A Aura

7) - A AURA

"O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo". 

(André Luiz, Nosso Lar, Capítulo 4, p. 32). 

O que é a aura? Qual a sua origem? Como ela funciona? Do que é constituída? Qual a sua finalidade e propriedades? Estas são algumas das inumeráveis questões que aparecem ao se estudar o complexo humano. Perguntas, que começam, e só começam, a ser respondidas pela revelação dos Espíritos e pelos esforços dos pesquisadores humanos, pioneiros da Era do Espírito.

Sem embargo, iniciamos com os apontamentos de Zalmino Zimmermann sobre o assunto:

"A aura humana, psicosfera ou fotosfera psíquica (termos criados pelo Espírito ANDRÉ LUIZ), ou fotosfera humana (expressão empregada por Léon DENIS), é um campo resultante de emanações de natureza eletromagnética, a envolver todo o ser humano, encarnado ou desencarnado. Reflete, não só sua realidade evolutiva, seu padrão psíquico, como sua situação emocional e o estado físico (se encarnado) do momento. Espelha, pois, o ser integral: alma - perispírito - duplo etérico - corpo. (No desencarnado, obviamente, é apenas o reflexo da alma e de seu perispírito). (Zalmino Zimmermann, Perispírito, Cap. VIII, p.189). (Itálicos do Autor).

Esta definição apesar de não adentrar nas minúcias da formação da aura, é fundamental para a compreensão do fenômeno, tendo em vista que define a aura de forma concisa, direta e simples. A Aura Humana é um conjunto de vibrações a se espelhar em um campo eletromagnético. Vibrações que vão do campo atômico até as irradiações mentais do Espírito. O ser esteja encarnado ou desencarnado, é envolvido por essa túnica. A diferença é que, para o encarnado, as vibrações dos corpos espirituais se somam as emanações do duplo etérico e as do corpo físico:

"Articulando, ao redor de si mesma, as radiações das sinergias funcionais das agregações celulares do campo físico ou do psicossomático, a alma encarnada ou desencarnada está envolvida na própria aura ou túnica de forças eletromagnéticas, em cuja tessitura circulam as irradiações que lhe são peculiares.

Evidenciam-se essas irradiações, de maneira condensada, até um ponto determinado de saturação, contendo as essências e imagens que lhe configuram os desejos no mundo íntimo, em processo espontâneo de auto-exteriorização, ponto esse do qual a sua onda mental se alonga adiante, atuando sobre todos os que com ela se afinem e recolhendo naturalmente a atuação de todos os que se lhe revelem simpáticos.

E, desse modo, estende a própria influência que, à feição do campo proposto por Einstein, diminui com a distância do fulcro consciencial emissor, tornando-se cada vez menor, mas a espraiar-se no Universo infinito". (André Luiz, Mecanismos da Mediunidade, Cap. X, p.83). (Negritos do original).

A aura reflete, dinamicamente e automaticamente, tudo o que o indivíduo pensa, sente e deseja. É por assim dizer, um verdadeiro espelho do mundo interior. As vibrações mento-emotivas são condensadas neste campo, até a um determinado ponto, quando se exteriorizam somando-se as correntes mentais, ao que o ser se afiniza, nutrindo e sendo nutrido pelos que lhe comungam a mesma faixa de preferências, desejos e aspirações. A aura evidencia as tendências e inclinações mais profundas e secretas do homem, trazendo à tona, até mesmo aquilo que ele não gostaria de admitir nem para si mesmo - "Nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se". (Mateus, 10:26):

"Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de um "halo energético" que lhes corresponde à natureza.

No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura.

Nas reentrâncias e ligações sutis dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que demanda". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Cap. XVII, p.129). (Os grifos são nossos).

As exibições, em primeira mão, das vibrações e imagens interiores é o que permite a influenciação obsessiva, seja no mundo físico, seja no extrafísico. As imagens são reforçadas, segundo os propósitos comuns, iniciando processo de interação recíproca, onde um circuito vivo de forças psíquicas passa a unir as consciências, em busca da realização de seus desejos em somação. O Bem é igualmente compartilhado segundo este mesmo princípio. Estas criações psíquicas, são visualizadas inicialmente como cores de matizes variados, como pontos ou configurações diversas de formas pensamentos, semelhantes aos mecanismos de formação e de transmissão de um aparelho de TV em cores:

"Aí temos, nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais, a aura humana, peculiar a cada indivíduo, interpenetrando-o, ao mesmo tempo em que parece emergir dele, à maneira de campo ovóide, não obstante a feição irregular em que se configura, valendo por espelho sensível em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e em que todas as idéias se evidenciam, plasmando telas vivas, quando perduram em vigor e semelhança, como no cinematógrafo comum.

Fotosfera psíquica, entretecida em elementos dinâmicos, atende à cromática variada, segundo a onda mental que emitimos, retratando-nos todos os pensamentos em cores e imagens que nos respondem aos objetivos e escolhas, enobrecedores ou deprimentes". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Cap. XVI, p.129).

Hermínio C. Miranda, citando Harry Boddington, resume e enumera algumas conclusões a que se pode chegar pelo estudo da aura:

"1) A aura é uma espécie de radiação luminosa que envolve o corpo humano, sendo constituída por inúmeras partículas de energia.

2) Essa radiação é singularmente sensível ao pensamento, ao qual responde com presteza.

3) A aura funciona como parte integrante da consciência.

4) Sua qualidade, aspecto, coloração, formato, varia segundo os temperamentos, o caráter e a saúde das pessoas.

5) Ela é "essencial a todas as manifestações psíquicas" e o meio através do qual operam os médiuns de cura, além de atuar como o próprio princípio ativo da cura". (Diversidade dos Carismas, Volume II, Cap. II, p.52).

A aura não é só parte integrante da consciência, como representa toda a história do ser em seu processo de involução e evolução. Suas camadas refletem o estágio evolutivo em que a personalidade se encontra e define até que ponto a consciência desceu em sua ânsia de anulação e perda da comunhão divina. Estamos longe de compreender, principalmente quando estamos encarnados, toda a complexidade que a nossa organização psíquico revela. Sua origem, desenvolvimento, características, emanações, propriedades, finalidades etc., estão ainda fora do horizonte do nosso entendimento maior. Arranhamos com suor, trabalho, hipóteses e sínteses, a superfície da montanha de estudos, revelações e conclusões que chegaremos certamente no futuro quando nos for possível adentrar no oceano de luz, dos mananciais de Verdades Divinas:

"Ao homem comum, na encarnação, não é fácil, todavia, a articulação de uma idéia segura com respeito às condições de seu próprio corpo espiritual, além-túmulo, porque a mente, no plano físico está inteiramente condicionada ao trabalho específico que lhe compete realizar, inelutavelmente circunscrita aos problemas de estrutura, e, por isso mesmo, incapacitada de identificar o reino inteligente de raios e ondas, fluidos e energias turbilhonantes em que vive". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Segunda Parte, Cap. III, p.173).

"Contempla-se, porém, até hoje, a sombra dos princípios como noite insondável sobre os abismos.

Os desencarnados de minha esfera não se acham indenes, por enquanto, do socorro das hipóteses. A única certeza obtida é da imortalidade da vida e, como não é possível observar a essência da sabedoria, sem iniciativas individuais e sem ardorosos trabalhos, discutimos e estudamos as nobres questões que, na Terra, preocupam o nosso pensamento.

Um desses problemas, que mais assombram pela singular transcendência, é o das origens. Se na Terra o progresso humano se verifica, através de dois caminhos, o da Ciência e o da Revelação espiritual, ainda não encontramos, em identidade de circunstância, em nossa evolução relativa, nenhuma estrada estritamente científica para determinar o Alfa do Universo, senão das hipóteses plausíveis. Contudo, saturada da mais profunda compreensão moral, copiosa é a nossa fonte de revelações, a qual constitui para nós um elemento granítico, servindo de base à sabedoria de amanhã". (Emmanuel, Emmanuel, Capítulo XVII, p. 94).

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