A ciência e o espírito

4) - A CIÊNCIA E O ESPÍRITO

"Pode o homem receber, fora das investigações da Ciência, comunicações de uma ordem mais elevada sobre aquilo que escapa ao testemunho dos sentidos? 

- Sim, se Deus o julgar útil, pode revelar-lhe aquilo que a Ciência não consegue aprender". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 20). 

Infelizmente, devido ao materialismo reinante, ainda não temos uma teoria científica que abranja com autoridade a Consciência, o Espírito, o Homem e os seus corpos, a aura, as dimensões extrafísicas ou espirituais. A ciência é hoje o mais importante campo de pesquisa e de desenvolvimento humano. Anteriormente predominou a filosofia, após a religião e a arte e hoje é o cientista o referencial da sociedade, a opinião mais abalizada, o lastro que autoriza ou faz cair em descrédito esta ou aquela teoria, afirmação ou experimento. Antes, na cultura ocidental, os filósofos, por muitos séculos, regeram o leme do conhecimento, após, os teólogos, depois a visão e os desafios dos artistas, mas na atualidade, quando atingimos estágios importantes de amadurecimento e evolução coletiva, a ciência desponta como a ferramenta com maior propriedade para esclarecer e desvendar os mistérios da vida e do universo. No futuro, acreditamos que unindo filosofia, ciência, arte e religião em uma síntese orgânica e tendo a consciência como instrumento de pesquisa, pelas vias da intuição, uma nova era despontará com perspectivas inimagináveis. Até lá temos de nos contentar com interpretações filosóficas das descobertas científicas, com visões teóricas incompletas, que tentam unir as revelações oriundas do mais alto, as intuições de médiuns, pensadores e ativistas com as novas descobertas científicas, preparando de alguma forma o futuro e auxiliando mesmo com colocações muitas vezes inexatas, dualistas, dúbias, eivadas de uma espécie de materialismo espiritual, com formulações em conflito, ora sustentada pelos princípios causais da física clássica, ora pelos postulados sincrônicos da física quântica, mas que, mesmo assim, desenvolvem idéias integradoras, propiciando novas visões, do fato cada vez mais claro, da existência inequívoca do Espírito, e das dimensões extrafísica onde ele se insere. Aliás, quanto à exatidão e ao absolutismo que muitos atribuem às teorias científicas, assinala o filósofo Karl Popper, que nenhuma teoria jamais poderia ser conclusivamente comprovada como verdadeira e mesmo que ela venha a sobreviver a variados experimentos sempre restará a possibilidade de experimentos futuros vir a demonstrar suas falhas, a certeza máxima, segundo Popper, seria provar a falsidade e erro dessa ou daquela teoria, mas jamais a sua absoluta exatidão. Nos dias atuais o impasse se tornou ainda maior, porque o universo teórico dos físicos ultrapassou em muito a capacidade de experimentação em laboratórios, e mesmo as teorias, como as atinentes à física quântica já abordam, a possível interferência da mente do pesquisador no ato de observar ou comprovar e que muitos atributos ou leis da natureza jamais poderão ser “vistos” ou “medidos”. A nossa observação afeta os objetos quânticos. As explicações materialistas, o absolutismo de alguns cientistas que refutam veementemente a existência do Espírito e as suas dimensões, afirmando que tudo no homem, até a consciência, é simples produto químico do cérebro humano, já não se sustenta, dado o volume de fatos que os desaprovam. Como diria o biólogo Thomas Henry Hurley, conhecido como o buldogue de Darwin: “Muitas belas teorias acabaram sendo refutadas por fatos feios”. O que não falta, nos dias que correm, são "fatos feios" que demonstram, inegavelmente, que a consciência é o fundamento de todas as coisas e seres, contrariando as “belas” teorias que tentam reduzir o homem a uma tábua rasa de estímulos. A validade universal da metafísica materialista, apesar dos condicionamentos, preconceitos e inércia vai sendo varrida por novos fatos e teorias que vem integrando paradigmas onde a aura, os campos morfogenéticos, os chakras, as energias sutis e as várias dimensões da consciência ganham destaque. Tudo é consciência, tudo é Espírito:

“Há corpos celestes e há corpos terrestres". (I Coríntios, 15:40).

"Quanto mais se sobe tanto mais se ganha em vastidão, em abstração, e mais se perde em segurança experimental. Quanto mais se desce na realidade concreta, tanto mais se restringe o campo das nossas conclusões". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XVIII, p.220).

4.1) - OS CORPOS

O Corpo perispiritual ou espiritual ou psicossoma pode ser definido como sinônimo de corpo astral ou como o conjunto dos corpos, excetuando-se o corpo físico e duplo etéreo. O perispírito nesta conceituação seria um mediador entre o Espírito e o corpo físico, não homogêneo, mas heterogêneo, formado de densidades ou campos energéticos ou vibracionais ou camadas sutis ascensionais (do Físico para o Espírito) ou descendentes (do Espírito para o Físico), numa espécie regular de graduação vibratória, denominados de corpos por várias escolas espiritualistas. Os corpos seriam unidades representativas de mundos conscienciais, vestes ou instrumento de manifestação do Espírito, nas várias dimensões, as quais, por evolução, a personalidade humana vai ascendendo rumo ao reino da unidade, experenciando “o si mesmo”, mergulhando no oceano infinito de vibrações, realizando o caminho de retorno do “Filho Pródigo”, cumprindo o seu desiderato que é a jornada rumo à totalidade:

"Além dos horizontes que o nosso olhar pode abranger, outros mundos e outras humanidades evolvem no rumo da perfeição!...

Todos somos irmãos, filhos de um só Pai, que nos aguarda sempre, de braços abertos, para a suprema felicidade no eterno bem!..." (Emmanuel, Roteiro, Lição 40, p.169).

4.2) – O EGO

A consciência individual seria condensações locais, inclusas no espaço-tempo, mergulhada no relativo, deste grande princípio de unidade ou Consciência Cósmica e o Ego que forma as nossas diferentes personalidades, nos diversos processos reencarnatórios, uma distorção da verdadeira consciência, um falso movimento, uma deformidade, um desmoronamento, uma negação, uma queda operada pelo ser em razão de sua liberdade infinita:

"Não possuindo a criatura poder de criar, era incapaz de gerar outros modelos; sendo efeito e não causa, ela não podia ser causa de efeitos novos. Tudo o que ela podia fazer era alterar o que existia. Se o S (Sistema) era tudo o que havia, o que podia surgir era somente a sua negação". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 04, p. 88). (Os grifos são nossos). (A palavra entre parênteses é complemento nosso).

4.3) – O DUALISMO

O dualismo mente e corpo, espírito e matéria, energias sutis e físicas, dimensões diversas em paralelismo e interação, sempre foi a grande objeção científica para a defesa do primado da matéria e seus correlatos, energia e campos de força. Afirmam que não é possível a relação de objetos duais separados, e se a mente for a antítese da matéria, o que faria a intermediação entre ambos? Alguns tentam responder mencionando a possível existência de mediadores, como as energias sutis não físicas, oriundas dos diferentes mundos conscienciais, mas o princípio da conservação da energia, um dos mais seguros fundamentos da física, parece evidenciar a não existência dessas energias ou outros mundos dimensionais, porque não sobra ou passa qualquer “quantidade” de energia, nos mais variados fenômenos estudados pela ciência, a energia total do mundo físico nunca se altera. Para fugirem do dualismo concebem a consciência, a mente, apenas como cérebro, um epifenômeno da matéria. A matéria seria assim a realidade única. Se partirmos do pressuposto que as substâncias diversas não se comunicam ou que necessitariam de mediadores por serem substâncias que nada tem em comum, fica praticamente impossível unificar os vários conceitos e experiências em uma cosmovisão integradora. Os cientistas mais conservadores fogem da discussão de temas que tentam integrar a consciência ao estudo da física. Segundo eles a física deve se ater ao estudo dos fenômenos naturais reais. Acham questionável qualquer idéia, explicação ou paralelismo entre a física, principalmente a física quântica e a espiritualidade, chamando de “imposturas teóricas” qualquer tentativa nesse sentido. Alegam que a mecânica quântica lida apenas com o comportamento de partículas subatômicas e que o físico não tem de se importar com questões filosóficas, julgam tudo como ficção e asseguram que quando os seres humanos desejam são capazes de ver paralelismo em qualquer coisa mesmo que sejam evidentemente dessemelhantes:

"No entanto, embora o físico médio não se incomode com questões filosóficas, os maiores entre eles se incomodavam. Einstein, Heisenberg e Bohr passavam longas horas em acaloradas discussões, lutando até altas horas com o significado da medida, o problema da consciência e o significado da probabilidade em seu trabalho”. (Michio Kaku, Hiperespaço, p. 342).

A existência do átomo, até recentemente, também já foi tida como uma ficção útil sem nenhuma base concreta na realidade, por muitos físicos. O próprio Einstein tentou provar que os buracos negros eram impossíveis de existirem na realidade cósmica, apesar de tais conceitos, terem se originado do desenvolvimento das equações matemáticas da Teoria da Relatividade. Hoje se sabe que provavelmente mais de 300 milhões de buracos negros devem existir em todo céu noturno e o átomo é uma realidade onde as “nuvens” de elétrons dançam ao redor do núcleo, manifestando-se ora como onda, ora como partícula. O que não podemos perder de vista é que as teorias científicas são apenas criações livres da mente humana. As teorias são sempre aproximações e não a descrição real e última da realidade. À medida que avançamos, novas teorias surgem solapando, muitas vezes, o senso comum e os pilares dos conceitos antigos. Nenhuma teoria é sagrada!

4.4) – UNIVERSOS PARALELOS

Os teóricos das supercordas e a teoria das membranas estão investigando a possibilidade da existência de um espaço-tempo com mais de 10 ou 12 dimensões, mas essas dimensões talvez sejam microscópicas bem menores do que um núcleo atômico. De qualquer forma, abre as janelas da nossa compreensão para a visão multidimensional, visão que é enriquecida com a teoria dos Universos Paralelos do físico Andrei Linde, que concebe um quadro onde universos podem “germinar” outros universos, que existiriam em muitos estados. Universos que poderiam existir em paralelismo com ligações entre eles, onde a ponte Einstein-Rosen ou os “Warm Hole” (buracos de minhoca) viria a funcionar como uma passagem ou portal dimensional entre dois universos ou ligando regiões distintas de um mesmo universo. Assim, existiria não o universo, mas universos múltiplos, “multiverso” ou “megaverso”:

"De acordo com esta teoria, um pequeno pedaço do universo pode de repente inflar e "germinar", fazendo brotar um universo "filho" ou universo "bebê", que por sua vez pode desabrochar em outro universo bebê, com este processo de germinação continuando para sempre.(...). Neste cenário, os big bangs vêm acontecendo continuamente. Se verdadeiro, podemos estar vivendo num mar desses universos, como uma bolha flutuando num oceano de outras bolhas. De fato, uma palavra melhor do que "universo" seria "multiverso" ou "megaverso"". (Michio Kaku ,Mundos Paralelos, Capítulo Um, p. 30).

"Vosso universo físico move-se todo em velocidade vertiginosa, em relação a outros longínquos universos semelhantes, a fim de fazer parte, com eles, de sistemas ainda maiores”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 33, p. 99).

"Se vosso universo é finito como vórtice sideral, o sistema de universos e o sistema de sistemas de universos é infinito”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 35, p. 104).

"Enquanto se discute ser ou não aberto ou fechado o Universo conhecido, em contínua expansão ou em permanente criação de matéria nos espaços intergalático, o astrônomo soviético Ambartsumian, em nossa opinião bem mais próximo da realidade, traz à discussão a idéia de que o Universo em que vivemos, realmente curvo e fechado, como entendeu Einstein, é apenas uma metagaláxia, além da qual muitas outras ostentam, no Infinito, diferentes características de espaço-tempo”. (Áureo, Universo e Vida, Capítulo I, p.17).

Se o universo for realmente fechado, a soma total da energia do universo deve ser exatamente zero, preservando o princípio de conservação da energia em sua totalidade e abrindo brechas para fugirmos do dualismo mente e corpo, espírito e matéria e nos firmamos na concepção de ser a consciência, o espírito e não a matéria o fundamento de todas as coisas. Tudo é consciência, tudo é espírito, a essência é uma só:

"Em seus múltiplos estados a matéria é força coagulada, dentro de extensas faixas dinâmicas, guardando a entidade mental de tipos diversos, em seu longo roteiro evolutivo.

Corpos sólidos, líquidos, gasosos, fluídicos densos e radiantes, energias sutis, raios de variadas espécies e poderes ocultos tecem a rede em que a nossa consciência se desenvolve, na expansão para a imortalidade gloriosa". (Emmanuel, Roteiro, Lição 05, p.25).

Não haveria a necessidade de formularmos teorias da possível existência de energias sutis, não físicas ou imateriais, como mediadoras do dualismo mente e corpo, bastaríamos entendermos o espírito, a energia e a matéria como estados vibracionais diferentes da mesma e única substância e mesmo assim esta substância não seria “coisa”, mas centro-movimento de potências variadas, verdadeiros vórtices ou condensações ou campos de diferentes densidades:

"A substância fundamental, material de construção do edifício das coisas, é um puro campo eletro-magnético, desaparecendo toda idéia de substrato material”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XII, p.162).

"As partículas subnucleares são apenas ondulações no mar turbulento do espaço”. (Bob Toben e Fred Alan Wolf, Espaço-Tempo e Além, p.52).

"Eis, pois, um espaço–substância que não é vazio nem inerte, mas por sua natureza é genético da matéria, isto é, possui as qualidades aptas à formação, no seio, das condensações ou concentrações de substância que se denominam matéria.” (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XII, p.162).

"Disto se segue a fascinante possibilidade de que tudo que vemos à nossa volta, das árvores e montanhas, às próprias estrelas, nada mais sejam que vibrações no hiperespaço”. (Michio Kaku, Hiperespaço, p.10). (Itálicos do autor).

"Podemos, assim, logicamente chegar ao conceito de espaço-substância, derivando-o do conceito de energia-substância, e este do de pensamento substância". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XII, p.163).

A matéria pode ser definida como luz ou energia congelada, ou luz (energia) capturada gravitacionalmente, e a ciência através da famosa equação E = MC² já mostrou que ambas estão relacionadas. Da mesma forma, quem sabe a energia poderá no futuro, ser concebida como pensamento, ou “espírito” congelado, e por sua vez o Espírito como a unidade, o todo, O TODO UNO DEUS congelado, à espera do despertar evolutivo:

"Desperta, ó homem, no espírito, porque neste, em teu âmago, está o infinito”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XI, p.156).

A teoria das cordas e a teoria M são estruturadas na idéia de que a variedade de partículas subatômicas que compõem o universo sejam diferentes notas de cordas minúsculas, que vibram em diferentes freqüências e ressonâncias. Os átomos seriam formados por interações entre padrões vibratórios. Segundo essa teoria, se pudéssemos adentrar a intimidade de um elétron veríamos não uma partícula pontual, mas uma minúscula corda vibrando:

"O próprio universo, composto de incontáveis cordas vibráteis, seria então comparável a uma sinfonia”. (Michio Kaku, Hiperespaço, p.173).

As partículas assim concebidas poderiam se manifestar em diferentes “estados vibracionais", como campos de energia oscilante, migrando de um universo para outro, de uma região dimensional de um mesmo universo para outro através de saltos quânticos multidimensionais e tudo se organizando e movendo-se simultaneamente e em sincronicidade. Todos os corpos seriam compostos de partículas correlacionadas em freqüências mais sutis ou mais densas, expressando, no entanto, a mesma e única substância. O universo ou universos estariam subdivididos em inúmeras dimensões onde a matéria seria encontrada em estados diversos:

"Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria”. (O Livro dos Espíritos, Trechos dos Comentários à perg. 22).

O primado da consciência, que tudo rege, se manifestaria por conexões locais e estruturais como descreveremos os corpos grosseiros e sutis e por conexões não-locais que estabelecem estados e comunicações instantâneas, sem a ajuda de sinais. A consciência em si é universal, unitária, total,: “Que também eles sejam um em nós” (João, 17:21), expressando ondas de possibilidades infinitas e manifestando-se pelas vias da individualidade, filtrada pela lente do ego, nas mais diferente dimensões, onde a mente, o cérebro, o corpo físico e os corpos sutis são apenas veículos temporários da grande epopéia do espírito, possibilidades da consciência unitária, que é, em síntese, a mediadora de todas as interações, o fundamento de todos os seres, universos e mundos. Somos viajores em busca da estação da totalidade e Deus-Pai é o Senhor de todas as possibilidades, permitindo-nos traçar o nosso próprio caminho, infinitamente livres em qualquer possível direção:

"Concluímos agora com esta grave afirmação levando até às últimas conseqüências os motivos acima assinalados: as diferentes almas individualizadas são fragmentos do Espírito e constituem cada individualização decaída em toda forma existente”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XIX, p. 236).

4.5) – O RELATIVO E O ABSOLUTO

Vivemos em um universo material mergulhado num oceano consciencial atemporal, incomensurável, não físico, que se revela na intimidade de todas as coisas, existente antes e além do espaço-tempo:

"Acho impressionante que a Física moderna postule a idéia de um universo em que não haja tempo e espaço, sem o qual muito da mesma Física não faria quase nenhum sentido nem teria ligação com a realidade da forma como nós a percebemos”. (Fred Alan Wolf, Viagem no Tempo, Capítulo I, p.24).

Do relativo onde tudo se expressa em matéria e energia inclusive o pensamento e o que denominamos de fluido magnético, fluido vital etc., buscamos por processo evolutivo, em um vir a ser constante, num transformismo contínuo, a eternidade, a perfeição, o absoluto, o imaterial, o Espírito, a Consciência Unitária, o Todo, o Nirvana, o Sistema, o Paraíso Divino, Deus:

"O espírito adormecido deve despertar para chegar até Deus”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo I, p.29).

"(...): desperta e sentirás que Deus está a teu lado, está dentro de ti, é a tua vida, a vida de tudo”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p.181).

"Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extrafísico, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria, - a matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo”. (André Luiz, Mecanismos da Mediunidade, Capítulo IV, p.45). (Os grifos são nossos).

"Quando vossa consciência tiver encontrado meios para agir, mais profundamente, na estrutura íntima da matéria, vereis multiplicar-se o número das espécies químicas (...)”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 16, p.47).

"(...) ao poder do fluido magnético, que constitui por si só emanação controlada de força mental sob a alavanca da vontade(...)”. (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Capítulo XV, Segunda Parte, p.201).

O universo ou o conjunto de universos seria um todo de forças dinâmicas expressando as Vibrações do Criador, uma cadeia de vidas, no dizer de Emmanuel, que se entrosam na Grande Vida:

"Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura a constituir-se no vasto oceano de força mental em que os poderes do Espírito se manifestam”. (André Luiz, Mecanismos da Mediunidade, Capítulo IV, p.44).

Este Todo se expressa em multifárias dimensões, em processos vibracionais de influência recíproca, onde ninguém pode evitar o movimento de permuta incessante, no palco da vida, estuante e presente em inúmeros universos e mundos, que por sua vez são estruturados, apesar da sua imensa diversidade, em um esquema único que se repete ao infinito:

"(...) o universo é um Todo que, ainda quando pulverizado em infinitas formas ou expressões de um mesmo princípio central único, permanece organicamente compacto, porque ele é constituído segundo um esquema único, consoante em idêntico modelo que se repete ao infinito em cada unidade menor, em que a maior se ramifica e se diferencia até à extrema pulverização”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo II, p.31). (Os grifos são nossos).

Baseando-nos no princípio dos esquemas múltiplos e de tipo único, repetidos em todos os níveis evolutivos, compreenderemos que o corpo físico e os corpos sutis são estruturados em um mesmo modelo, seguindo um padrão com pequenas variações. Todos os corpos são construções mentais temporárias, seguindo o modelo da forma humana quando exteriorizados, nas dimensões mais grosseiras ou densas como a física, etérica e a astral, e paulatinamente tornado-se menos densos e com novas formas ou podendo assumir a forma que o Espírito desejar, a partir principalmente do corpo mental, causal, supraemocional, supramental, supracausal etc. Os níveis mais inferiores refletem os superiores, e não o contrário. Não é o corpo físico que modela o perispiritual e dá á sua forma, mas é o corpo astral que modela a etérica e a física, seguindo os moldes de estruturação do corpo mental. As principais glândulas e plexos nervosos do corpo humano e perispiritual, conjugam-se nas terminações dos centros de forças primordiais existentes em todos os corpos densos e no corpo mental como matriz e molde, dando passagem a correntes vitais e mentais que tudo nutre e sustenta, captada desse oceano de força mental, desse mar de energia sutis, oriunda das exteriorizações individuais e coletivas, vivificada pelo plasma divino: “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos”. (Atos, 17:28).
Os corpos são invólucros conquistados na descida involutiva e redimensionados na subida evolutiva, roupagem correspondente a cada mundo que a contração das consciências plasmou, e que evolutivamente vamos reconquistando, energia e matéria, que aprisionam temporariamente o espírito rebelde:

"E quando sabe utilizar as sombras do palácio corporal que o aprisiona temporariamente, no desenvolvimento de suas faculdades divinas, meditando e agindo no bem, pouco a pouco tece as asas de amor e sabedoria com que, mais tarde, desferirá venturosamente os vôos sublimes e supremos, na direção da Eternidade". (Emmanuel, Roteiro, Capítulo 02, p.14).

E a matéria, como mencionamos anteriormente, não pode mais ser descrita como “coisa” palpável e existente em si mesma, mas a sua natureza e solidez é apenas reflexo de seu movimento intrínseco:

"De modo que, na substância não existe matéria, no sentido que lhe dais, mas só existe movimento. A diferença entre matéria e energia é dada apenas pela direção diferente desse movimento: rotatório, fechado em si mesmo, na matéria; ondulatório, com ciclo aberto e lançado ao espaço, para energia.

No princípio havia o movimento e o movimento concentrou-se na matéria; da matéria nasceu a energia e da energia emergirá o espírito”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese Capítulo 46, p.141). (Os itálicos são do autor).

"Nós, seres humanos, estamos a meio caminho, suspensos entre o abismo do aniquilamento e o cume da perfeição”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VIII, p.92).

"Viveis para conquistar uma consciência cada vez mais ampla”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo VI, p.26).

Lembremos que a energia de movimento pode ser transformada em matéria, e que por sua vez, pode ser convertida em energia, daí o movimento ser o principal parâmetro do mundo relativo, em todas as dimensões que vão do espaço ao átomo e deste ao arcanjo:

"Há, entretanto, uma única realidade constitutiva do universo físico: o espaço fluido e móvel e o seu movimento”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XII, p.158).

"Os seres não se detêm nos diversos níveis, mas se movem num íntimo movimento que os transforma a todos”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 29, p. 85). (Itálicos do autor).

A evolução, através do movimento e da transformação, potencializa e acelera as nossas vibrações, e quanto mais rápidas forem as nossas ondas mentais mais lentamente o tempo progride, até parar, e menores e mais estreitas serão as distâncias, se contraindo praticamente até o nada relativo:

"Recordemos, ainda, o pensamento, atuando à feição de onda, com velocidade muito superior à da luz, e lembremos-nos que toda mente é dínamo de força criativa”. (André Luiz, Ação e Reação, Capítulo 5, p.70)

"O pensamento implica tempo, somente enquanto, e na medida em que ainda é energia; quanto mais é cerebral, racional, analítico, tanto menos é abstrato, intuitivo, sintético. Neste segundo sistema tridimensional, assistis a uma aceleração contínua de ritmo. Nessa aceleração o tempo é gradativamente absorvido”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, p. 108). (Itálicos do autor).

"A eternidade é alguma coisa qualitativamente diversa do tempo, situada nos antípodas. Ela não é o prolongamento de um tempo que, embora avançado, sempre está sujeito à duração. É um tempo imóvel, que não anda e jamais passa. É um não-tempo”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo V, p.56).

Devemos então conceber a imobilidade do absoluto, não como inércia e o nada, mas um movimento realizado em ordem absoluta, um estado de tal velocidade onde o tempo-espaço não mais exista como o compreendemos, mas apenas a manifestação de plenitude do oceano infinito de Consciência Unitária onde nos reintegraremos:

"(...) o tempo e o espaço são produtos da mente e não existem sem ela”. (Fred Alan Wolf, Viagem no Tempo, Capítulo 01, p.24).

"O universo psíquico já é muito mais vasto que os outros dois (físico e dinâmico), o limite tempo-espacial já desapareceu completamente! Vossa mente, é inegável, perde-se em tanta amplidão. Mas deveis compreender, certamente, que o absoluto só pode ser um infinito, porque só um infinito pode conter e esgotar todas as possibilidades do ser”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 29, p. 86). (As palavras entre parênteses, em itálico, são inserções nossas).

"É sempre o estado cinético que constitui a gênese de qualquer forma de matéria. Assim os sistemas galácticos, planetários ou atômicos, vêm a ser constituídos por campos de espaço fluido-dinâmico, girando em torno a um centro, isto é, por vórtices de energia, cuja rotação é determinada pelo estado cinético, segundo o esquema universal, pelo qual tudo, em qualquer nível do ser, tanto no espiritual como no dinâmico, roda em torno ao centro – Deus”. (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XII, p.160).

4.6) – A MATÉRIA

Michio Kaku no livro Mundos Paralelos, discutindo a questão da presença da matéria no nosso universo, chega a brincar com o assunto, ao traduzir o pensamento de um dos pais da teoria do “universo inflacionário”, Allan Guth: “o universo talvez saia barato”. Porque para se criar um universo semelhante ao nosso possivelmente seja necessária uma quantidade ridícula de matéria: apenas 28 gramas. Estes universos nascem a partir de flutuações quânticas no vácuo, iniciando-se provavelmente por uma bolha do tamanho do comprimento de Planck: 10-³³ centímetros.

O universo cresceu e expandiu de uma mínima fração, tudo, incluindo tempo e espaço, achava-se comprimido numa região menor que um próton. E como diz George Smoot muitas pessoas acreditam que o universo teve origem num espaço pré-existente, não: “Ao contrário de uma explosão convencional, contudo, o big-bang não se processou dentro de um espaço existente; ele criou o espaço à medida que se expandia (e continua a se expandir). O big-bang foi a criação cataclísmica de matéria e espaço.” (George Smmot e Keay Davidson, Dobras no Tempo, Capítulo I, p.18)

"Segundo a teoria quântica, o espaço vazio fervilha de “partículas virtuais” que dançam para dentro e para fora do nada.” (Michio Kaku, Mundos Paralelos, Capítulo Cinco, p.133).

"A criação do plano físico, a partir do nada, ocorreu quando a Idéia, dinamizando-se, gerou centros movimentos de potência variada, ou seja, vórtice ou condensações físicas de várias densidades, segundo a grandeza dos impulsos transmitidos.” (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XII, p.161).

"A cada momento ocorre a criação, alguma coisa emerge de um nada relativo, surge em realização de algo que estava à espera no germe. Não existe um nada absoluto". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 29, p. 87).

E mais do que expandir estes universos nascidos do nada relativo, gerados por um campo vibratório em contração e oscilação, está se acelerando, conforme acreditam inúmeros cosmólogos na atualidade Em parágrafos anteriores, André Luiz mencionava o fato da existência de outros elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo. E esta tabela periódica, com mais de uma centena de átomos diferentes, contando os naturais e os desenvolvidos pela ciência, iniciando pelo hidrogênio, dentro do conhecimento científico contemporâneo, representa apenas 4% de todo o conteúdo de matéria e energia do universo, sendo que dos 4% mais ou menos 75% é hidrogênio e 25% é hélio, sendo que todas as outras partículas representam apenas 0,03% dos elementos do universo. Os cientistas começam a discutir o fato de ser o universo formado predominantemente por um novo tipo de matéria e energia, a matéria e a energia escura:

"Segundo o WMAP, (sigla em Inglês para Sonda Anisotrópica de Microondas Wilkinson), 23 por cento do universo é composto de uma substância estranha indeterminada, chamada matéria escura, que tem peso, cerca as galáxias num halo gigantesco, mas é completamente invisível. A matéria escura é tão abundante que, na nossa própria galáxia, a Via Láctea, excede todas as estrelas por um fator de 10. Embora invisível, esta estranha matéria escura pode ser observada indiretamente pelos cientistas porque ela curva a luz das estrelas, assim como o vidro, e portanto pode ser localizada pelo número de distorções óticas criadas”. (Michio Kaku, Mundos Paralelos, Capítulo Um, p.27). (As palavras entre parênteses, em itálico, são inserções nossas).

"Mas talvez a maior surpresa causadas pelos dados do WMAP, dados que deixaram a comunidade científica tonta, foi a de que 73 por cento do universo, de longe a maior quantidade, é composta de uma forma totalmente desconhecida de energia chamada energia escura, ou a energia invisível oculta no vácuo do espaço. Apresentada pelo próprio Einstein em 1917, e depois descartada (ele a chamou de seu “maior erro”), a energia escura, ou a energia do nada ou do espaço vazio, esta agora ressurgindo como a força motriz de todo o universo. (...) Ninguém atualmente sabe de onde vem esta “energia do nada”. (...) Se pegarmos a mais recente teoria das partículas subatômicas e tentarmos calcular o valor desta energia escura, encontraremos um número perto de 10¹²º (esse é o número 1 seguido de 120 zeros). (Michio Kaku, Mundos Paralelos, Capítulo Um, p.27).

A importância dessa descoberta é imensurável. A energia e a matéria escuras nos dão a dimensão do mar ou oceano de energia em que nos movemos, a visão de que a matéria visível que observamos, e que antigamente representava a totalidade e hoje é apenas discretos 4% de todo o conteúdo de matéria e energia do universo, é espetacular, e abre as portas da nossa compreensão não só para a constatação de que o universo está se acelerando, mas também para a possibilidade da existência de outros padrões de matéria e energia, ainda não postulados, mas que podem vir a ser, explicando enfim, a existência de outras dimensões, entre elas a espiritual, o plano espiritual, em contato permanente com o plano físico, conforme atestam inúmeros relatos mediúnicos. Apesar da existência de várias teorias que descrevem outras dimensões, entre elas a “teoria dos muitos mundos”, estes mundos coexistiriam em vários estados possíveis, paralelos a nossa realidade física, mas não poderíamos vir a interagir e muito mesmo percebê-los: “Para todos os efeitos, as ondas destes vários mundos não interagem ou se influenciam mutuamente”. (Michio Kaku, Mundos Paralelos, Capítulo Um, p.27).

Ora a interação e influência mútua é um dos apanágios das descrições espirituais:

"A mente é manancial vivo de energia criadora. O pensamento é substância coisa mensurável. Encarnados e desencarnados povoam o Planeta, na condição de habitantes dum imenso palácio de vários andares, em posição diversas, produzindo pensamentos múltiplos que se combinam, que se repelem ou que se neutralizam”. (Emmanuel, Roteiro, Lição 25, p. 102).

"Muitos comunicantes da Vida Espiritual têm afirmado, em diversos países, que o plano imediato à residência dos homens jaz subdividido em várias esferas. Assim é, com efeito, não do ponto de vista do espaço, mas sim sob o prisma de condições, qual ocorre no globo de matéria mais densas, cujo o dorso o homem pisa orgulhosamente.

Para justificar a nossa asserção, lembraremos, em rápida síntese, que a crosta terrestre, na maior parte dos elementos que a constituem, é sólida, mas conservando, aqui e ali, vastas cavidades repletas de líquido quente ou de material plástico. (...). Encontramos, assim, na constituição natural do Planeta, desde a barisfera à ionosfera, múltiplos círculos de força e atividade na terra, na água e no ar, tanto quanto nos continentes identificamos as esferas de civilização e nas civilizações as esferas de classe, a se totalizarem numa só faixa do espaço". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo XIII, Primeira Parte, p.97).

O plano físico e o extrafísico são descritos como um imenso palácio de vários andares, situados em um mesmo espaço, onde os seres se interconectam em várias sentidos e direções com matéria e substâncias cada vez mais sutis. Muito além do que pode ainda nos oferecer a maioria das teorias da Física Moderna:

"Não seria o antigo problema do dualismo – como a matéria sutil interage com a matéria atual – novamente a nos atormentar? Pessoalmente, nunca fui fã da idéia de outra forma de matéria, mais refinada justamente por isso”. (Amit Goswami, A Física da Alma, Capítulo 13, p.279).

"Mas onde está o mediador para intermediar a interação de mente e matéria, de energia sutil e do corpo, de Deus e do mundo?” (Amit Goswami, O Médico Quântico, Capítulo 1, p.23).

"Quando converso com não cientistas sobre corpos sutis, a pergunta que mais surge é: “Por que não existem substâncias cada vez mais sutis, até o infinito?"". (Amit Goswami, A Física da Alma, Capítulo 06, p.136).

"Para alguns, a energia sutil é um fenômeno emergente das células e órgãos vivos do corpo. Outros a vêem como uma energia de freqüência mais elevada do que a energia grosseira. Pesquisadores mais independentes recorrem à idéia de um “corpo eletromagnético” revestindo o corpo “bioquímico” normal para explicar a complexidade da energia sutil". (Amit Goswami, O Médico Quântico, Capítulo 2, p.31).

E, no entanto, os Espíritos nos asseguram:

"Quanto mais o ser se sublima, mais recursos desenvolve, em formas cada vez mais altas e nobres de energia sutil, tanto mais poderosas e excelsas, quanto menos densas e mais diferenciadas das formas materializáveis de energia”. (Áureo, Universo e Vida, p.69). (Os grifos são nossos).

"A energia mental é o fermento vivo que improvisa, altera, constringe, alarga, assimila, desassimila, integra, pulveriza ou recompõe a matéria em todas as dimensões". (Emmanuel, Roteiro, Lição 5, p. 26). (Os grifos são nossos).

A descoberta da matéria e energia escuras pode vir a facilitar o desenvolvimento de novas teorias, abrindo novos campos e raciocínio, que possa unir conceitos, que por hora parecem dispersos e incompletos. Apesar da nossa tentativa de construir paralelismos entre vários ramos do conhecimento, sentimos que enormes lacunas ainda não foram preenchidas satisfatoriamente. A questão da existência das energias sutis é uma delas. A questão da interação entre universos e mundos é outra. Apesar da abordagem não dualista que procuramos exercitar nesse texto, muito ainda tem de ser pesquisado e questionado, até uma visão segura, por postulados científicos, dos nossos vários corpos e chakras e da vida além da barreira física. Estamos apenas tentando tatear caminhos.

A interpretação quântica dá uma rica e nova visão, ajudando imensamente, mas segundo os Espíritos, a matéria se manifesta muito além das nossas fronteiras, até o pensamento, daqueles que ainda vivem presos à faixa de evolução terrestre, é matéria. Para esclarecer todas essas equações, necessitamos de uma abordagem clássica e quântica de uma interpretação dualista perfeitamente compatível com a visão monista. Campos morfogenéticos não físicos e não locais residindo fora do espaço e do tempo, mas também, campos de forças ou aura criados pelos espíritos encarnados ou desencarnados, delimitando e caracterizando cada individualidade, com estruturas correlacionadas ao corpo físico. Mundos de existência física, etérica, astral, mental, causal, supraemocional, supramental, supracausal etc., em potencial sem substancialidade manifestado pela consciência, pelo colapso quântico, mas igualmente a mente espiritual como geratriz em processo de assimilação e desassimilação de todos os processos físicos e extrafísicos, pelos campos multiformes da aura humana, complexa usina integrada a uma rede infinita de diferentes faixas vibratórias. Viagens psíquicas com e sem corpos, por movimentação ou somente por expansão da consciência. Conexões locais e não locais, causação descendente e ascendente, e tudo isso visto sob o princípio unitário de que tanto o macromundo como o micro é regido pela interação da consciência com funções de onda de potencialidade, através de hierarquias entrelaçadas. A mente como processador de realidades, a consciência como mediadora de todos os fenômenos.

Essa enorme dificuldade teórica e prática não é só nossa, até os Espíritos que vivem em planos mais elevados, se referem a ela:

"Todos nós temos consciência dos princípios de unidade e variação, ou de universalidade e individualidade, que funcionam juntos em nosso mundo. Onde se encontra o ponto de interação, ou lugar de reunião desses dois termos opostos? - Resp.: Se temos aí a consciência dos princípios de unidade e variação, ainda aqui os observamos, sem haver descoberto o seu ponto íntimo de união". (Emmanuel, Emmanuel, Capítulo XXXIII, p.171). (Os grifos são nossos).

Mas chegaremos lá um dia, apesar de todas as limitações:

"A ciência terrena, no estudo das vibrações, chegará a conceber a unidade de todas as forças físicas e psíquicas do Universo. O homem, porém, terá sempre um limite nas suas investigações sobre a matéria e o movimento. Esse limite é determinado por leis sábias e justas, mas, cientificamente poderemos classificar esse estado inibitório como oriundo da estrutura do seu olho e da insuficiência das suas faculdades”. (Emmanuel, Emmanuel, Capítulo XXXIII, p.170).

4.7) – INTEGRANDO TEORIAS

E porque todos esses conceitos são importantes para o nosso estudo a respeito do Homem, os seus Corpos e os Centros de Força? Porque o homem é um micro universo estruturado com base no mesmo esquema único em que os universos se originaram. Os átomos que constituem o nosso corpo físico tiveram origem na explosão de uma super nova que existiu antes da formação do nosso sistema solar: realmente somos filhos das estrelas. O espaço onde nos manifestamos é multidimensional e em constante movimento e cada corpo sutil que nos integra expressa esse mesmo dinamismo, em freqüências diversas, esperando o nosso despertar para percebermos os universos, os mundos, formas e seres que existem à nossa volta. Tudo é uma questão de ascensão, transformismo, evolução:

"A evolução é um regresso a Deus. Dizemos “regresso” porque é absurdo ir em direção a Deus, movendo-se de um primeiro ponto de partida que não seja Deus.” (Pietro Ubaldi, A Descida dos Ideais, Capítulo XII, p.279).

O passado, presente e futuro se sustentam somente pela cortina de condicionamento que voluntariamente tecemos e nos enovelamos. Tudo acontece e se desenvolve no agora:

"Só o relativo que se transforma, possui tempo, isto é ritmo evolutivo. A Lei, sem limites, está à espera, no eterno”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 29, p. 88).

O Espírito, seguindo o mesmo princípio do Todo, é o centro do seu complexo fisio-psíquico regendo só em relação ao corpo físico mais de cinqüenta trilhões de células, pelo automatismo engendrado pelos centros de força que como o espaço e a matéria também se movimentam como vórtices energéticos emitindo e assimilando energia mental, provindas do oceano temporal e atemporal onde existimos, nos movimentamos e vivemos:

"De que número de movimentos cíclicos resulta o fenômeno da consciência humana!” (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 28, p. 83).

"O homem do futuro compreenderá que as suas células não representam apenas segmentos de carne, mas companheiras de evolução, credoras de seu reconhecimento e auxílio efetivo". (André Luiz, Missionários da Luz, Capítulo 13, p.223).

"Cada individualidade é composta de individualidades menores, que são agregados de individualidades ainda menores, até o infinito negativo; por sua vez, é elemento constitutivo de individualidades maiores, as quais são de outras ainda maiores, até o infinito positivo”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 27, p. 80).

Os nossos corpos são vestes materiais ou condensações de energia sutil que fomos assimilando à medida que ocorria a queda espiritual: “Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual” (I Coríntios, 15:44). Na síntese que expressa a verdade intrínseca do fenômeno, ao passar de uma dimensão a outra, enquanto ainda estávamos na dimensão consciência fomos nos vestindo de diferentes túnicas, ampliando o falso movimento, desejado pelo nosso livre arbítrio, e dos infinitos caminhos possíveis, tomamos a direção da contração, afastando-nos de Deus-Pai, nos aprisionando na energia e após na matéria. O não ser passou a vigorar como a essência final do impulso inicial de afastamento, quebrando a simetria das forças e do reino da Consciência, único plano de existência real:

"Pensando em renegar a Deus, com a revolta a criatura só renegou a si mesma. Sendo ela um elemento do Sistema de Deus, agindo contra Deus ela agiu contra si, de modo que o que agora aparece como reação da Lei não é na realidade senão a reação da íntima e própria natureza do ser contra a sua revolta, que o levou para a dor e para a morte, enquanto ele não pode deixar de querer a felicidade e a vida". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 2, p.54).

Apesar de tudo, nada perdemos, tudo se tornou semente e germe. De uma diminuta bolha, através de agitações, em movimentos de flutuações quânticas, iniciamos o nosso despertar, empreendendo o caminho de volta, pelas trilhas da evolução. Do espaço cinético viajamos de expansão em expansão, em processo de aceleração até o átomo, reconquistando mais amplos movimentos. Como bem diz o nobre León Denis, do átomo formamos as famílias de moléculas, constituindo o mineral, onde dormimos por milênios, nos agitamos no vegetal e sonhamos no animal, acordando no homem:

"Assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante". (I Coríntios, 15:45).

"Ora, regresso a Deus, por evolução, significa regresso do ser ao estado transcendente (S) de puro pensamento, porque Deus em Si mesmo, acima desta Sua transitória projeção em nosso universo (AS), é puro pensamento, existente sem necessidade de forma que O expressa nas dimensões inferiores do plano de matéria". (Pietro Ubaldi, A Descida dos Ideais, Capítulo XII, p.279).

Hoje estamos a meio caminho, os corpos que possibilitam ou expressam faculdades e movimentos em dimensões diversas vão se tornando ativos como o físico, o duplo etérico, o astral e o mental, permitindo-nos conquistar e manejar, nas horas que passam, a razão como o maior dos nossos atributos coletivos:

"Fé inabalável é somente, aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”. (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Uma nova revolução, porém se inicia, os corpos supramental e causal começam a sair da letargia e o Espírito tentando romper a personalidade e a estrutura egóica do ego, já se pronuncia nos novos atributos da intuição e inspiração, como é possível verificar nos escritos de inúmeros pensadores e físicos teóricos, e nas recordações da própria história evolutiva já tão comum nas centenas de relatos pessoais, de visões espontâneas de vidas passadas:

"(...) a inspiração é um despertar consciente na profundeza em que está Deus. Então se atinge a sintonização e esta é a base das visões que nos revelam os grandes esquemas do pensamento divino.” (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XVIII, p. 220).

"A razão que utilizais é um instrumento que possuís para prover os misteres, as necessidades mais externas da vida: conservação do indivíduo e da espécie. Quando lançais este instrumento no grande mar do conhecimento, ele se perde, (...).

Para avançar ainda é preciso despertar, educar, desenvolver uma faculdade mais profunda: a intuição”. (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 1, p.15).

Um dia no reino dos Arcanjos, unificaremos com o todo, e o Espírito superando a dualidade expressa na figura mitológica de Adão e Eva, tornar-se-á puro de toda e qualquer matéria, e a sua vontade se unificará com a vontade do Pai:

"No S os seres são complementares, as suas diferenças são compensadas e fundidas numa união orgânica, na qual cada ser se encontra feliz cumprindo a função para qual foi criado. Eles estão unidos por liames de amor, numa contínua troca ou permuta em que cada um dá e recebe vantagens de graça". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 17, p 368).

Na viagem de ida ou na grande onda de descida, nos materializamos, formando pelo campo vibracional ou do pensamento os inúmeros corpos e sistemas que compõe a totalidade do nosso psiquismo, e todos os níveis mais elevados ficaram presentes na matéria, como germes, sementes ou potenciais, e agora, no retorno ou na onda de volta vamos ativando estruturas sutis que nos facultam novas faculdades e percepções, até a visão e a imobilidade do absoluto:

"Mas imobilidade no absoluto quer dizer superação da fase de transformismo e não no fim do funcionamento ativo, que continua em cheio no organismo do S. Aqui o movimento é imóvel, no sentido que é de outro tipo, não é mais transformismo, um vir a ser em involução-evolução, mas é imóvel porque deterministicamente perfeito, conforme a Lei, e não uma tentativa contínua em busca da perfeição e uma corrida de amadurecimento evolutivo para atingir. Movimento estabilizado na posição certa e definitiva da obra realizada, e não movimento instável na posição incerta e variável da obra em construção e em evolução. Isto porque no S, com a completa obediência à Lei, foi atingida a perfeição". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 15, p. 328).

"Com maior razão, a luz espiritual, a manifestar-se na irradiação das mentes angélicas, prescinde de qualquer veículo material para espraiar-se e atuar em todas as dimensões do Universo". (Áureo, Universo e Vida, p.71).

"De fato, a evolução é um processo que faz libertar o espírito da necessidade de possuir um instrumento físico para poder alcançar a sua manifestação". (Pietro Ubaldi, A Descida dos Ideais, Capítulo XII, p. 279).

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