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PSICANÁLISE, UMA VISÃO ATUAL
 

Sueli Maria de Oliveira

Compreender o homem em sua totalidade é uma tarefa complexa e necessita de desprendimento dos conceitos rígidos, confortáveis e de fácil aceitação. A visão do homem como tábua rasa é uma tentativa de tornar impenetrável sua essência, a verdadeira causa de suas alegrias e bem estar, seus sofrimentos físicos e psicológicos.

Não é possível compreender o ser, sem reconstruir toda a história da personalidade seguindo o processo de sua formação. O subconsciente é um armazenamento de todas as experiências vividas de forma individual e específica de cada ser, cuja somatória constitui sua sabedoria inata.

A nova psicanálise segundo P. Ubaldi, atualmente exercida em alguns de seus aspectos, por muitos profissionais da área, principalmente os que se dedicam à Psicologia Transpessoal, leva em conta as questões filosóficas e espirituais nos tratamentos das neuroses e psicoses, buscando um sistema filosófico mais completo e explicativo, orientado pelo funcionamento universal. Existe uma Lei maior que abrange e coordena todas as outras, há uma hierarquia entrelaçada dos fenômenos, assim também se dá com os conflitos, que só poderão ser solucionados em função do conhecimento das causas remotas, pessoais e coletivas, específicas e universais. A cura de uma dor só pode ocorrer se penetrarmos nela, conhecendo sua origem, entendendo-a como um longínquo fenômeno ético, religioso, biológico, evolutivo e social. O homem só pode ser curado se visto sob o ângulo de sua totalidade.

Desde Freud e seus seguidores Adler, Rank, Jung, Stekel, a psicanálise sofreu modificações importantes, revelando as facetas fundamentais da personalidade humana, num processo de complementabilidade. Destes, Jung, chegou a uma concepção mais ampla, referindo-se aos princípios gerais de uma lei superior: "muitas neuroses do homem moderno nascem de ofensas que o consciente gerou nos arquétipos. Então, estes reagem do inconsciente, perturbando o equilíbrio psíquico do indivíduo. Atinge-se a cura, ajudando o doente a individuar os símbolos do seu próprio subconsciente" (Jung, in O arquétipo é um uma presença eterna).

 A afirmação acima está de acordo com o pensamento de Pietro Ubaldi, a violação da Lei de Deus, desenvolvida no seu livro Queda e Salvação. Ubaldi afirma que a desobediência à Lei desencadeia uma reação, expressa como dor, que é vivenciada pelo transgressor. Ao empregar uma determinada intensidade de forças personais nas suas ações, contrárias aos princípios imutáveis da Lei de Deus (os arquétipos), receberá de volta com a mesma energia. Deste choque nascem as doenças nervosas e psicológicas, conseqüência do desequilíbrio que o individuo gerou dentro de si mesmo. A Lei imutável busca reconduzir o ser, que fez mau uso de sua liberdade, a retomar a ordem universal.

A Lei é amorosa, misericordiosa, porém justa e suas reações são inevitáveis. O ser passa de elemento ativo, no momento em que aplica o impulso de revolta contra a lei, para elemento passivo, quando essa força reage e retorna a sua origem, O ser sofre na maioria das vezes pela ignorância e desconhecimento das leis, não tendo como evitar as conseqüências de seus atos, que é a doença ou os desequilíbrios. Assim as neuroses e complexos se manifestam como automatismos, fora do controle da personalidade errante. O determinismo nada mais é do que o livre arbítrio já gasto. A semeadura nos é livre, mas a colheita obrigatória.

Para Jung o ser pode obter a cura mediante o autoconhecimento, percorrendo o caminho da individuação dos símbolos de seu inconsciente, podendo deduzir a partir das características dos impulsos atuais suas origens no passado, observando como ocorrem as manifestações do inconsciente.

O tratamento deve estar direcionado inicialmente para a investigação da causa da doença, sua raiz. O processo de cura se dá de dentro para fora, e é imprescindível conhecer a fonte do mal, corrigindo o impulso anti-Lei. O paciente deve ocupar uma postura ativa, consciente, caminhar com sua dor estudando-a, questionando-a, restabelecendo contato com a sua essência sagrada, a porção divina dentro de si mesmo, harmonizando-se com o todo num movimento a favor da Lei que representa o inicio da cura da doença desencadeada a partir da primeva revolta. 

Para Ubaldi, a psicanálise só é eficaz se exercida de forma completa, compreendendo o ser integralmente, baseando-se num sistema universal. A visão cósmica explica as finalidades reais da vida e de sua evolução. Chegou o momento em que o trabalho psicanalítico deve adentrar o subconsciente e o superconsciente, colher desses ricos e inesgotáveis mananciais conteúdos para as novas construções do eu.

 
 
 
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