biológica do homem angélico e obediente à Lei de Deus, "(...) um Cristo orientador da dinâmica da vida, operando junto de nós no imenso esforço criador da era moderna, potencializando-o com seus imensos valores espirituais". (Pietro Ubaldi, A Descida dos Ideais, Cap.IV, p. 95)

Daí, podemos compreender que somos irmãos, viemos da mesma substância que nele tornou-se resplandecente e que, por este motivo, atrai aquilo que somos em espírito e verdade, que jaz latente, mas que há de se tornar luz, "Vós sois o corpo de Cristo, e, individualmente, membros desse corpo". (1Cor. 12:27)

Jesus Cristo surge como a personificação do modelo universal, primordial ou arquetípico da redenção da humanidade, muito além da visão religiosa, pois, vivendo sua tangibilização, messianato, via crucis e ressurreição demonstrou ao homem a jornada de nascimento da psicologia do homem do futuro.

O professor Pietro Ubaldi, no último livro de sua vasta obra, intitulado "Cristo", ensina que a grande idéia deixada pelo Cristo, foi que a superação da vida terrena, da consciência mediana em busca de uma visão superconsciente de si, do mundo e de Deus, é o caminho da evolução, do crescimento e da redenção humana.

Alerta-nos o pensador italiano, que o Cristo deve surgir em nós como uma possibilidade de compreender que nosso retorno à Casa do Pai, deve ser visto como um caminho a ser trilhado a partir do próprio esforço evolutivo, e não a partir do sacrifício de um ser em prol de todos os outros pecadores, ainda que arrependidos:

"(...) podemos afirmar que é injusto, isto é, anti-Lei e anti-Deus, que um inocente pague por culpas dos outros, enquanto é justo, conforme a Lei de Deus, que cada um pague as suas próprias culpas. E é ainda mais injusto que tais culpados se aproveitem da bondade daquele inocente para fazer dele, perante a divina justiça, um bode expiatório, eximindo-se do pagamento que os espera. Esta não poderia ser senão uma moral invertida, produto do AS de tipo anti-Deus. Ela perante a moral do S, isto é, perante Deus, é um emborcamento e uma culpa". (Pietro Ubaldi, Cristo, Cap. III, p. 38)

Assim, podemos compreender que, de fato, cada um deve viver segundo as próprias obras, posto que o Cristo, fazendo-se humano e superando a nossa realidade biológica, nos mostrou o caminho a seguir, conduziu-nos à verdade, mostrou-nos a possibilidade de uma outra vida, "Cristo nos ensina que estamos percorrendo uma grande estrada e que a salvação está no avançar. A redenção consiste na evolução, isto é, a transformação da nossa natureza de tipo AS na de tipo S". (Pietro Ubaldi, Cristo, Cap. IV, p. 48)

Desse modo, a visão de um Cristo salvador, merece a interpretação de possibilidade pessoal de crescimento e propósito, pois que não nos parece salutar nos termos da Lei que seja sacrificado em nosso nome um ser puro, que arcará por nós pela consequência de nossos próprios atos.

"Assim concebido, o Cristo se nos apresenta como algo bem mais imitável por ter percorrido a nossa mesma estrada. Ele não representa um caso isolado, imensamente distante do nosso. Não se poderia propor como exemplo quem não fosse semelhante e se apresentasse em condições totalmente diferentes". (Pietro Ubaldi, Cristo, Cap. IV , p. 48)

Temos de compreender a distinção que deve ser feita entre a figura mitológica que o cristo representa para cada um de nós, e a ascese mística experimentada por Ele, que na terra lutou com todo esforço para reintegrar-se ao Sistema na mente alvíssima de Deus Criador, sublimando-se.

Assim, a paixão de Cristo não é um fato fora da Lei, pois constitui para Ele a última fase conclusiva de um normal e longo processo de maturação evolutiva, processo este, em que cada um de nós deve matricular-se, vez que o Cristo nos garantiu ser o caminho, a verdade e a vida, mas não nos garantiu que faria por nós a caminhada.

Jesus deve ser vivenciado, experimentado por nós, não fatigadamente imitado por meio de atos exteriores, vez que cada um deve sofrer o esforço pessoal de sua ascese mística, cada um de nós deve sacrificar a mente egóica, deixando nascer na manjedoura de nossa consciência, uma força nova, crística, que transformará nosso reino interior, projetando-nos para as escolhas certas a serem feitas com o entendimento da Lei, levando-nos e à ressurreição numa nova consciência e forma de vida.

O pensamento ubaldiano, por ressonância, ou, por acesso noúrico, alcançou o pensamento do Cristo Universal sentido por Pierre Teilhard de Chardin, padre jesuíta, teólogo, filósofo e palentólogo francês que buscou construir uma visão integradora entre ciência e teologia, defendendo que a idéia de que o Cristo não está contra a ciência, ao contrário, propõe que o pensamento cristão se desenvolva em bases científicas, para que possa alcançar, dentro da mente humana, dimensões vastíssimas, vez que hoje, encontramo-nos aptos a concebê-Lo, "(...) dinâmico, universal, unitário, síntese suprema de fé, de pensamento, de vida". (Pietro Ubaldi, A Descida dos Ideais, Cap. IV, p. 95)

É essa nova visão do Cristo, que transcende o pensamento humano, que vai além do Cristo histórico, religioso e que propõe o Cristo como "eixo espiritual do mundo", que vamos estudar nesta matriz de nosso portal, cientes de que Sua Voz há de ser ouvida onde existe pensamento humano, em evolução nos planos da vida terrena.

O CRISTO CÓSMICO

"(...) falou-lhes, pois, Jesus, outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida". (João 8:12)

Jesus de Nazaré, o Cristo materializado, ainda representa grandioso mistério, e a consciência humana encontra-se bastante aquém de compreender aquilo que Ele realmente é. Neste sentido, temos que, o Cristo é sempre uma descoberta para o futuro, posto que se nos revela à consciência, a cada passo de nossa escalada evolutiva, o Cristo é para nós maior do que foi ontem e menor do que será amanhã. Façamos, portanto, o esforço para entender que o "Cristo é – além do passado e do futuro. Não surge e não desaparece, não nasce e não morre". (Pietro Ubaldi, Ascese Mística, Cap.IX , p. 146)

Quanto a nós, quanto mais ascendemos na descoberta do manancial espiritual que existe em nosso mundo interior inconsciente, tanto mais adquirimos consciência do verdadeiro Cristo "(...) é uma realidade e uma sensação imensa que repele imagens. É um infinito que se conquista por sucessivas aproximações". (Pietro Ubaldi, Ascesse Mística, Cap. IX, p.145 )

O CRISTO CÓSMICO de que falamos, somente poderá ser alcançado pelo fenômeno intuitivo, onde Cristo se nos revela por meio de inspiração, consequência natural do esforço do espírito que conforme evolui, acerca-se dos vários planos de conhecimento que representam conhecimento do próprio Cristo. "Assim, a consciência alcança e toca, progressivamente, um Cristo sempre mais interior, penetrando Sua profundidade; um Cristo sempre mais real e imaterial (...)". (Pietro Ubaldi, Ascese Mística, Cap. IX, p.145 )

Tal fato nos ensina que vamos alcançando Cristo, à medida que promovemos a nossa ascese pessoal, vez que Dele nos avizinhamos, em primeiro momento, pelos sentidos, quando descobrimos e admiramos o Cristo histórico, depois o Cristo vibra em nossa mente como Cristo-Cósmico ou Lei Divina, princípio de organização que rege o mundo, a que nos submetemos por impulso interior e irresistível, para somente então, captá-lo, sentindo-o no imo do nosso coração.

Neste diapasão, quanto menos nos assenhoreamos do mundo íntimo dos nossos sentimentos, tanto mais estamos distantes dessa força, dessa harmoniosa vibração que somente pode nos alcançar pelo reino do espírito, o qual chamamos Cristo Cósmico: "Ele é uma vibração. Sua morada está em nós – uma ressonância de pensamentos e de ações". (Pietro Ubaldi, Ascese Mística, Cap. XII , p. 161)

Assim, o Cristo a quem buscamos, deve ser sentido, acessado, conectado a partir de vivências em nosso mundo interior. Neste sentido, Cristo é a vibração mais pura do espírito de Deus em nós: "Só um Cristo assim, sentido com ritmo interior, pode ser um vínculo de almas, um princípio de fusão e de unificação no qual todos os filhos de Deus poderão reviver em divina unidade". (Pietro Ubaldi, Ascese Mística, Cap IX, p. 146)

Por esta razão, o intelecto, a sabedoria humana são meios ineficazes para compreender o Cristo, que deve ser alcançado por meio da busca do amor, posto que somente aos que se dispõem ao esforço do amor é concedida a consciência dessa sabedoria íntima e profunda, cuja elevação progressiva e constante realizará o reino dos céus dentro de nossas almas.

ÚLTIMAS LINHAS

Por meio deste estudo, buscaremos a visão síntese do Cristo, por isso chamado CRISTO CÓSMICO, um estudo que transcenda ao mito religioso, mostrando o Cristo como antecipação biológica do homem do futuro, como guia e modelo experimental de nossa ascensão rumo ao reino dos céus.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao pai senão por mim". (Jo 14 : 06)

Quando, pois, nos entregaremos a essa força redentora que vibra no interior de nossas almas, chamando-nos sem cessar ao seu regaço de luz, quantos de nós ainda preferem se perder pelas estradas destes e de outros mundos a ouvir a mensagem cristalina que nos levará aos braços do pai? Não seria o momento de sermos verdadeiros e sensíveis como o foi o iluminado bom ladrão que diante do Divino Mestre, reconheceu o que era de fato, mas ainda assim, abriu sua alma para estar no paraíso com o Deus, para repetir à feição de Estevão, o primeiro grande mártir do povo cristão "Nada no mundo me fará renunciar ao amor de Jesus Cristo". (Emmanuel, Paulo e Estevão, Cap. VIII, p. 150)

Diante desta ainda pálida visão do Cristo, busquemos questionar a semelhança de Pietro Ubaldi em seu CRISTO, quando interroga "Quem era o Cristo e o que Ele quis fazer? Quais eram os fins que se propunha a alcançar?". (Pietro Ubaldi, Cristo, Cap. III, p.35)

Eis o caminho que começaremos a palmilhar.

BIBLIOGRAFIA

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UBALDI, Pietro, tradução de Manuel Emygdio da Silva e Romano Galeffi. Ascese Mística. Campos, FUNDAPU: 1988.

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XAVIER, Francisco Cândido, pelo espírito Emmanuel. A Caminho da Luz. Rio de Janeiro, FEB: 2006.

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