A origem do Perispírito

Contudo, em que momento de nossa existência imortal passamos a envergar esta preciosa túnica espiritual? Se o perispírito é um envoltório semi-material, certamente ainda é matéria, em outro campo de densidade, mas matéria, assim sendo, nasceu o perispírito no processo de involução ou queda ou surgiu somente nas etapas evolutivas do ser? Seria o perispírito dádiva relativa à espécie humana ou seria reconquista milenar do esforço de todas as espécies diante da evolução a que foram submetidas?

Em indagações mais profundas conjectura-se qual a finalidade deste corpo intermediário entre espírito e matéria? Em que parte do corpo físico jaz conectado? Sendo fluido, como se prende à matéria? E, finalmente, remontando aos porquês de toda a humanidade, questiona-se: como surgiu e até quando existirá o perispírito?

Todas essas perguntas que inquietam a nossa mente mostram a imensa porta aberta diante de cada um que pretenda estudar o perispírito, especialmente porque cremos que tal assunto é vital aos estudiosos da alma humana, posto que no rastro da compreensão do corpo sutil que nos envolve, encontramos respostas para o dinamismo da vida e a nossa história de afastamento e retorno à Casa Paterna.

3) - A ORIGEM DO PERISPÍRITO

"A verdade, em nosso universo, para os decaídos, só pode ser relativa e progressiva". 

(Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIX, p. 110).

A verdade absoluta, que tanto procuramos é patrimônio apenas do Sistema ou Paraíso Divino. No mundo onde vivemos, no universo relativo do qual ainda fazemos parte, as verdades são progressivas, e não existe nada que possamos fazer, para ampliar a nossa tão sonhada segurança. Quantas e quantas vezes não transformamos, conceitos incompletos, iniciais ou transitórios, em dogmas, em verdades fundamentais, nos fixando em pontos de vistas inamovíveis, esquecendo que a ciência, a filosofia, a religião e a arte, devem estar em constante mutação. À medida que avançamos, novos horizontes são conquistados, e as verdades de ontem devem ser ampliadas, sob pena de se tornarem obsoletas. Achar o fio condutor que una às revelações passadas, às do presente e às do futuro, deixando-se aberto, para novas visões, é tarefa de fundamental importância, que não deve ser adiada. Tarefa pessoal, permanente, e que não podemos delegar ao próximo ou a qualquer autoridade, por mais respeitável que essa autoridade possa ser:

"A verdade não nos chega pela autoridade. Ela precisa ser descoberta a cada momento". (J. Krishnamurti, Sobre A Verdade, p. 50).

"Você precisa ter a mente capaz de investigar, de examinar, de duvidar, de questionar - capaz de não ter medo. O medo pode fazer do falso o verdadeiro e do verdadeiro o falso". (J. Krishnamurti, Sobre A Verdade, p. 135).

"Vivemos num mundo de verdades relativas que podem parecer contraditórias, enquanto são complementares. Assim espírito e matéria são aspectos diferentes do mesmo princípio, olhados de pontos de vista distintos. Trata-se de visões parciais que basta reunir numa visão global mais vasta, para que desapareça nela a contradição". (Pietro Ubaldi, Reflexões da Obra de Pietro Ubaldi, Palavras de Sua Voz, Coordenação de José Amaral, p. 218).

"A verdade é como a luz: é preciso que nos habituemos a ela pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria. Jamais houve um tempo em que Deus permitisse ao homem receber comunicações tão completas e tão instrutivas como as que hoje lhe são dadas". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho da Resposta à Pergunta 628). (Os grifos são nossos).

"Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que vos não falareis mais por parábola, mas abertamente vos falarei acerca do Pai". (João, 16:25).

"Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade". (João, 17:17).

"Sai do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai". (João, 16:28).

"Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso, vós não as escutais, porque não sois de Deus". (João, 8:47).

3.1) - DEUS TRANSCENDENTE E DEUS IMANENTE

Conquanto tenhamos relegado a Casa Paterna, transformando-nos em sombra da própria luz, não fomos abandonados, pois o bondoso Pai transcendente desceu conosco na queda vibracional em sua expressão imanente, comandando o soerguimento da nossa individualidade, transfigurando paulatinamente o ser fragmentado e invertido, por processos cíclicos, evolutivos, de esforços contínuos, para fazer ressurgir a luz perfeita e integral da consciência interior e unitiva:

"O ser rebelde não se tornou outro ser pela queda. Ele é sempre o mesmo de quando morava no S. A diferença está somente no fato de que agora ele perdeu as qualidades que ali possuía, mas que continuam igualmente presentes, embora como carências, como vazio que no lugar delas ficou, isto é, na sua posição de negatividade". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 09, p. 200). (S - Sistema). (Os grifos são nossos).

"Deus não inflige punições, mas quando a criatura O nega e repele, Ele respeita a liberdade que lhe deu e, assim, pela própria vontade, a criatura se afasta de Deus, como se Ele se tivesse retraído. Ora, uma vez que Deus é vida, a maior punição é esse afastamento, porque significa privação de vida". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 136).

"Em todo esse processo não nos esqueçamos de que Deus, que estava em todas as Suas criaturas, não cessou de existir nelas, mesmo na profundeza de sua decadência. Apenas Ele é mais ou menos latente nelas, está mais ou menos imerso no seu íntimo, e tanto mais distanciado de sua consciência ativa, quanto mais baixo elas se encontram, isto é, involuídas, mergulhadas e pressas em uma forma de matéria". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 66).

"No dualismo que derivou da queda, a Divindade, mesmo permanecendo una, se transformou momentaneamente num novo aspecto. Resta agora o aspecto de Deus transcendente, ao qual se subordinou a parte incorrupta do Sistema, onde permaneceram os espíritos obedientes, na ordem da Lei; e temos aquele outro aspecto novo, de Deus imanente, que acompanhou o Sistema em sua queda, permanecendo, portanto, presente também no Anti-Sistema, isto é, em nosso universo, como poder saneador de todos os seus males e que dirige o caminho evolutivo". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo III, p. 45). (Os grifos são nossos).

"É necessário compreender essa descida do Deus transcendente na imanência em seguida ao desmoronamento do sistema. Quando este, por culpa da criatura, se cindiu em dois, Deus não quis abandonar o sistema invertido, conservando-se presente nele (imanência), para poder realizar assim a sua salvação, em um trabalho constante de reconstrução (criação contínua), pelo processo que denominamos de evolução". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VIII, p. 83).

O Deus absoluto, Senhor amorável de toda a criação, passa a apresentar, momentaneamente, com a queda ou involução, dois aspectos complementares: a transcedência e a imanência. Pelo aspecto transcendente manifesta o seu poder e cuidado com os filhos que permaneceram no universo divino, fora do espaço-tempo, e com o atributo imanente, vela, orienta, atrai, chama, acorda e transforma os filhos rebeldes que contraíram a consciência, em diversas dimensões, possibilitando o surgimento dos universos materiais, do tempo e do espaço:

"No próprio fundo da descida involutiva, onde o impulso da revolta atinge a sua plena realização, o impulso do S [Sistema], isto é, a presença ativa de Deus, manifesta-se igualmente em todo o seu poder". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 09, p. 201). (A palavra entre colchetes é nossas).

"Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para a sua bondade, é destituído de valor". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Comentários a Pergunta 963).

"O Senhor, ponto individual e central no infinito, em torno do qual gravitam todos os mundos, todos os universos, espalha por sobre todos o seu calor, a sua luz, mas bem poucos gozam da faculdade de lhes ver os raios luminosos". (J. B. Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo Primeiro, Item 38, p. 217).

"Os Espíritos vêem a Deus? - Somente os Espíritos superiores o vêem e compreendem; os Espíritos inferiores o sentem e advinham". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 244).

"Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus". (Mateus, 5:8).

"E compreende-se que tremenda realização sensorial é para o espírito o alcançar o plano da unificação. Eis como se pode dizer: Deus está em mim, vibrando na minha sensação". (Pietro Ubaldi, Ascese Mística, Capítulo VIII, p. 171).

"Se fôssemos capazes de compreender que somos criaturas de Deus, isto é, filhos do Pai Supremo, que o universo é construído para a nossa vida, primeira necessidade, e que esta é por conseqüência sumamente protegida por nosso Criador, que nos ama, não haveria razão para tantas e inúteis aflições". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IX, p. 99).

"Mas não estou só, porque o Pai está comigo". (João, 16:32).

"A Beata Ângela di Foligno ouviu Cristo dizer-lhe: "Eu sou mais íntimo de tua alma do que ela de ti mesma". Os místicos cristãos, experimentados em semelhantes indagações, dizem que: "Deus é a nossa superessência", isto é, algo de tão íntimo e profundo a ponto de parecer a nossa própria sublimação". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XV, p. 185).

3.2) - AS CONSCIÊNCIAS

A presença de Deus como força diretiva da evolução, inicialmente determinística e, após compartilhada, devido ao retorno parcial do livre arbítrio, não se dá por forças externas, por sinais exteriores, mas ocorre na intimidade do ser:

"Essas forças não são exteriores e não operam por constrangimento de fora para dentro, mas são interiores ao ser, representando impulsos que fazem parte da sua natureza, funcionando como instintos seus que ele não pode apagar, anseios indeléveis, um convite tão enérgico e persuasivo que a ele ninguém sabe fugir". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 09, p. 203).

"Onde está escrita a lei de Deus? - Na consciência". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 621).

"Visto que o Homem traz em sua consciência a lei de Deus, que necessidade havia de lhe ser ela revelada? - Ele a esquecera e desprezara. Quis então Deus lhe fosse lembrada". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 621-a).

A queda ou contração da consciência ou processo de introversão, provocada pelo impulso da quebra da harmonia sistêmica é que leva o ser ao esquecimento e ao desprezo da Lei Divina, mas esta Lei, que por ser de Deus é infinita, está na intimidade de cada individualidade, uma marca fundamental, um impulso irresistível, um convite permanente, um instinto inexorável. Graças a esta Lei que vive e se expressa nas dimensões abismais da nossa personalidade é que torna-se possível o telefinalismo da evolução: da matéria ao espírito, do átomo ao arcanjo. O menos só é capaz de transformar-se no mais, porque em todas as dimensões, do maior ao mais ínfimo de todos os seres, a Lei de Deus, que contém e expressa todas as infinitas possibilidades, vive, atua, dirige e atrai:

"(...), mas existe uma Lei, invisível para vós, todavia mais forte que a rocha, mais poderosa que o furacão, que caminha inexorável movimentando tudo, animando tudo, essa Lei é Deus. Ela está dentro de vós, vossa vida é uma exteriorização dela e derramará sobre vós alegria ou dor, de acordo com a justiça, como o merecer". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 01, p. 14).

"Guia mais seguro do que a própria consciência não lhe podia Deus haver dado". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 964).

"Deus tem suas leis a regerem todas as vossas ações, se as violais, vossa é a culpa". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Comentários a Pergunta 876).

"Mas as leis de Deus são imutáveis porque perfeitas; o que é perfeito não pode ser alterado nem corrigido". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 03, p. 19).

Esta consciência, porém, onde está a herança infinito do Pai em nós, não é, de forma alguma, a consciência de superfície, este Eu exterior, filho da matéria, o ego personal, que com ela morre. O que chamamos ordinariamente de consciência, não passa de uma rede densa de condicionamentos, um campo egóico de culpas e acusações, de tradições e preconceitos, uma estância psíquica que parece estar acima do Ego, uma voz que o julga, mas que na maioria das vezes representa apenas o Superego das conceituações Freudianas. A verdadeira consciência, onde está escrita a Lei de Deus, é interior, profunda, misericordiosa, amorosa, transformadora, verdadeira, intuitiva e que em nós, ainda, infelizmente, vive adormecida, em estado de latência:

"É também verdade que freqüentemente o que denominamos de voz de consciência pode ser um puro juízo pessoal". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XVIII, p. 229).

"Pode chamar-se consciência latente uma consciência mais profunda que a normal, onde se encontram as causas de muitos fenômenos inexplicáveis para vós". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 04, p. 20).

"Esse Eu exterior, essa consciência clara, expande-se no contínuo evolver da vida, aprofundando-se para aquela consciência latente, que tende a vir à tona e a revelar-se. Os dois pólos do ser - consciência exterior clara e consciência interior latente - tendem a fundir-se. A consciência clara experimenta, assimila, imerge na latente os produtos assimilados através do movimento da vida - destilação de valores, automatismos, que constituirão os instintos do futuro. Assim expande-se a personalidade com essas incessantes trocas e se realiza o grande objetivo da vida. Quando a consciência latente tiver se tornado clara e o Eu tiver pleno conhecimento de si mesmo, o homem terá vencido a morte". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 02, p. 17).

"Mas hoje não estais conscientes dessa profundidade, não sois sensíveis a esse nível e, não tendo em vós mesmos nenhuma sensação, a negais". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 04, p. 21).

Como a consciência exterior, por processo evolutivo, vai se expandindo e aprofundando-se em direção a consciência latente, os pensamentos mais elevados e as sensações mais sutis, inicialmente, não são perceptíveis, e os conteúdos mentais se assemelham, até alcançar um plano maior de desenvolvimento e o ser redescobrir as suas enormes potencialidades adormecidas:

"A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Resposta à Pergunta 835). (Os grifos são nossos).

"Quem consegue ser consciente também na consciência latente, encontra seu Eu eterno e, na vasta complexidade das vicissitudes humanas, pode reencontrar o fio condutor ao longo do qual, logicamente, segundo uma lei de justiça e de equilíbrio, desenvolve-se o próprio destino. Então, vive sua vida maior na eternidade e com isso vence a morte. Ele se comunica livremente, mesmo na Terra, por um processo de sintonia que implica afinidade com ascorrentes de pensamento, que existem além das dimensões do espaço e do tempo". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 04, p. 22). (Os grifos são nossos).

"O universo infinito palpita de vida que, ao reconquistar sua consciência, retorna a Deus". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 04, p. 22). (Os grifos são nossos).

"Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Comentários de Paulo, Apóstolo, Pergunta 1009).

"Ambos, pois, se fizeram assim obedientes à lei de amor e de união de todos os seres, lei divina, de que resultará a unidade, objetivo e finalidade do Espírito". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho da resposta a Pergunta 665). (Os grifos são nossos).

Este Eu Eterno, ou Self, ou o Eu Quântico expressa Deus em nós. Dessa estância de unidade, que transcende o tempo e o espaço, é que parte os impulsos que colapsam as ondas de possibilidades quânticas, que filtradas pelo Ego, criam o universo que observamos. A dualidade, a divisão sujeito e objeto, o eu e o outro, o interior e o exterior, as sensações de que estamos separados, não são reais, são ilusórias e nascem dessa consciência de superfície, não volumétrica, resultante das nossas necessidades imediatas:

"Vossa consciência humana é o órgão exterior através do qual vossa verdadeira alma eterna e profunda se põe em contato com a realidade exterior do mundo da matéria". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 04, p. 22). (Os grifos são nossos).

"(...) a sensação de personalidade, como individuação separada, tal como costuma ser compreendida, pertence apenas aos planos inferiores, e desaparece nos superiores, com a evolução". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVI, p. 215).

A Consciência Externa ou Ego é fruto da queda, movimento livre da criatura, que inverte por impulsos individuais a positividade do ser original ou verdadeiro, formado pela Individualidade ou Self e a Totalidade ou Deus. Nos Filhos Pródigos, a Consciência Latente encontra-se sepultada ou adormecida. No processo evolutivo o Ego forma as nossas diferentes personalidades reencarnatórias, aqui representadas pelos números P1, P2, P3, P4 ........ PN. Pouco a pouco pelo movimento de contração e expansão o Ego vai sendo absorvido pela consciência latente até que o Espírito volte a manifestar-se em seu estado de plena pureza. A Evolução poderia ser resumida como a busca do Espírito, nos plantios personais, no plano físico e extra-físico, até que o Ego matriz de todo o egoísmo e consequentemente de todos os desvios e vícios, desapareça totalmente:

Homem! Célula ainda escravizada
Nos turbilhões das lutas cognitivas,
Egressa do arsenal de forças vivas
Que chamamos – estática do Nada.

Sob transformações consecutivas,
Vem dessa Origem indeterminada,

Onde se oculta a luz indecifrada
Dos princípios das luzes coletivas.

Vem através do Todo de elementos,
Em sucessivos aperfeiçoamentos,
Objetivando a Personalidade,

Até achar à Perfeição profunda
E indivisível, pura, e se confunda,
No transcendentalismo da Unidade.

(Augusto dos Anjos – Parnaso de Além Túmulo)

3.3) - A FRAGMENTAÇÃO

Os universos espirituais, os fluídicos e físicos, a totalidade dos seres, podem ser comparadas a uma sinfonia. A sinfonia da unidade, regida pelo Maestro Divino. Cada individualidade pode ser comparada as notas musicais, únicas e infinitas, sem cópias, que comporia a partitura de todas as possibilidades. Na sinfonia as notas musicais ou individualidades estão a serviço da totalidade, elas existem, na profundidade, mas não são a razão de ser da sinfonia, mas sim o tema, a melodia, o conjunto harmônico... O que aconteceu na queda, foi que algumas notas, por impulsos interiores, se deram relevância, além e em detrimento da totalidade, da unidade, criando um som de uma nota só, egocêntrico, dissonante, perdendo o contato com a sinfonia, invertendo vibrações, até emudecer na matéria mais densa. A sinfonia e a verdadeira nota ficaram latentes, não houve perdas, e o movimento mínimo que permaneceu ao esgotar o impulso de separatividade, mesmo na mais profunda descida, impulsionados pelo verdadeiro Eu, agora latente, inconsciente, deu início ao ciclo de retorno ou evolução:

"Em outros termos, no Sistema corrompido em Anti-Sistema, através desses seres que o constituem, sem terem por isso perdido as suas qualidades originárias de espíritos filhos de Deus, continua a estar presente a divindade, que continua a salvar o Anti-Sistema da destruição completa.Trata-se de uma presença viva e operante. Eis onde se encontra o remédio para o auto-tratamento. É essa presença de Deus que representa e torna possível a salvação". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 45). (Os grifos são nossos).

"Podemos assim imaginar o Sistema. Nele, todos os seres sentem, pensam e existem em perfeito uníssono, formando uma união como se fora somente um ser. É assim o Sistema". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo III, p.191).

"Quando estás numa assembléia, és parte integrante dela; mas, não obstante, conservas sempre a tua individualidade". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 151).

"Podemos imaginar o nosso universo atual como um Todo-uno que, qual um espelho, se tenha fragmentado em miríades de partículas. Cada uma destas, embora em fragmento com respeito ao todo, conserva-lhe em particular as qualidades, de modo a poder nos traduzir e mostrar a natureza do Todo, não obstante o fragmento tenha perdido a unidade global com a fragmentação". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo II, p. 33).

"Assim, pois, qualquer seja a posição em que o ser se encontre, quer de involuído, quer de evoluído, da pedra ao santo, uma impulsão existe sempre, que atua constantemente no sentido de sua evolução". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 65). (Os grifos são nossos).

3.4) - A SALVAÇÃO

O termo salvação tantas vezes destacado, por inúmeras religiões e filosofias, ganha diante da Teoria da Queda um grande e real sentido. Não significa tão somente a salvação de uma vida ou um trecho do existir, mas a conquista plena do ser, uma impulsão divina permanente, do átomo ao arcanjo, do espaço ao anjo, do tempo ao seu final ou a eternidade. Salvação que abrange todo o trajeto evolutivo. É a condição de nos transformar, novamente, em Filhos de Deus, saindo da fragmentação e reencontrando a unidade, voltando a plenitude da criação, fazendo da vontade do Criador, a nossa ideal vontade. É uma obra pessoal e intransferível. Jesus, com a sua bondade e humildade, não nos salva, com esse ou aquele sacrifício, mas sim, por cuidar de nós, permanentemente, por nos indicar, exemplificando, o roteiro definitivo, o caminho, a ponte segura, que nos faculta a passagem do Anti-Sistema ao Sistema:

"Jesus desceu para pregar dando de tudo exemplo, para oferecer e deixar aos homens um tipo, um modelo que eles imitassem e em cujas pegadas caminhassem para atingir a perfeição". (J. B. Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo Primeiro, Item 54, p. 274).

"Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e lhes SERVIRÁ DE GUIA para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda lágrima". (Apocalipse, 7:17).

"O Evangelho tem um sentido biológico, representa o caminho que a evolução deve seguir na humanidade, tem um valor universal, porque dá uma direção ao desenvolvimento da vida". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 192).

"Pois na cidade de Davi, vos nasceu hoje o SALVADOR, que é Cristo, o Senhor". (Lucas 2:11).

"Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o PODER DE SEREM FEITOS FILHOS DE DEUS: aos que crêem no seu nome". (João 1:12).

"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é O PODER DE DEUS PARA SALVAÇÃO de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego". (Romanos, 1:16).

"Mas quem perseverar ATÉ O FIM, esse será salvo". (Marcos, 13:13).

"Tudo isto evidencia a necessidade de aceitar a teoria do desmoronamento. Só ela pode explicar o dualismo da árvore do bem e do mal, o pecado original - continuação da revolta dos anjos e queda conseqüente, pecado cometido por Caim contra Abel, primeira personificação da cisão e da luta. Só assim podemos compreender Cristo e a Sua obra de redenção, destinada a sanar este dualismo, compreender a inversão operada pelo Evangelho, que é uma retificação dos valores". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 116).(Os grifos são nossos).

Quando o Cristo amado nos consola ao dizer: "Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tendes bom ânimo; eu venci o mundo". (João, 16:33). O mundo que o Mestre venceu, não significa tão somente, o planeta Terra e seus desatinos, a crucificação e as inúmeras dores de sua missão, quando entre nós, mas o Anti-Sistema em sua totalidade psíquica, daí ser as suas palavras e exemplos a unidade que busca sanar o dualismo existente, em cada ser decaído. O cálice, ("Meu Pai, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade", (Mateus, 26:42)), que o Senhor pede para ser afastado, nos momentos cruciais do Getsêmani, não é de forma alguma as aflições das etapas infamante da crucificação a que seria submetido, mas essa luta psíquica, titânica, entre as forças destruidoras do Anti-Sistema e as do Sistema que Ele representava, e que naquele momento crucial, se evidenciavam francas, diretas, avassaladoras:"Então, lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui e vigiai comigo". (João, 26:38). O Evangelho tem sentido biológico, traçando roteiros, para essa luta, em várias dimensões do existir, até o seu dramático desfeicho, para aqueles que necessariamente deverão perseverar até o fim. É o poder de Deus para a salvação do Anti-Sistema. A vida, os ensinos e exemplos de Jesus, representam o modelo a ser observado e praticado visando a essa salvação. Modelo inigualável que tem de ser seguido até o fim, não o fim de uma reencarnação ou do processo de transformação planetária, mas o fim do Anti-Sistema, o fim do dualismo intrínseco, o fim do mal, da ignorância, o fim do tempo e do espaço, o retorno à eternidade e à felicidade. E por falar em eternidade, devemos entendê-la não como frequentemente interpretamos, como a noção de um tempo longo, que nunca acaba, mas deve ser entendida como a ausência do tempo e conseqüentemente do espaço:

"A eternidade é alguma coisa qualitativamente diversa do tempo, situada nos antípodas. Ela não é o prolongamento de um tempo que, embora avançado, sempre está sujeito à duração. É um tempo imóvel, que não anda e jamais passa. É um não tempo." (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo V, p. 56).

"A medida originária, incorrupta do ser não é o tempo, mas a eternidade; não é o finito, mas o infinito; não é o relativo, mas o absoluto; é assim para cada qualidade humana, da qual só restaram ruínas". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VIII, p. 84).

"Ser condenado a viver a vida eterna fragmentada em uma infinidade de pequenos ciclos, com a morte ao fim de cada um, é realmente a dor merecida para quem tentou despedaçar o Todo, negando a Deus e, por isso, a próprio vida maior". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 63).

"E, que é o tempo, senão produto do desmoronamento, um fracionamento do Uno, o imóvel em fuga no transformismo? A eternidade, unidade indivisa, com a queda se faz tempo, como o espaço, fração de infinito. O tempo existe somente como medida do transformismo (involução-evolução), cessando quando este termina. A fração cindida reconstitui-se em unidade no eterno, o finito no infinito. A eternidade, despedaçada no tempo, se refaz no uno imóvel, íntegro, indiviso, e nela a corrida do transformismo, lançado em busca da perfeição, se detém diante da perfeição atingida. então o tempo volta a ser imóvel, sem mais transformismo, e se faz eternidade". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo V, p. 56).

"Eis por que entre mal, dor e eternidade nada pode haver em comum, porque entre os dois primeiros e o último existe uma inversão de posição que os mantém inexoravelmente separados, situando-os nos antípodas em dois sistemas opostos". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo V, p. 57).

"E eis que estou convosco TODOS OS DIAS, até à CONSUMAÇÃO dos séculos". (Mateus, 28:20).

3.5) - AS DUAS ORIGENS DO SER

Toda revelação é progressiva, e o conhecimento em qualquer área é fruto dos séculos, labor coletivo, ascensão, soma. Demora-se muitas vezes milênios, para que um novo passo possa ser dado e aquilo que nos parecia ser suficiente e definitivo em certo momento histórico, nos surge insuficiente ou sem profundidade em outro período:

"Para desfazer certas miragens e destruir outras tantas ilusões psicológicas é necessário ao homem a dolorosa elaboração de milênios". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo III, p. 40).

Quando o conceito de evolução descortinou horizontes novos ao homem, fazendo-o duvidar das teses criacionista simplistas, nos maravilhamos com a nova teoria, e com o auxilio das revelações do Mundo Maior, foi-nos possível inferir, que a Teoria da Evolução era muito mais abrangente, envolvendo todos os períodos ascensionais, ligando por um fio contínuo e misterioso todos os seres, os orgânicos e os inorgânicos, os chamados vivos e os ditos "não vivos", o átomo e o arcanjo.

O Universo deixou de ser uma criação pronta e instantânea de Deus, para tornar-se um gigantesco processo evolutivo, onde todos os seres, em marcha, são co-criadores, servindo e aprendendo, fazendo parte de uma rede infinita em processo de transformação. Mas, com o tempo, novas perguntas, começaram a surgir nos horizontes das nossas mentes. Quando e onde, o ser iniciou a sua jornada? Se Deus é supremo amor, a ordem absoluta, a felicidade infinda, porque a vida que sentimos e vemos é a negação de todos esses atributos? Se Deus é Espírito, porque, como e onde surgiu a matéria? Como explicar a evolução? Porque evoluímos? Porque a evolução inicia-se no caos, passando pelo mal e pela dor? Onde a Justiça? Onde o Amor Divino? A evolução é o aparecimento do novo, ou uma reconquista de estados precedente? Se Deus é a perfeição absoluta, sem nunca ter evoluído para atingir este estado, porque os seus filhos criado, devem fazê-lo, e mais, passando pela ignorância, luta, sofrimento e pelo contato com o mal? De onde nasce o anseio de felicidade, existente em todas as almas? Como se pode desejar, o que não se viveu ou não se conhece? Porque o regime de luta se destaca, desde os menores seres ao homem? Por que essa luta? Porque sofrem os animais? E quantas e quantas outras perguntas, em sequência, poderiam ser feitas, e que não são esclarecidas a contento pela teoria da criação, seguindo-se uma evolução progressiva em dois planos de vida. Com a teoria evolutiva progressiva apenas, inúmeras lacunas surgem e várias perguntas não são respondidas, amesquinhando a justiça e o amor divino, somente a teoria da queda, pode abranger todos os campos e esclarecer essas e outras dúvidas:

"Se Deus não pode ter criado - sendo Ele o todo - senão tirando tudo de Sua substância, e se esta só podia ser perfeita, nada de imperfeito podia ter saído de Suas mãos, e muito menos criaturas imperfeitas. É pois absurda uma criação imperfeita para que depois se aperfeiçoasse, ou uma criação de espíritos imperfeitos aos quais depois fosse imposta, contra a possibilidade de qualquer livre escolha deles, a angustiante fadiga de conquistar a perfeição com a evolução". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 157).

"Neste caso, somente com a teoria da revolta e da queda podemos encontrar uma explicação lógica de tudo, porque dessa forma Deus não é o motor imediato e a causa direta do atual estado de coisas, mas entre Seu operar perfeito e as conseqüências imperfeitas, se haveria interposto o fato novo da revolta, que teria sido a causa dessa imperfeição que não pode ser de maneira nenhuma atribuída a Deus". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 158).

"Esta opinião nos é confirmada, quando observamos que a evolução representa um processo de reconstrução, muito mais do que um processo de criação. Mais do que uma formação do nada, a evolução representa um trabalho de reconstituição, de reintegração do que fora destruído. Não é uma criação nova mas um despertar". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 160).

"Nada disso pode explicar-se senão como lembrança de um paraíso perdido, para o qual torna a impeli-nos uma infinita nostalgia, que vive a cada momento, em nosso insaciável anseio de felicidade". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 185).

"Com a revolta o ser saiu desse estado feliz que no S é natural, espontâneo, fundamental, e caiu na carência dele, guardando no instinto a saudade insaciável do seu estado de origem". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 4, p. 106). (S - Sistema).

"A queda produziu essa posição das individuações em estado de antagonismo contrastante, que é o estado da animalidade e da humanidade atual, explicando-nos, dessa forma, porque em nosso mundo ainda esteja em vigor a lei da luta pela vida e da seleção do mais forte. A biologia comprova a presença dessa lei, mas só a teoria da queda nos explica a sua causa primeira e as reações profundas". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 187).

"A feroz lei da luta pela seleção, dominante no mundo animal e vegetal, a que não se furta também o homem, não passa de uma conseqüência da posição periférica". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 64). (Os grifos são nossos).

Essa feroz luta, só se materializou, no nosso mundo, sendo um dos apanágios do mundo natural, porque o ser abandonou o Paraíso Divino, ou o Sistema, realizando uma dolorosa jornada, um trajeto de transformação para o negativo, de contração da consciência, até a total inconsciência, ao não ser:

"Nesse trajeto, a luz se vai ofuscando até se tornar treva completa, o conhecimento até se tornar ignorância, a liberdade do espírito até se tornar escravidão na matéria, a felicidade até se tornar em dor, a vida transformar-se toda em morte, o bem em mal, a ordem do organismo do Sistema até sua completa inversão no polo oposto do ser no fundo da descida, no completo caos do Anti-Sistema". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo III, p. 44). (Os grifos são nossos).

Observemos detalhadamente as expressões de significados contrários do texto acima: Luz e Treva, Conhecimento e Ignorância, Liberdade e Escravidão, Felicidade e Dor, Vida e Morte, Bem e Mal, Ordem e Caos. Conforme o enfoque que dermos a parte positiva ou a parte negativa, poderemos falar da origem do ser, e dos universos, de forma diametralmente oposta. Se nos referirmos a criação à partir do inicio da evolução as expressões que necessariamente iremos empregar serão: TrevasIgnorânciaEscravidãoDorMorteMal Caos, porque representam a síntese final do processo de queda, contração ou involução e consequentemente o reinício, o ponto de partida do ciclo inverso, a evolução ou expansão. Porém se procurarmos explicar a origem do ser à partir da verdadeira criação, do universo sistemico ou paraíso divino, as palavras que irão definir os conceitos serão: LuzConhecimentoLiberdadeFelicidadeVidaBem e Ordem. Estudemos passo a passo, os dois processos, as duas criações, a criação espiritual e a criação material:

3.5.1) - NO PRINCÍPIO

"No princípio, criou Deus os céus e a terra". (Gênesis, 1:1).

Se substituirmos as palavras os céus por Sistema ou Universos Divinos e a terra por Anti-Sistema ou Universos Materiais, teremos configurado a síntese, dos dois grandes princípios que regem os múltiplos universos: a criação primária, original e que a tudo sobrevive e a criação secundária, relativa, em transformação, resultante da queda:

"Há portanto dois universos: o verdadeiro, de natureza espiritual, perfeito, e uma contrafacção sua, imperfeita, o material, em evolução para a perfeição". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 68). (Os grifos são nossos).

"E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois desse mundo, eu não sou deste mundo". (João, 8:23).

"Além do infinito astronômico existe o maior infinito espiritual". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo II, p. 33).

"Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas? - O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 85).

"O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eternopreexistente e sobrevivente a tudo". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Introdução, Item VI. (Os grifos são nossos).

O mundo espírita, que a tudo sobrevive, não é o mundo dos espíritos desencarnados, das colônias espirituais, que por mais elevadas, ainda pertencem aos mundos materiais, ao binômio tempo-espaço, mas os universos formados de puro pensamento, o Sistema, a morada dos Arcanjos ou Espíritos puros, que não têm mais nenhum contato com a matéria, seja ela qual for. É o universo sem tempo, consequentemente sem espaço, que são dimensões dos universos relativos. É o Universo eterno, primitivo, normal, infinito, absoluto que preexiste ao Anti-Sistema e sobrevive a todos os processos atinentes a evolução:

"Pode-se conhecer o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito? - Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 26).

"Primeira classe. Classe única - Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Item 100, p.94).

"O que fica sendo o Espírito depois da sua última encarnação? - Espírito bem-aventurado; puro Espírito". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 170).

"Não são errantes, porém, os Espíritos puros, os que chegaram à perfeição. Esses se encontram no seu estado definitivo". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho da Resposta à Pergunta 226).

"Os seres que chamamos anjos, arcanjos, serafins, formam uma categoria especial, de natureza diferente da dos outros Espíritos? - Não; são Espíritos puros: estão no mais alto grau da escala e reúnem em si todas as perfeições". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 128).

"Os Espíritos vivem fora do tempo como o compreendemos. A duração, para eles, deixa, por assim dizer, de existir". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho dos Comentários de Kardec à Pergunta 240).

3.5.2) - AS TREVAS

"E havia trevas sobre a face do abismo". (Gênesis, 1:2). Trevas e abismo: o Anti-Sistema a contrafacção do Sistema.

"A descida é gradual e se prolonga até atingir a profundidade do abismo, representada pela completa inversão de valores, ponto em que o Sistema, com todas as suas qualidade, resulta completamente invertido no Anti-Sistema, com as qualidades opostas". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo III, p. 44). (Os grifos são nossos).

"O Anti-Sistema permaneceu no Sistema, diferente dele por estar constituído por elementos de natureza diferente, e portanto bem longe substancialmente e na impossibilidade de misturar-se com ele". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XX, p. 259). (Os grifos são nossos).

"E além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá". (Lucas, 16:26). (Os grifos são nossos).

"Nós, como tudo o que existe, estamos em Deus, porque nada pode existir fora de Deus, nada lhe pode ser acrescentado nem tirado". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo II, p. 34).

A queda não foi espacial, o espaço foi uma das dimensões criadas no processo de contração da consciência, a queda foi interior, dimensional, onde a substância única foi se transformando de Espírito em Energia e desta, em sua fase final, em Matéria, e a matéria desde as suas formas sutis até a que conhecemos como tal. Então, o ser rebelde, não saiu do ponto A e se deslocou para o ponto B, mas ocorreu, numa linguagem mais próxima de nós, uma desorganização do pensamento, uma quebra de sintonia com o Todo, uma perda de conhecimento e visão de totalidade. Permanecemos no todo, estamos cercados pelo Sistema divino por todos os lados, mas não somos capazes de ver e ouvir. O Espírito foi se revestindo de matéria e energia, ou transformando-se em energia e matéria, perdendo qualidades, capacidades ou faculdades até concentrar-se totalmente em si mesmo perdendo o contato com o oceano divino, sem se aperceber que ainda vive, respira e se movimenta neste oceano:

"O ser, com a revolta, arrancou os próprios olhos e não vê mais. Não adianta se a Lei lhe mostra, porque ele se tornou cego. Para que ele a veja, é necessário reconstruir os seus olhos, e isto não pode ser feito senão por ele mesmo, com o seu esforço e sacrifício". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 12, p. 263).

"É verdade que estamos situados no Anti-Sistema, no qual ruiu a ordem do pensamento perfeito. Mas aquele pensamento ali permaneceu latente, desorganizado, mas não destruído, e está à espera de ser reconstruído com o nosso esforço, à medida que o nosso amadurecimento evolutivo puder permiti-lo". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo V, p. 71).

"O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Comentários a Pergunta 18).

"Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade? - Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e comprenderá". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 11).

"Em outras palavras, poder-se-ia dizer que o universo é inteiramente feito dessa primordial Substância conceptual que é o pensamento de Deus, e qual um infinito oceano vibrante, em cujo seio, porém, cada individualidade do ser não vibra da mesma forma, sendo mais ou menos desperta e partícipe, como estado de consciência dessa vibração. Em tudo o que existe, há a possibilidade de poder atingir toda a vibração do pensamento de Deus, mas tal vibração não existe em atividade, ela está latente, adormecida, à espera de gradual despertar. É a este despertar que se denomina evolução". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XIX, p. 225).

3.5.3) - A LUZ

"E disse Deus: Haja luz. E houve luz". (Gênesis, 1:3). Luz: a criação dos Espíritos antes da queda ou do sistema, o verdadeiro universo:

"Como criou Deus o Universo? - Para me servir de uma expressão corrente, direi: pela sua Vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras da Gênese- "Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita"". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 38).

"Além disso, mister é ter presente, que quando falamos de criação, não se trata ainda da criação de nosso universo que conhecemos, mas de uma originária criação, da qual derivou depois a atual. Essa era de puros espíritos perfeitos, bem diferente em toda sua qualidade, daquela em que nos achamos atualmente situados". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo II, p. 38).

"O Absoluto divino só existe no infinito. Sua manifestação (existir - manifestar-se) não pode ter tido um início. Em sua essência totalitária, ele não age no tempo, a não ser no sentido de um átimo de seu eterno devenir, no sentido de uma particular descida Sua no relativo, e neste sentido devem ser entendidas e são compreensíveis as Escrituras". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 63, p. 202). (Itálicos do autor).

"Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos do Item 59).

"Nas galáxias, em que da energia nasce a matéria, está o mais profundo inferno do ser, que atingiu o máximo da descida involutiva, e que daí começa o estafante caminho da subida para Deus". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VII, p. 90).

Não devemos considerar os versículos do Gênesis, como acontecimentos sequenciais. Os textos Mosaicos foram escritos, sem pontuações, separações ou qualquer versículo, os versículos vieram à posteriore. Assim fica fácil de entender, que os escritos não definem uma cronologia ou sequência exata, mas acontecimentos, que ora, segundo as comparações e interpretações que estamos desenvolvendo, se referem ao Sistema, ora ao Anti-Sistema. Luz, pode ser entendida como vida, existir, pensamento, no caso dos Espíritos do Sistema, como luz pura, vida verdadeira ou pensamento puro, daí a interpretação de que as expressões do versículo em foco, traduzem a criação do Sistema ou dos Espíritos parcialmente ou relativamente perfeitos, antes do falso movimento que resultou na queda criando as diferentes dimensões:

"Podemos imaginar-nos o estado antes da criação como um incêndio, com luz e calor, igual em todos os seus pontos; e após a criação, como o mesmo incêndio organicamente dividido em muitas centelhas". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VI, p. 78).

"Pensamento é sempre luz. Uma mente poderosamente intelectualizada, que pensa em ondas de alta freqüência vibratória, produz radiações que podem, por exemplo, ser verdes ou azuis; mas o verde pode ser encantador ou tétrico, e o azul pode ser tenebroso ou sublime". (Áureo, Universo e Vida, Capítulo V, Item 6, p. 78).

"Por isso, o Mestre Inesquecível nos deixou a poderosa advertência daquelas palavras graves: "Se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão tais trevas!" E também por isso Ele nos disse, no seu emulador e sublimal carinho: "Brilhe a vossa luz"". (Áureo, Universo e Vida, Capítulo V, Item 6, p. 78).

"Nele, estava a vida e a vida era a LUZ dos homens." (João, 1:4).

"A LUZ veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz". (João, 3:19).

"Deus é LUZ, e não há nele treva nenhuma". (I João, 1:5).

Para quem se situa no Anti-Sistema, no relativo, a questão da origem, da causa, do início faz sentido e se reveste de importância capital. Daí nos referirmos à criação divina, de forma antropomórfica, da mesma forma que nos referimos aos acontecimentos rotineiros da nossa existência. Mas em Deus, no Sistema, não se pode falar em início, em criação, em origem, estas perguntas ou questionamentos e as tentativas de respostas, não fazem sentido ou não podem ser transferidos ao mundo absoluto, que não se expressa na dimensão tempo, espaço ou matéria, mas sim na não dimensão, na eternidade, no infinito, no Espírito. O amor, que é a maior essência do absoluto, jamais será causal, temporal, o Pai não agiu, nos criando, a partir de um determinado momento ou em razão deste ou daquele motivo, o amor é doação plena, é atrativo, é sincrônico, é unitário. Em Deus não pode ter havido um início ou uma criação. O Deus que criou, cria e criará, não é de forma alguma a realidade do absoluto, mas a manifestação do Deus imanente na condução e direção do fenômeno evolutivo que vai, passo a passo, transformando matéria em energia e energia em espírito, átomo em consciência, consciência em homem, homem em anjo e anjo em arcanjo. O universo é criado e recriado a cada momento.

Das galáxias ao universo único e verdadeiro, de puro pensamento, expresso em uma ordem plena, as ações divinas, podem ser vistas ou avaliadas através de uma dimensão temporal, facilitando a nossa compreensão, um processo didático, mas não podemos transferir esses conceitos e formas ao reino ou universo divino. As perguntas quanto à origem e a criação dos Espíritos soam como alguns questionamentos que hoje são dirigidos aos cientistas, quanto ao inusitado de certas leis naturais, e que suscita interrogações e busca de causas e porquês, que não existem, e que alguns físicos quânticos respondem com outra pergunta, muito semelhante aos Koans orientais : "O número 5, é solteiro ou casado?". A pergunta está fora de seu contexto, não é procedente e muito menos coerente. O mesmo se dá quando falamos em criação, origem e tempo em relação a Deus:

"O homem concebe tudo á sua imagem e semelhança, porque não pode pensar senão com o seu cérebro e a sua forma mental, que é filha do plano físico onde ele se encontra". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 4, p. 104).

"Temos de recorrer a essas representações antropormóficas para tornar inteligível o processo". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XIX, p. 235).

"Deus é o Absoluto e como tal não pode ter contrários nem pontos externos: nenhuma das características do relativo. Suas manifestações não podem ter princípio nem fim. No relativo podeis colocar uma fase de evolução, mas não o eterno devenir da Substância; no finito podeis colocar-vos a vós mesmos e os fenômenos de vosso concebível, mas não da Divindade e suas manifestações. Podeis chamar de criação a um período do devenir e só então falar de princípio e de fim. Neste sentido falam as revelações". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 63, p. 202). (Itálicos do autor).

"Certamente, compreendeis que o absoluto só pode ser infinito em todas as direções; só pode haver limites em vosso relativo; se tivéssemos que pôr limites ao absoluto, esses limites não estariam no absoluto, mas apenas traçados pela insuficiência de vosso órgão de julgamento: a razão; que o universo não só se estenderá infinito em todas as direções possíveis, espaciais, temporais e conceptuais, mas que, em determinado ponto, ele desaparecerá de vossa visão insuficiente e se desvanecerá, para vós, no inconcebível". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 22, p.65).

3.5.4) - LUZ E TREVAS

"E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a Luz e as Trevas". (Gênesis, 1:4).

"Então partiu-se em dois o Sistema: em Sistema e Anti-Sistema, e daí se originou o dualismo. Mas veremos que agora que, ao invés de dizer que o Sistema se dividiu - o que implica a idéia de que se estragou - é mais exato dizer que o Sistema permaneceu perfeitamente íntegro como era, de estrutura inviolável, e que o Anti-Sistema foi o produto da expulsão que ele se fez dos elementos rebeldes". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VII, p. 89).

"O homem está suspenso entre dois centros de atração, o do Sistema e o do Anti-Sistema, um que o ajuda a subir em direção evolutiva e o outro que o tenta para fazê-lo descer em direção involutiva". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 177).

"Este dualismo é o binário, guia e canaliza o movimento, sobre o qual avança a grande marcha do transformismo evolutivo; tanto que, sob esse aspecto, concebe-se uma cosmologia dualista. O monismo é dualista em seu íntimo devenir". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 39, p. 116).

"Cada adjetivo, cada coisa possui seu contrário; cada modo de ser oscila entre duas qualidades opostas. Cada unidade é uma balança entre esses dois extremos e equilibra-se neste seu íntimo princípio de contradição". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 39, p. 117).

"O caminho da evolução não é tranquilo, mas se realiza no choque entre essas duas forças contrárias". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 7, p. 150).

"Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz". (Efésios,5:8).

Os espíritos são criados da mesma substância divina - Imagem e Semelhança. Relativamente perfeitos - A LUZ ERA BOA - se comparados à perfeição absoluta do Pai - "E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus". (Mc 10:18). Luz e Trevas, Sistema e Anti-sistema. O Anti-sistema é uma bolha quântica em expansão, contida pelo Sistema:

"É assim que cada um deles não podia ser onisciente, porque a parte pode ter um conhecimento perfeito, nos limites do próprio ser, sem poder alcançar o conhecimento do Todo. É óbvio, pois, que para seres perfeitos, mas limitados em face de Deus. Que, como é lógico, devia ser mais do que eles, pudesse existir uma zona que o seu conhecimento não podia atingir. Essa zona do ignoto foi o campo da queda". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 127). (Os grifos são nossos).

"Foi assim, pois, que para os espíritos puros existiu uma zona situada além do seu conhecimento, zona reservada a Deus, na qual eles não deveriam, nem poderiam entrar, sem formar um estado de anarquia, que teria atentado contra o próprio sistema. Era essa uma zona em que deveria somente acreditar, obedecendo. Ela possuía, desta forma, a função de propiciar como que um exame, um consentimento pedido e feito por Amor, livremente, uma argüição com o qual o Criador interrogava a criatura, para que ela declarasse a sua aceitação: sem coação, permutando Amor com Amor. Eis a zona em que podia nascer e nasceu o erro.

Alguns espíritos responderam com obediência, aceitando por Amor e por fé, permanecendo fiéis a Deus, em Sua ordem. Outros, todavia, sempre livres, desejaram ultrapassar o limite prefixado, entraram usurpando poderes, no domínio proibido, reservado somente a Deus. Eles quiseram usar a liberdade, poderio e sabedoria recebidos de Deus, para dilatar ainda o princípio do "eu sou", que Deus havia colocado com base dos seres, à Sua imagem e semelhança". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 128). (Os grifos são nossos).

"Num Sistema assim, um conceito de liberdade-capricho, feita de arbítrio que possa mover-se loucamente, não pode existir. Tal como as células em nosso corpo também no sistema, cada criatura era livre, mas dentro das margens da disciplina que rege o todo. Livre, mas sempre em função do todo". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo IX, p. 109).

"Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente para a perfeição? - Certamente. Eles a alcançaram mais ou menos rápido, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa do que outra recalcitrante?" (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 117). (Os grifos são nossos).

"O que expulsou e isolou os espíritos rebeldes não foi um afastamento espacial, mas foi o seu comportamento". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XX, p. 259).

"Por conseguinte, não podendo os elementos rebeldes existir além e fora do infinito todo, nem podendo pensar-se numa saída deles, temos de imaginar a queda numa forma que se tenha realizado ainda que todos tenham permanecido dentro de todo o sistema". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XX, p. 258).

"Dessa forma eles se isolaram num funcionamento próprio antagônico ao do todo" (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XX, p. 258).

"E a luz resplandece nas trevas, e as TREVAS, não o compreenderam". (João, 1:5).

A zona do ignoto, o oceano imenso de conhecimento, que separava o Criador da Criatura, foi o campo da queda, porque a criatura quis expandir, conscientemente, a própria individualidade, esquecendo-se dos avisos e chamamentos divinos, negando-se ao convite amoroso de aceitação e submissão, utilizando-se do livre arbítrio primordial, para invadir o campo de pensamento que estava bem além dela, que pertencia a vivência da totalidade em regime sistêmico, no qual o egocentrismo, que é a base do ser ou da individualidade, deveria assumir a forma ou movimento altruísta, para que ela alcançasse pela renúncia e obediência a plenitude do "eu sou". No entanto, ao fazer o movimento imbuído do expansionismo individualista, cria o egocentrismo egoísta, gerando o orgulho, que leva à inconsciência, à incredulidade, ao erro, ao mal, à morte ou à contração da consciência:

"E formou o SENHOR DEUS um jardim no Éden, na banda do oriente, e pôs ali o homem que tinha formado". (Gênesis, 2:7).

"Com a criação, Deus já situara a criatura no Sistema. Mas, em respeito ao Seu próprio princípio de liberdade Ele esperou a confirmação da criatura, que iria corroborar e fixar com um ato próprio de livre vontade, a sua posição, a fim de que ela tornasse definitiva". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 171).

"Competia, agora, à criatura, equilibrar o impulso egocêntrico do "eu sou" com o impulso altruísta do Amor". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 171).

"A criatura deveria, pois, necessariamente encontrar-se ante a encruzilhada da escolha". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 45).

"A estrutura do edifício de conceitos e forças do Sistema, a natureza do Criador e da criatura, os fins a atingir além da prova, tudo isto conduzia à necessidade de que a criatura devesse encontrar-se só e livre na encruzilhada da escolha". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 45).

"E tomou o SENHOR DEUS o homem e o pôs no jardim do Éden para lavrar e guardar". (Gênesis, 2:15).

"O Sistema era um organismo, e, para mantê-lo em seu estado orgânico, era indispensável essa força íntima, profunda, que era fruto de plena convicção e aceitação, poder de coesão que só o Amor pode dar e jamais poderia ser a imposição coagida". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 170).

"E ordenou o SENHOR DEUS ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás". (Gênesis, 2:16).

"O ato de obediência da criatura era o único passaporte que lhe dava o direito de entrar como participante do Sistema". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 171).

"Eles conheciam esse seu dever, viam que a disciplina era necessária para o bom funcionamento do todo, conheciam a lei que ordenava obediência e sabiam que essa Lei exprimia o pensamento e a vontade de Deus". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VII, p. 87).

"Deus é centro, não para sujeitar, mas para atrair, não para absorver, mas para irradiar, não para tomar, mas para dar". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo III, p. 38).

"Por Amor te peço, pois que és meu filho, que me retribuas o Amor com que te gerei."

Após essas palavras, por um instante ficou suspensa a respiração do universo, enquanto as falanges dos espíritos criados oscilavam em cósmicas ondulações. O ser olha e pensa. Ele sente o poder que lhe vem do Pai, uma imensidade que o torna semelhante a Deus. É livre, como um "eu sou" autônomo, senhor do seu sistema, das suas forças e equilíbrios interiores. A sua própria estrutura, permeada de divina grandeza, impele-o a repetir em sentido autônomo, separatista, o egocentrismo que ele continha do "Eu Sou" máximo: Deus.

Mas, do outro lado há uma força oposta, anti-egocêntrica, tendente a neutralizar a primeira: o Amor. Ele se manifesta como silenciosa atração, que se impõe por bondade. Quem compreendeu esse apelo, verdadeiramente compreendeu Deus". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 47).

"A escolha foi por eles feita, e o universo, abalado até aos fundamentos que estão no espírito, estremeceu e parte dele desmoronou, involvendo na matéria". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IV, p. 50).

"Conseqüentemente a parte que ficou fiel ao princípio orgânico, permaneceu na ordem e a parte que aderiu ao princípio oposto precipitou-se na desordem. Nesses seres o egocentrismo crescera até superar o limite pré-estabelecido, precipitando-os assim na imperfeição e na ignorância, nas quais foi possível o erro e a queda". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 172).

"Como caíste do céu, ó Lúcifer, como foste cindido e abatido até a Terra? E no entanto dizias em teu coração: Tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo". (Isaías, 14:12).

"Então, disse o SENHOR DEUS: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal". (Gênesis, 3:22).

"A causa de tamanho mal foi o desequilíbrio e o exagero do egocentrismo, o fato de que ele prevaleceu sobre o Amor e assim o destruiu; e, com esta destruição, privou o Sistema de toda a sua força coesiva e unificadora. É natural, então, que este se tenha automaticamente desagregado, porque o egocentrismo egoísta só pode separar e destruir qualquer organização". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 172).

Os Espíritos que caíram ficam conhecendo diretamente o mal porque ao concentrarem-se em si mesmos, reforçam a própria autonomia, isolando-se, juntos com os seus iguais, dentro do Sistema de onde nunca saíram. Destacam-se da ordem, por perderem o contato com o bem, o amor e o conhecimento, oriundos do TUDO-UNO-DEUS. O mal é apenas a carência, ou o vazio do bem, do amor, UMA CRIAÇÃO TEMPORÁRIA DA CRIATURA, nascida da ausência do bem, da negação do princípio da totalidade:

"O pecado da revolta foi, com efeito, um pecado de orgulho, de exagero e superestimação do eu, um pecado de egoísmo. Nisto consiste a revolta". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 172).

"É evidente que tudo isto não pode ser obra de Deus, pois Ele não pode errar, e sim obra de uma criatura, que podia e livremente quis errar". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 140).

"A morte é um estado de obscurecimento de consciência que o ser possuía no estado de Sistema". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVII, p. 220).

"Foi por isso que, apesar de seu desejo de criar um sistema próprio - ainda que em posição invertida, seguindo seu impulso de afastamento - os elementos rebeldes tiveram de continuar a gravitar para Deus, pois só em função Dele é possível a existência tanto dos obedientes como dos rebeldes". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 139).

"E, havendo LANÇADO FORA o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden e uma espada inflamada que andava ao redor, para GUARDAR O CAMINHO DA ÁVORE DA VIDA". (Gênesis, 3:24).

"Expulsar, não quer dizer expulsar do todo que o Sistema abarca, o que seria absurdo, pois nada pode existir além do todo. Expulsar, quer dizer colocar para fora da ordem, fora da parte que, no todo do Sistema, permaneceu ordenada na Lei". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 138).

"Quando o ser desmorona na matéria, ele perde a consciência e todas as demais faculdades. Então a Lei o substitui completamente em tudo e ele fica totalmente sujeito ao determinismo escravo a que também está sujeito a matéria. Evolvendo, o ser desperta sua consciência, o que significa reencontrar a Lei, compreendê-la e perceber cada vez mais o prejuízo e o absurdo de revoltar-se contra ela. Isto também significa começar a colaborar, reentrando assim pouco a pouco na ordem, o que quer dizer assumir cada vez mais funções diretivas de operário da Lei e de instrumento de Deus". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo IX, p. 110).

"Assim, o sistema termina sempre na perfeição desejada. A primeira dada por um conhecimento intuitivo, sem a prova da dor; a segunda por um conhecimento experimental através do longo e estafante caminho da evolução. A primeira permanece intacta, imune a corrupção; a segunda, degenerando-se para depois curar-se. Não importa se o caminho é mais ou menos longo. Esta outra estrada conduz igualmente à meta". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 75).

3.5.5) - IMAGEM E SEMELHANÇA

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança". (Gênesis, 1:26).

"A verdadeira criação foi única, a dos espíritos puros, isto é, a que Deus realizou em Seu seio, distinguindo-se interiormente em muitos "eu sou", feitos à Sua imagem e semelhança. O nosso universo físico não foi uma criação, foi um desmoronamento da criação". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 121).

"A primeira criação dos puros espíritos gerou então as criaturas estritamente individualizadas por suas características pessoais, como Deus. Só assim torna-se possível admitir nelas tantas qualidades que temos de reconhecer como necessidade lógica, que nos obriga a admitir também a da individuação. Essas qualidades eram: liberdade, conhecimento, posição hierárquica bem definida, função individual no estado orgânico do Sistema etc.

Desse modo, todos os elementos, tanto do Sistema quanto depois, já decaídos no Anti-Sistema, permaneceram sempre individuados". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 187).

"É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do Espírito". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho da Resposta à Pergunta 600).

Somos da mesma substância da divindade, mas não temos a mesma potência, não somos idênticos, conseqüentemente não possuímos o mesmo saber. Onde não há conhecimento existe a possibilidade do erro, desde que o ser, deixe os limites da individualidade, ultrapassar o da totalidade:

"A revolta padeceu de um erro fundamental de estratégia: o de haver confundido semelhança com identidade. Deus, na Sua bondade para com a criatura e por amá-la, fizera-a semelhante a Ele, mas não idêntica, isto é, da mesma natureza, mas não da mesma potência". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 75).

"Vou para o Pai, porque o Pai é MAIOR DO QUE EU". (João, 14:28).

"O erro dos rebeldes estava justamente inserido em sua natureza egocêntrica de "eu sou", como uma conseqüência sua, direta, pois consistiu em sua dilatação exagerada, a ponto de iludir-se, acreditando que semelhança pudesse vir a ser identidade". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 75).

"Efetivamente a ela nada faltava como qualidade, faltava um pouco somente como quantidade, foi essa quantidade que o orgulho admitiu que pudesse criar por meio da potência do próprio "eu sou", retirando-a desse "eu" já tão divinamente poderoso. Enganou-se porém". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 75).

"O dom da liberdade, concedido por Deus à criatura, para que ela se Lhe assemelhasse, era completo. Ela poderia aceitá-lo, grata, como poderia ter dito: "Não! Não aceito". A revolta foi o primeiro passo no sentido desta recusa, visto que a tentativa de existência autônoma era, mantendo-se negativa, uma primeira tentativa de não-ser". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 72).

"Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade dos seus atos e das suas conseqüências; nada lhe estorva o futuro; o caminho do bem está à sua frente, como o do mal. Mas se sucumbir, ainda lhe resta uma consolação, a de que nem tudo acabou para ele, pois Deus, na sua bondade, permite-lhe recomeçar o que foi mal feito". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho da Resposta à Pergunta 258-a).

"Então, muitos "Deuses" menores, feitos de substância divina, livremente decidiram tornar-se "Deuses" maiores, iguais a Deus. (...). Mas não foi assim para todos os seres. A balança em que foram colocados os dois impulsos, para uma outra multidão de espíritos se inclinou, ao invés, para o lado Amor, oposto ao da rebelião por orgulho". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IV, p. 50).

"O orgulho é que gera a incredulidade". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho da Resposta à Pergunta 09).

"Este sistema rebelde é formado de muitos "eu sou" menores, que, ao invés de coordenarem-se hierarquicamente no sistema de Deus, quiseram isolar-se, formando uma hierarquia oposta de centros autônomos". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VII, p. 73).

"E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos. Mas não prevaleceram; nem mais o seu lugar SE ACHOU NOS CÉUS". (Apocalipse, 12:7 e 8).

Uma pergunta natural, para quem se situa no relativo, é a de quantos espíritos caíram, após o movimento de escolha ilusória, sofrendo a contração da consciência, originando as numerosas dimensões do Anti-Sistema. O número de Espíritos, naturalmente, será incomensurável, mas não infinito:

"O conceito de infinito é completamente diferente do de indefinido, inumerável, incomensurável, por maior que seja, jamais poderá esgotar o infinito, que só poderá sentir qualquer subtração, quando dele se subtrai outro infinito". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 198).

"Mas quem quisesse ter uma idéia do número que poderia medir a quantidade dos elementos constitutivos do Anti-Sistema, por exemplo, no plano representado pela matéria, experimente contar o número dos elementos que compõem os átomos existentes em todo o universo.

Como se vê, se não encontramos o infinito, porque nos achamos no Anti-Sistema, encontramos sempre uma quantidade incomensurável, o que, praticamente, equivale ao infinito". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 198). (Os grifos são nossos).

"E a sua cauda levou após si A TERÇA PARTE das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra". (Apocalipse, 12:5).

No meio cientifico da atualidade existem duas teorias, que complementam e ratificam a Teoria da Queda. A primeira é a do Big Bang, que mostra o início do universo, a partir de uma singularidade, há mais ou menos 13,5 bilhões de anos, iniciando por um minúsculo ponto, do tamanho de um bilionésimo do próton. E a segunda, é a do Big Crush, quando o universo vai perdendo paulatinamente a velocidade de expansão atual, num cenário onde a força da gravidade predomina até ocorrer uma nova singularidade e tudo ser reduzido a um ponto um bilhão de vezes menor que o proton. Se a matéria é energia congelada, e a energia por sua vez pode ser vista como espírito congelado, entende-se que por contração das consciências o universo material surja e por expansão, pelas vias da evolução, o universo material desapareça. Não nos esqueçamos porém que existem sistemas de universos e que este processo ocorre em ciclos infinitos de formação, desenvolvimento, evolução e retorno ao plano ou paraíso de unidade e plenitude:

"Cada universo tem uma medida de unidade própria, que consiste em sua dimensão.Como se passa, por evolução, de uma fase para outra, como vimos na transmutação das formas da substância, em que os universos aparecem e desaparecem, assim por evolução, passa-se de uma dimensão a outra e as unidades de medida do relativo aparecem e desaparecem". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 35, p. 105). (Itálicos do autor).

"Assim como involução havia significado expulsão, assim evolução significa reabsorção; dois movimentos compensados, inversos e complementares, que se equilibram. Assim a energia é prisão do espírito, tal qual a matéria é energia congelada. Se o primeiro movimento vai na direção do aprisionamento, o segundo segue na direção da liberdade. Por isso a matéria deve ser reabsorvida pela energia e esta pelo espírito. No fim tudo termina em Deus, que fora o ponto de partida. Deus é sempre o centro de tudo. E tudo se reduz a um movimento que partindo de Deus, volta a Deus. O ponto "alfa "coincide com o ponto "ômega"". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VIII, p. 97).

"Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo poderoso". (Apocalipse, 1:8).

3.5.6) - MACHO E FÊMEA

"E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou". (Gênesis, 1:27).

Macho - princípio masculino: a Totalidade. Fêmea - princípio feminino: a Individualidade. Concebendo as palavras do Gênesis, nesse enfoque, fica fácil visualizar que a individualidade foi um princípio derivado da totalidade, tal qual os símbolos Adão e Eva. Eva se origina da costela de Adão, ou seja, dos princípios oriunda da totalidade. Tanto é verdade que a individualidade é o princípio que nos dá a consciência de ser, existir, poder dizer "Eu Sou". E não deve ser por outra razão que no Gênesis ainda encontramos:

"E chamou Adão o nome de sua mulher Eva, porquanto ela era a mãe de todos os viventes". (Gênesis, 3:20).

A maioria das figuras bíblicas, notadamente no Gênesis, são personificações de forças ou fenômenos, que foram tomadas como realidade, em sua significação literal. São figuras emblemáticas. As revelações feitas pelos Espíritos, em todas as épocas da humanidade, para que fossem também úteis ao futuro, tiveram de se revestir de símbolos, comparações e serem expressas na forma de histórias ou parábolas:

"Não será esse o significado profundo que se oculta na simbólica narração da Bíblia, de Adão e Eva tentados pela serpente, que já era anjo rebelde e decaído, a fim de comerem o fruto proibido, e depois expulsos por sua desobediência do paraíso terrestre?

Os seres rebeldes enganaram-se quanto ao resultado de sua revolta, mas eles bem sabiam que isto era uma revolta contra a ordem. Seu erro e culpa foi de querer substituir à ordem, chefiada por Deus, outra ordem chefiada ao invés pela criatura. O movimento assume exatamente a forma de inversão". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VII, p. 88).

"É o que se contém na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação, outros resistiram". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 122).

O uso de figuras, emblemas, símbolos, comparações, nas várias etapas da revelação, dadas em todas as épocas, pelos prepostos do Cristo, se deve as limitações da nossa linguagem humana e a impossibilidade ou dificuldade de expressar algo, que vai bem além dos horizontes do nosso entendimento. Recorrem, portanto, a imagens mentais, para expressar a realidade, ou fenômenos, fora dos limites evolutivos, onde ainda nos situamos:

"Depois, os próprios Espíritos esclarecidos podem exprimir-se em termos diferentes, cujo valor, entretanto, é, substancialmente, o mesmo, sobretudo quando se trata de coisas que a vossa linguagem se mostra impotente para traduzir com clareza. Recorrem então a figuras, a comparações, que tomais como realidade". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 143).

"Estais sempre inclinados a tomar as palavras na sua significação literal." (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 54).

"Muitíssimo incompleta é a vossa linguagem, para exprimir o que está fora de vós. Teve-se então que recorrer a comparações e tomastes como realidade as imagens e figuras que serviram para essas comparações. À medida, porém, que o homem se instrui, melhor vai compreendendo o que a sua linguagem não pode exprimir". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Resposta à Pergunta 966).

"Nunca poderemos deixar de esclarecer e avisar que aqui não podemos oferecer a realidade do fenômeno em sua substância, mas apenas imagens mentais humanas dessa realidade, que nos escapa em sua essência. É mister, pois, aceitá-las tal como são, e não entendê-las como expressão definitiva, que esgote a realidade". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIX, p. 247).

"De onde procede a doutrina do fogo eterno? - Imagem, como tantas outras, tomada como realidade". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Resposta à Pergunta 974).

3.5.7) - O EGOCENTRISMO

"Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida DESDE O PRINCÍPIO e não se firmou na verdade; porque NÃO HÁ VERDADE NELE; quando ele profere mentira, FALA DO QUE LHE É PRÓPRIO, porque é mentiroso e pai da mentira". (João, 8:44).

"Os seres que chamamos demônios são os involuídos, com instintos bestiais, e não é preciso ir buscá-los muito longe, porque o nosso mundo está cheio deles. Os que negam a existência do inferno, basta que olhem em redor para tocá-lo com as mãos. Os demônios - não importa o lugar em que se encontrem - são os seres inferiores; e os anjos são os superiores". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIV, p. 177). (Os grifos são nossos).

O egocentrismo que dá origem a individualidade, pode ser integrado e desenvolvido em duas direções: altruísmo ou egoísmo. Quando o ser, escolhe o altruísmo, ele se direciona para a totalidade, integrando a sua individualidade à unidade, permanecendo no Sistema, firmando-se na verdade. Caso contrário, ocorre a queda, pela hipertrofia do eu, por escolha egocêntrica egoísta, por isso, que desde o princípio, podemos ser denominados filhos do "Diabo" ou da mentira ou da ilusão ou do engano. Do orgulho nascem todos os outros vícios, a negatividade ou deformidades inerentes a queda. O orgulho neutraliza, inverte ou "mata", todas as qualidades que herdamos de Deus-Pai. Os espíritos que sofreram a contração da consciência são "homicidas" porque mataram ou transformaram em estado de latência todas as virtudes divinas. É por essa razão, que somente quando extirpá-lo da nossa intimidade, ou melhor, invertê-lo, em ações altruístas, é que retornaremos ao Sistema, atingindo a perfeição:

"Meus filhos, na máxima: Fora da Caridade não há salvação, estão contidos os destinos do homem sobre a Terra e no céu". ( Paulo, Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XV, p.202). (Itálicos do original). (Os grifos são nossos).

"O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para a matéria inorgânica". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 888-a).

"O egoísmo poderia então denominar-se egocentrismo involuído, fechado e limitado em si mesmo, enquanto o altruísmo seria o egocentrismo evoluído, aberto e expandido no Todo". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo III, p. 37).

"Não foi a queda, pois, que criou os egocentrismos: criou apenas o egoísmo, que os afastou, uns dos outros, como inimigos. A queda quis substituir ao egocentrismo unitário de Deus, em torno do qual se haviam coordenado todos os outros egocentrismos em Sistema, uma pulverização de egocentrismos separados, cada um tornando-se centro de si mesmo". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 188). (Os grifos são nossos).

"Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical? - Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios e vereis que do fundo de todos há egoísmo. Por mais que lhes deis combate não chegareis extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Resposta à Pergunta 913). (Os grifos são nossos).

"O egoísmo é portanto o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem. Digo coragem, porque esta é a qualidade mais necessária para vencer-se a si mesmo do que para vencer aos outros". (Emmanuel, Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XI, p.151).

3.5.8) - A PRIMEIRA CRIAÇÃO

A primeira criação é, como já ficou claro, a criação verdadeira ou a origem espiritual do ser. É a criação fora do espaço e do tempo, imaterial, perfeita, orgânica, sistêmica, amorosa, realizada na ordem e na liberdade absoluta:

"As criaturas saídas das mãos de Deus só podiam ser espíritos e perfeitos, porque saíram das mãos de Deus e porque eram espíritos. O estado de perfeição só pode existir no estado espiritual". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 157).

"O Sistema assumiu a estrutura orgânica sobretudo porque a criação de tantos seres diferentes se baseava no princípio do Amor, que foi a força que continuou a cimentá-los, o impulso que devia mantê-los unidos em sistema, o único possível num regime de absoluta liberdade. Por isso não podia ser eliminada a priori no Sistema uma possibilidade de revolta, justamente porque a vida do organismo não podia basear-se senão sobre uma livre aceitação. Não podia ser impedida a revolta violando a liberdade dos espíritos com o reduzi-los à escravidão, mas apenas pela força do princípio do Amor, que deveria funcionar neles em direção a Deus com a mesma plenitude com que aquele princípio havia funcionado de Deus para com eles. Princípio de Amor, ao qual unicamente vinha de modo livre confiada a tarefa de frear e disciplinar o impulso oposto separatista do egocentrismo individual, a cujo predomínio foi devida a revolta. Porque foi uma rebelião contra o princípio fundamental da criação, foi grande essa culpa e conduziu a consequências tão dura". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 161). (Os grifos são nossos).

"Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 843).

"Jamais o priva do seu livre-arbítrio: se deste faz ele mau uso, sofre as conseqüências". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 1006).

O princípio do amor e conseqüentemente da liberdade rege toda a criação, tanto no Sistema como no Anti-Sistema. O livre arbítrio é patrimônio sagrado e inviolável da criatura. Todo processo deve funcionar em impulsos de livre e consciente aceitação, em qualquer nível. A permanência no Sistema ou o retorno do ser, oriundo das mais diferentes dimensões do Anti-Sistema, é dado em regime de livre escolha. Viver significa escolher, até que a harmonia e a reconquista do amor na unidade, nos faça escolher sempre o bem e a Lei divina: "Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou". (João, 6:38). Nos primórdios da criação, quando o espírito rebelde, optou pela individualidade, negando a totalidade, ele se afastou vibratoriamente do Criador e de toda a criação, se isolando e densificando a vibração que lhe era própria, criando assim com os seus iguais, os estados conscienciais dissonantes e as diversas dimensões espirituais, energéticas e materiais onde passaram a viver:

"Deus, por ser Amor, não pode querer a criatura forçadamente prisioneira do Seu Amor. Ele limita-se a atraí-la. Eis uma nova característica do Sistema, que não pode admitir da parte da criatura, senão uma correspondência de caráter espontâneo, sem qual não há amor". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IV, p. 46).

"Com a criação dos espíritos, formaram-se, na substância homogênea, muitos núcleos de pensamento, constituídos de vibrações, cada uma de seu tipo. Disso nasceu o novo estado diferenciado, formado pelas individuações dos vários "eu". Ora, muitos deles pensaram conforme a Lei, assim permanecendo, porque constituídos de pura vibração de pensamento, em seu seio. A Lei representava o pensamento de Deus que tudo dirigia e regia, e permaneceram na ordem do Sistema os espíritos que continuaram a existir em uníssono com esse pensamento. Mas outros espíritos, ao invés, pensaram contra a Lei. E porque constituídos de pensamento, eles se acharam assim fora dela. Desse modo, caíram fora da ordem, na desordem, os espíritos que não quiseram viver sintonizados harmonicamente com o pensamento de Deus, representado pela Lei. Dessa forma eles se isolaram num funcionamento próprio antagônico ao do todo". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XX, p. 258). (Os grifos são nossos).

"E escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim". (Gênesis, 3:8).

Para retornar o espírito necessita readquirir pelos próprios esforços o conhecimento e o amor a Deus e ao próximo, daí serem estes requisitos os primeiros e o maior de todos os mandamentos para o seres decaídos. Mandamentos que ressumem todas as leis e profetas:

"No suor do teu rosto, comerás o teu pão". (Gênesis, 3:19).

"O pão nosso de cada dia dá-nos hoje". (Mateus, 6:11).

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu, se alguém comer desse pão, viverá para sempre". (João, 6:51).

"Destruíste o esplêndido edifício. Contudo, continuarás a ser meu filho. Reconstruirás, porém, tudo com o teu esforço". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IV, p. 49).

"E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu CORAÇÃO, e de toda a tua ALMA, e de todas as tuas FORÇAS, e de todo o teu ENTENDIMENTO e ao próximo como a TI MESMO". (Lucas, 10:27).

"E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. NÃO HÁ OUTRO MANDAMENTO MAIOR DO QUE ESTE". (Marcos, 12:29 a 31).

"Porque, em a Natureza, tudo é amor: o egoísmo é que o mata". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos dos Comentários à Pergunta 980).

"Em que consiste a felicidade dos bons Espíritos? (...) o amor que os une lhes é fonte de suprema felicidade. (...). Somente os puros Espíritos gozam, é exato, da felicidade suprema, (...). (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 967).

"Daí vem que ela não pode gozar de felicidade perfeita, senão quando esteja completamente pura". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 979).

"Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus". (Mateus, 5:48).

"Eu sou o Deus Todo poderoso, anda em minha presença e sê perfeito". (Gênesis, 17:1).

"O grande modelo é Deus, que todos os seres, inclusive o homem, devem seguir". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo III, p. 36).

"Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas". (Mateus, 7:12).

3.5.9) - A SEGUNDA CRIAÇÃO

"E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feita alma vivente". (Gênesis, 3:20).

"Isto prova que a vida é uma fusão de dois mundos, pois enquanto é matéria é, ao mesmo tempo, fecundação desta, por obra de um princípio dinâmico superior, a energia. O corpo feito de barro, recebeu a alma do céu, o sopro divino". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 58, p. 181).

"No composto humano, achamos os elementos que vão do mineral ao espírito, porque ele está percorrendo em subida a estrada da evolução que nos transforma um no outro". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVIII, p. 233).

"Porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão". (Lucas, 3:8).

Aqui temos a descrição da segunda criação, o homem surgindo do átomo, do pó da terra, a partir da evolução, no momento de transformação da matéria inorgânica em matéria orgânica: e soprou nos seus narizes o fôlego da vida (a energia vital, o fluído vital e a alma ou espírito). Os Espíritos Reveladores, ao responderem a questão 115 de "O Livro dos Espíritos", partem deste mesmo trecho do Gênesis, do início da evolução, para definir a origem dos Espíritos. Não se referem à primeira Criação, antes do ciclo de queda ou involução, que originou o ciclo de evolução. O nosso universo ou os sistemas de universos energéticos e materiais existentes, não representam a verdadeira criação divina, são, antes de tudo, o resultado da contrafacção do estado de puro pensamento para as diferentes manifestações vibracionais em dimensões que vão do + infinito ao - infinito:

"A contemplação desta visão leva-nos a uma conclusão estranha: que o nosso universo, esse que a ciência estuda e que aceitamos como base de pesquisa para o conhecimento, não representa a criação nem o verdadeiro estado do ser, mas apenas um estado patológico transitório, de que, só indiretamente, podemos reconstruir no estado perfeito e definitivo". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo IV, p. 52).

"O universo que a ciência estuda é exatamente este invertido, em que o Uno está pulverizado na infinita multiplicidade fenomênica do relativo". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VIII, p. 84).

"Nosso universo é uma clínica onde se curam os enfermos da doença de rebeldia". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 160).

"Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus? - Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi assinada." (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Resposta à Pergunta 115).

"Quando se vos falou do Espírito no estado de infância, no estado, por conseguinte, de ignorância; quando se vos disse que o Espírito era criado simples e ignorante, tratava-se, está bem visto, da fase de preparação do Espírito para entrar na humanidade. Fora inconsequente, então, dar esclarecimentos sobre a origem do Espírito. Notai que ela foi deixada na obscuridade. Ainda hoje seria cedo para desenvolver esse ponto". (J. B. Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo Primeiro, Item 56, p. 295).

"Como se vê, trata-se de coisa bem diferente da criação de espíritos simples e ignorantes. Kardec não entrou no problema porque não seria aceito nem compreendido. Mas, tendo que apresentar de qualquer forma um ponto de partida, escolheu um, no percurso de todo o processo, que está mais próximo a nós, tal como fez a Bíblia, que parte da segunda criação material, efeito da queda. E não podia fazer de outra maneira, pois estava falando a criaturas que ignoravam muitos conceitos que só são admitidos hoje. Assim também Kardec e os espíritos não podiam falar uma linguagem que teria sido incompreensível para aquela época, porque para as mentes de então era absolutamente uma equivalência entre matéria e energia e uma evolução físico-dinâmico-espiritual". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo X, p. 120). (Os grifos são nossos).

Os Espíritos Reveladores, naquele momento histórico da Codificação Kardequiana, ainda não podiam referir-se diretamente aos acontecimentos, que teria ocorrido antes do processo evolutivo, porque naquela época, o tempo e o espaço, ainda eram considerados absolutos. Não haviam nascido as concepções revolucionárias da Teoria da Relatividade Restrita e da Teoria da Relatividade Geral e muito menos as formulações intrigantes da Física Quântica. A Teoria da Evolução dava os seus primeiros passos. As conexões entre matéria e espírito, e energia e matéria estavam muito longe de serem expressas como nos dias que correm.

Seria inconsequente, como bem disse Roustaing, tecer comentários, a respeito do tema de forma inequívoca, era cedo demais, Kardec, como comenta Ubaldi, não seria compreendido e muito menos aceito. A criação da matéria, a origem dos Espíritos, a Criação Divina e seus aspectos, entre outros temas ou questões, foram deixados na obscuridade aguardando o porvir:

"A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por ele em dado momento? - "Só Deus o sabe. (...)". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 21).

"O princípio das coisas está nos segredos de Deus. (...)". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta a Pergunta 49).

"Quando, porém, ao modo por que nos criou e em que momento o fez, nada sabemos". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta a Pergunta 78).

"Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 81).

"De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 72-a). (Os grifos são nossos).

A primeira obra de Pietro Ubaldi, após a recepção das primeiras Grandes Mensagens, é denominada de A Grande Síntese, porque Sua Voz traça uma síntese orgânica entre a Ciência, a Filosofia, a Religião e a Arte, dando início às revelações, que paulatinamente, ao longo de outros vinte e três volumes, detalham o percurso completo do ser em suas etapas evolutivas e involutivas, adentrando as questões últimas, da origem do Espírito. Ela só foi possível, porque a revolução da Física já havia iniciado, a Psicologia, graças aos trabalhos do genial Freud e de vários dos seus antecessores, colaboradores e opositores, já vinha demonstrando os labirintos e complexidade do psiquismo do Homem e a Biologia, juntamente com tantos outros campos do saber humano, ganhavam novas interpretações e teorias, só então foi possível avançar, mas mesmo assim, determinados pontos e a compreensão verdadeira de vários fundamentos e princípios só surgirão com o avançar das décadas e dos séculos:

"Em cada época de transição só lhe é dito e dado aquilo que ele [O Homem] pode suportar".(J. B. Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo Primeiro, Item 14, p. 152) (A expressão entre chaves é complemento nosso).

"Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 801).

"(...). O homem as compreende melhor à proporção que se eleva acima da matéria". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho da Resposta à Pergunta 12).

"Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos achais. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em estado de comprendê-las e semelhante revelação os pertubaria". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Resposta à Pergunta 182). (Itálicos do autor).

"(...) a cada época se deve falar a linguagem conveniente, para ser-se compreendido e sobretudo escutado". (J. B. Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo Primeiro, Item 22, p. 172).

"Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora". (João, 16:12).

O ponto de partida do Texto Kardequiano foi a Simplicidade e a Ignorância, isto é sem saber, porque este estado, é uma das conseqüências da contração da consciência, quando a verdade e as potencialidades divinas se tornam latentes, assumindo a forma de sementes, a serem desenvolvidas no percurso evolutivo:

"A evolução dá-nos um sentido de expansão, de superação de limites, de emersão do baixo para o alto, de libertação da prisão. O fenômeno da involução apresenta-se-nos com as características opostas. Aparece-nos ela com um processo de contração, e a evolução, ao contrário, como de expansão. Isso nos leva a pensar que na estrutura do espírito, no estado puro em que fora criado, já que tudo tinha sido previsto, deveriam existir as posições, através das quais se teriam podido operar aquelas transformações, que constituem o processo involutivo e evolutivo.

Em outros termos, na estrutura dos espíritos criados devia existir, no estado latente ou embrional como de semente, as posições que depois aparecem no período evolutivo, ou seja, energia e matéria. Sem esta pré-existência, não se sabe donde possa haver derivado esse modelo, mais tarde seguido, na queda e na nova subida; pré-existência, no entanto, puramente potencial, como possibilidade pronta a tornar-se ato logo que uma revolta tivesse dado, para isso, um primeiro impulso, tal como ocorre com a centelha, que acende uma dinamite já pronta, mas que pode permanecer indefinidamente inerte, se a centelha não acende". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XX, p. 263).

"O seu conhecimento é o conhecimento invertido do Anti-Sistema, porque nele permaneceu o conhecimento, mas no negativo, ou seja, como ciência das aparências, isto é, como ciência da ilusão proporcionada pela percepção sensória do mundo exterior, percepção que a ciência começa a descobrir que corresponde muito pouco à realidade. Assim, entre a escravidão aos instintos e a miragem de um mundo relativo, o homem se debate para reconquistar, por meio de erros e dores, a liberdade e o conhecimento". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVI, p. 209).

3.5.10) - A IGNORÂNCIA

"Mas Deus não criou seres eternamente voltados ao mal. Criou-os apenas simples e ignorantes, e todos devem progredir num tempo mais ou menos longo, de acordo com a própria vontade. Esta pode ser mais ou menos retardada, assim como há crianças mais ou menos precoces, mas cedo ou tarde ela se manifesta por uma irresistível necessidade que o Espírito sente em sair da sua inferioridade e ser feliz". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trecho a Resposta à Pergunta 1.006). (Os grifos são nossos).

"Devemos reconhecer que, no todo, não falta o conhecimento. Só a nós ele falta, e falta menos aos mais evoluídos, e falta mais ao menos evoluídos do que nós. A ignorância é fruto da queda, fruto que se anula com a subida, e nós estamos justamente realizando esse trabalho de anulação da ignorância". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo V, p. 71). (Os grifos são nossos).

Tanto a ignorância é fruto da queda, que nas respostas às perguntas 115 e 1006 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos Reveladores, destacam sempre o "devem progredir" e o "chegar progressivamente à perfeição" ou seja, etapas pertinentes ao processo evolutivo ou de expansão da consciência, confirmando o estado de potencialidades latente na questão 598:

"A alma dos animais conserva após a morte sua individualidade e a consciência de si mesma? - Sua individualidade sim, mas não a consciência de si mesma. A vida inteligente permanece em estado latente". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 598). (Os grifos são nossos).

Como já havíamos asseverado, no campo psíquico, o menos só é capaz de gerar o mais, se o mais já existir em sua intimidade como potencialidade ou estado latente. A ignorância é apenas o reflexo da contração da consciência, que levou o conhecimento da verdade e a totalidade ao estado de inconsciência ou de germe:

"Com a queda, portanto, o conhecimento passou das mãos da criatura, que antes era colaboradora consciente da Lei, às mãos da Lei, à qual a criatura, que não mais pode possuir funções livres diretivas porque se revoltou e decaiu na ignorância, deve agora obedecer cegamente. É lógico que, quanto mais a criatura se aprofundar no Anti-Sistema, mais ela ficará submergida na ignorância, e mais virá a perder sua liberdade, que não é uma qualidade que se possa conceder aos inconscientes, que não podem fazer bom uso dela". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVI, p. 207). (Os grifos são nossos).

"Nos planos mais baixos, não apenas tudo é determinismo, mas também, para o elemento, tudo permanece em estado de inconsciência". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVI, p. 209). (Os grifos são nossos).

"No fundo da natureza humana está a tragédia da queda, em razão da qual a alma, centelha divina, desceu para a ilusão da matéria e dos sentidos, num corpo vulnerável a tudo e num ambiente ingrato, em que a conquista do progresso lhe custa esforço permanente; com a mente acanhada que aos poucos terá de buscar o conhecimento que antes possuía do pensamento de Deus". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo V, p. 51). (Os grifos são nossos).

3.5.11) - A DOR

"Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua CONCEIÇÃO; com dor terás filhos". (Gênesis, 3:16).

"A Lei permaneceu intacta e a dor tornou-se o sinal da alma rebelde a recordar-lhe a sua grande tragédia, (...)". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo V, p. 52).

A contração da consciência, devido ao falso movimento da criatura, que resultou na queda e na criação das infinitas dimensões, onde o nosso universo, ocupa região de maior densidade, explica porque a dor é patrimônio a ser superado por todas as criaturas. O impulso de revolta e de egocentrismo egoísta foi todo individualizado, a profundidade da queda, significando as dimensões conscienciais atravessadas, está diretamente relacionada com a potência do impulso primordial de afastamento da totalidade, que a livre e consciente escolha do espírito promoveu:

"E sonhou: e eis era posta na terra uma escada cujo o topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela". (Gênesis, 28:12). 

A escada de Jacó é um dos melhores símbolos de representação da força centrífuga de afastamento consciencial dos filhos rebeldes. Cada degrau, significa dimensões atravessadas, de forma que, conforme o impulso, o ser poderá ir do + infinito ao - infinito. O esgotamento do impulso, devido à resistência das forças contrárias, todas podendo ser resumidas no amor oriundo da totalidade, irá situar o ser em um desses infinitos degraus, onde, a partir daí, a jornada evolutiva terá início. Uns necessitaram dar pequenos passos para retornar ao seio do Criador, outros terão de fazer uma longa jornada, iniciando o retorno a partir da total inconsciência, viajando do espaço ao átomo, do átomo ao mineral, do mineral ao vegetal, do vegetal ao animal e do animal ao homem, do homem ao anjo e deste ao arcanjo. Cada dimensão vencida, nascida da conceição ou afloramento das potencialidades latentes, uma grande dor marca a alma, uma nova dimensão consciencial surge, como verdadeiros filhos do esforço de ascensão evolutiva, alargando os horizontes de percepção do ser. A inconsciência vai paulatinamente transformando-se em consciência até que o acordar pleno nos faça novamente filhos diletos do Pai. A dor evolução é o tributo que todos pagaremos, sendo tanto maior, quanto maior for o aprofundamento na descida involutiva. A partir da fase hominal, com o retorno do livre arbítrio, à dor evolução soma-se a dor provocada pelos erros de escolha, na vida física e extra-física, gerando ciclos intermináveis de quedas e reinício, até que errando e tornando a errar para acertar com maior proveito, a personalidade, de tanto freqüentar o duro e sofrido banco da escola da dor, avança rumo ao infinito onde volta a fazer morada:

"Se a dor faz a evolução, a evolução anula progressivamente a dor". (Pietro Ubaldi, Palavra de Sua Voz, Reflexões da Obra de Pietro Ubaldi, Coordenação de José Amaral, p.68).

"O importante mesmo é que há um caminho de libertação da dor: o da evolução. E quando chega a dor, se soubermos usá-la, atingiremos a libertação da própria dor". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo VIII, p.70).

"Lembra-te de que a dor não é eterna, porém uma prova que dura até que se esgote a causa que a gerou". (Pietro Ubaldi, Palavra de Sua Voz, Reflexões da Obra de Pietro Ubaldi, Coordenação de José Amaral. p.68).

"A dor é a grande mestra da vida, mas não basta sofrer - é preciso sofrer utilmente". (Pietro Ubaldi, Palavra de Sua Voz, Reflexões da Obra de Pietro Ubaldi, Coordenação de José Amaral. p.66).

"O ser é livre, mas o universo é um concerto musical onde qualquer dissonância produz sofrimento". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo I, p.21).

"A dor é a nota dominante nos mundos inferiores". (Pietro Ubaldi, Palavra de Sua Voz, Reflexões da Obra de Pietro Ubaldi, Coordenação de José Amaral. p.147).

"Sem dor não se evolui, não se reconstrói, não se reconquista o paraíso perdido". (Pietro Ubaldi, Palavra de Sua Voz, Reflexões da Obra de Pietro Ubaldi, Coordenação de José Amaral. p.68).

"Todos sabem, através da própria experiência, que a dor é o ponto fundamental de nossa vida. É verdade, no entanto, que cada um, no fundo de sua alma, alimenta um sonho de felicidade". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo V, p.45).

"Nada disso pode explicar-se senão como lembrança de um paraíso perdido, para o qual torna a impelir-nos uma infinita nostalgia, que vive a cada momento, em nosso insaciável anseio de felicidade". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XV, p. 185).

"A Lei não quer o sofrimento, mas somos nós que o produzimos, violando a sua ordem". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo XVIII, p.143).

"Se muitas almas permanecem caídas. Deus lhes renova, diariamente, a oportunidade de reerguimento". (Emmanuel,Vinha de Luz, Lição 120).

"Cada luta vencida contra a inferioridade da própria natureza é um degrau escalado: significa crescer em estatura por ter atingido uma posição mais elevada; é um empecilho removido para nos erguermos, ganhando cada vez mais altura". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo VI, p.58).

3.5.12) - A MORTE

"Mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comerás dele, nem nele tocareis, para que não morrais". (Gênesis, 3:3).

"No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir". (Romanos, 5:14).

"Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor". (Romanos, 6:23).

"Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida". (João, 5:24.)

"Na Terra, o princípio do "eu sou" (vida) mesclou-se ao do "eu não sou" (morte)". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IX, p. 106).

"Isso, porque Deus é amor e vida, não havendo, para quem se afasta Dele, senão ódio e morte". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo XIII p.111).

Assim como a dor é o tributo da evolução, a morte é o salário do pecado ou da queda, que reina desde Adão, ou seja, dos primórdios da criação, mas a vida que é dom gratuito de Deus, pode ser plenamente reconquistada, nos ensinos e exemplos de Cristo Jesus, nosso Mestre e Senhor:

"Este é o caminho marcado para todos: nascer, viver, morrer, renascer, tornar a viver e morrer outra vez levados para um lado ou outro do dualismo da existência, experimentando, evoluindo, reconstruindo-se, a si mesmos, até aprender toda a lição da Lei e reintegrar-se em espírito no seio de Deus". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo XIII, p.109).

3.5.13) - O MAL

"Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo". (Jó, 4:8). 

"Uma bem triste cadeia de males pesa sobre o mundo. Este fato é indiscutível". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 110).

"Como se pode distinguir o bem do mal? O bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 630).

"Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as consequências". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da Resposta à Pergunta 948).

As inúmeras quedas da alma, gerando a ignorância das leis da vida, são o fundamento de todo mal existente. O orgulho é o sentimento motriz, que desencadeia os mais diversos desequilíbrios originando a destruição. Diante da Lei Divina só podemos operar em dois campos diametralmente opostos; ou somos Construtores ou Destruidores.

Logicamente que, devido às nossas experiências reencarnatórias, poderemos ser construtores em um campo e destruidores em outros, mas seremos utilizados pela Lei, nos vários setores da vida coletiva, segundo as nossas inclinações e desejos. Se formos destruidores, o magnetismo que tudo rege, nos atrairá a situações e fatos, onde teremos a liberdade de agir em sentido destrutivo, quer em relação a pessoas ou a coletividade. A ação, será realizada nos limites estabelecidos pela Lei e recairá não de forma aleatória ou por acaso, mas por regime automático de atração, sobre aqueles que necessitem passar por experiências dolorosas, onde os nossos desejos e escolhas nos impulsionarão a agir. Geraremos escândalos e sofreremos em futuro próximo ou distante ação similar - "Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque é mister que venham escândalos, mais ai daquele homem por quem o escândalo vem!" (Mateus, 18:7). O mundo é binário, dual, e o nosso livre arbítrio é respeitado em qualquer instância. Se desejamos matar, roubar, destruir, a Lei nos permitirá, mas muitas vezes, não em relação a quem predestinamos a ação, mas sobre pessoas, que não esperávamos, como ocorre por exemplo, nos acidentes e balas perdidas. A vontade de agir, a inscrição dos nossos nomes no livro da vida como destruidores, é apanágio do livre arbítrio, mas a destinação e o resultado final são totalmente dirigidos pela Lei. Em todos os casos, o mal será utilizado para o bem e por ele será dirigido, mas aqueles que lavram iniquidade e semeiam o mal, precisaram entender que segarão isso mesmo e terão de ter a coragem para sofrerem, em época oportuna, as conseqüências. A Lei possui mil e um mecanismos para a correção dos destinos das criaturas sem necessitar da intervenção da nossa vontade e ação, mas quando acalentamos pensamentos destruidores, que com o tempo precipitam-se em atos, a Lei determinará o campo onde ele será semeado. O mal é uma dissonância, corrigido e aproveitado pela harmonia da sinfonia divina.

"A vida é um vaso que podemos encher com o que quisermos". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo III, p.31).

"A nossa vida e o nosso destino não se desenrolam ao acaso, mas são dirigidas por Deus. Então, se os acontecimentos podem, até certo ponto, ser o efeito de nossa vontade, em grande parte exprimem também a vontade de Deus". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo IV, p.39).

"Através de uma técnica sutil de vibrações, tudo fica gravado nas correntes dinâmicas que fazem parte da Lei, justa e imparcial". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo VIII, p.71).

"Essa Lei está em todos os lugares e em todos os tempos, dirigindo a vida em todos os seus níveis". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo VI, p.59).

"Tudo é devido à Lei, cuja presença nunca nos cansaremos de salientar. Presença da Lei quer dizer presença da vontade viva e ativa de Deus". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo X, p.87).

"Olhando o fenômeno em seu conjunto, vemos que há duas fontes eminentes de vibração e impulsos dinâmicos: a da vontade do nosso eu e a da vontade de Deus. As emanações desses dois sistemas de forças encontram-se e reagem um em relação ao outro. A Lei, representando a vontade de Deus, é mais poderosa. A Lei é feita de ordem e harmonia, e a cada dissonância ela reage em proporção (como faria um maestro com sua orquestra) para que tudo volte à posição correta, logo que o homem tenha ultrapassado os limites predeterminados". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo XI, p.93. (Grifos do autor).

"Construtores e destruidores, apesar de o fazerem de forma oposta, colaboram dentro da mesma Lei, para realizar a mesma construção". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo IV, p.43.

"De tudo isso, segue-se que não pode surgir um ataque contra nós se não tivermos merecido. O homem que o executa, seja quem for, é uma causa secundária". (Pietro Ubaldi, A Lei de Deus, Capítulo XX, p.165).

3.5.14) - O CAOS

"Terra escuríssima, com a mesma escuridão, terra da sombra da morte e sem ordem alguma, e onde a luz é como escuridão". (Jó, 10:22).

"Alguma vez perguntamos a nós mesmos por que o estado primordial do universo é o caos? E, pela evolução, esse caos é o ponto de partida de um longo caminho que avança para a ordem. Somente com a teoria do desmoronamento tudo isto se torna compreensível". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo X, p. 114).

"É por isso que temos de reconhecer que até a queda devia se desenrolar segundo uma Lei, como de fato vemos, representando dessa forma uma desordem ordenada e uma imperfeição perfeita; uma imperfeição tão bem regulada, que nos dá uma das maiores provas da perfeição". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XX, p. 261).

"O trajeto é lógico e completo: na ordem, um impulso errado gera a desordem; impõe-se então a evolução como processo de reordenação de elementos que haviam caído na desordem. A revolta não tem o poder nem de criar nem de destruir. No Anti-Sistema permaneceu tudo, apenas está tudo fora do lugar. Em nosso mundo há matéria prima para qualquer construção; em nosso espírito jazem latentes as idéias para qualquer descoberta e para civilizar as relações sociais até à felicidade, segundo a Lei de Deus". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 160).

"A criatura foi criada feliz, com a condição de obedecer à Lei. Saindo da Lei, ela saiu da felicidade para entrar na infelicidade. Reentrando agora, de novo, na Lei, a criatura sairá da infelicidade para reentrar na felicidade. Assim a vida, que começa reorganizando os elementos em formas simétricas (cristais), depois em vegetais e animais (organismos), em unidades coletivas segundo planos construtivos cada vez mais complexos, realiza ao evoluir o grande trabalho de reorganização da ordem, que fora levado ao caos pela revolta". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 160). (Os grifos são nossos).

No princípio era a ordem e a vida se expressava em forma de pensamento puro, em regime sistêmico de relação, onde cada criatura desempenhava uma função única. O limite da obra divina havia sido o campo do Livre Arbítrio de cada individualidade. Da perfeição relativa, o ser caminharia, por escolha consciente, para submeter a individualidade à totalidade, completando-se, fazendo o caminho curto, que o levaria à perfeição sideral, relacionado-se, a partir daí, com Deus e o próximo, em regime de comunhão amorosa, criando e recriando, em plenitude, a cada momento, o Universo Espiritual, o Paraíso Divino, onde viveria eternamente, em regime de felicidade gloriosa. De Deus, do Todo, se alimentaria, e ao mesmo tempo, doaria a todos a força do próprio amor. A imagem e semelhança com o Pai era-lhe patrimônio genético, a sensação de poder e expansão do Eu era-lhe descomunal. O ser antes de completar-se, deveria decidir. Uma decisão definitiva, primordial. Sabia de antemão, por advertência divina, da importância de sua escolha, e a sua imensa responsabilidade. Não conhecia os efeitos. Não havia modelos ulteriores, para servir-lhe de exemplo. No infinito, a medida da eternidade era o agora: "Tu és meu Filho; Eu HOJE te gerei". (SL, 2:7). A decisão era coletiva, no momento, pois não existia o tempo, o espaço, a memória, a matéria. A obra divina se completaria imediatamente ou teria de aguardar "seis outros dias" até que, após uma jornada de ida e de volta, todos os filhos se reunissem novamente, em uníssono, em harmonia indescritível. Este seria o "sétimo dia", o último dia coletivo da jornada de retorno, onde o Senhor descansaria na alma de cada filho, porque todas as resistências se haveriam vencidas -"E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito". (Gênesis, 2:2). O ser tomará a decisão só, sem nenhuma pressão do Criador, que a deixou absolutamente livre, recolhendo-se em humildade e em silêncio absoluto. O ser ondula em movimentos, entre duas forças, o egocentrismo, próprios da individualidade e o amor, atributo que advém da totalidade. Para escolher o amor, terá de frear o impulso natural de expansão egocêntrica. Para escolher somente a individualidade terá de sobrepor o egocentrismo ao amor.Todos os filhos, concomitantemente, estão diante da mesma encruzilhada da escolha, na zona do ignoto, na dimensão do desconhecido. Uma reação em cadeia irá se iniciar. O movimento se completa, a escolha é realizada. Uma infinidade de criaturas escolhe a totalidade e se plenifica no amor, permanecendo no regaço paterno, fazendo da vontade do Criador a própria vontade - "Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua Lei está dentro do meu coração". (SL, 40;08). Uma quantidade incomensurável de espíritos fazem o movimento contrário - "Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo". (Isaías, 14:14). O universo de puro pensamento se rompe em dois, o universo da totalidade e da ordem e o universo da individualidade e do caos. Sistema e Anti-Sistema. Luz e Trevas. Os seres que se moveram centrados no egocentrismo, sentem como primeira manifestação interior o abandono de Deus, porque passam a alimentar-se somente de si mesmos: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (SL, 22:1). Não havia o abandono do Pai, não ocorreu a saída de seu seio, mas apenas a cegueira do filho, que havia surgido por livre escolha. A expulsão fora vibracional. O ser revolta-se, e em impulsos diversificados quanto a força de afastamento, cada individualidade percorre em caminho próprio, um maior ou menor percurso interior. Inúmeros descem ao Abismo infinito - "E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo". (Isaías, 14:15). Do ponto de puro pensamento, em altíssima velocidade de contração da própria vibração, chega ao estado de energia e no prolongamento da descida na matéria - "Sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida". (Gênesis, 3:14). A onda original, de puro pensamento, tranforma-se em vibrações eletromagnéticas, aprisionadas nos limites da velocidade da luz, presas nos vórtices do átomo, retidas pelas dimensões espaciais. O arcanjo desmorona-se e fragmenta-se no não ser e habita a prisão atômica. O átomo passa a ser o inferno da criatura - "Na verdade, a luz dos ímpios se apagará". (Jó, 18:5). No âmago do ser, Deus se faz, a criatura não mais o ouve, mas a sua imanência se pronuncia através da atração amorosa. Surge o caminho evolutivo, preparado em todos os detalhes por Deus-Pai - "Teu é o dia e tua é a noite; preparaste a luz e o sol". (SL, 74:16). O Senhor procura os filhos em todos os universos, como dracmas perdidos, como ovelhas desgarradas, como filhos pródigos - "Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende". (Lucas, 15:10). De dor em dor o filho acorda e ascende, até que descobre o Pai em si mesmo e entrega-lhe o próprio espírito: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". (Lucas, 23;46). O retorno é individual e ao mesmo, graças à lei de amor, coletivo - "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo". (João, 17:24). No "sétimo dia", tudo se consuma. No último dia da obra divina, em banquete de luz e em alegria infinita, o Senhor magnânimo vê os seus filhos novamente reunidos - "Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos". (Lucas, 15:22,23). Abençoa este dia - "E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou". (Gênesis, 2:2). Devolve a cada um dos filhos, o poder que cada um possuía, antes que os universos transitórios, que surgiram graças à queda, existissem - "E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que TINHA contigo antes que o MUNDO EXISTISSE". (João, 17:5) . O tempo e o espaço como dimensões são superados -"Em verdade te digo que HOJE estarás comigo no PARAÍSO". (Lucas, 23:43). E a percepção, e a sensação do amor divino sempre presentes se atesta: "Porque tu me hás amado antes da CRIAÇÃO DO MUNDO". (João, 17:24). O Anti- Sistema desaparece e o Sistema ou Paraíso divino passa a ser a morada definitiva e eterna de todos os seres: "E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem aluminado, e o cordeiro é a sua lâmpada". (Apocalipse, 21:23).

"A lei natural é a lei de Deus; é a única necessária à felicidade do homem; ele lhe indica o que deve fazer ou não fazer e ele só se torna infeliz porque dela se afasta". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Reposta à Pergunta 614). (Os grifos são nossos).

"Eis a posição do homem diante de Deus. Ela é o que é e ninguém pode mudá-la. O ser é livre e pode escolher. Há muita dor, mas existe a escada para subir, muito auxílio de Amor, muita felicidade no alto. Há igualmente a escada para descer, que nos dá uma ilusão de evasão e que, ao contrário, agrava a dor até à infinita dor da anulação". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XX, p. 240).

"Uma vez reconstituída a ordem antes destruída, desaparecerá o mal, a dor, a imperfeição, a matéria, o dualismo e todas as qualidades deste mundo decaído". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIII, p. 160).

"Vós vos moveis no infinito. A vida é uma viagem e nela só possuís vossas obras. A cada hora se morre, a cada hora se renasce, mas sempre como filhos de vós mesmos. A evolução, pulsando segundo o ritmo do tempo, não pode parar. Vedes através de falsa perspectiva psíquica. É preciso conceber não as coisas, mas a trajetória de seu transformismo; não os fenômenos, mas os períodos fenomênicos; tendes de colocar-vos dinamicamente na fluidez do movimento, realizar-vos neste mundo de coisas transitórias, como seres indestrutíveis, num tempo que só pode levar a uma continuação, lançados para um futuro eterno, que vos abre as portas da evolução". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo: Despedida, p. 354). (Itálicos do autor).

3.6) - AS DUAS ORIGENS DO PERISPÍRITO

"E fez o SENHOR Deus a Adão e a sua mulher TÚNICAS DE PELE e os vestiu". (Gênesis, 3:21).

"O desmoronamento do universo é, pois, a queda do espírito na matéria, ou seja, a formação desse invólucro que aprisiona o espírito rebelde". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 67). (Os grifos são nossos).

"Que definição podeis dar à matéria? - A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Pergunta 22a). (Os grifos são nossos).

A primeira vista podemos imaginar que o perispírito se desenvolve a partir do processo evolutivo. A seqüência de soma, entendida como desenvolvimento dos germes pré-existentes e transformação, iria das vibrações atômicas no mineral, que se expande e é acrescida das emanações do duplo etérico ou corpo vital no vegetal, que se adiciona às vibrações do corpo astral ou emocional no animal e que são enriquecidas pelas irradiações do corpo mental e do corpo causal no homem. Na jornada evolutiva a personalidade no caminho de santificação vai perdendo os organismos mais grosseiros e desdobrando outros envoltórios, cada vez mais sutis, até atingir as dimensões arcangélicas ou do espírito puro:

"Sob a influência atrativa dos fluidos em geral, os do perispírito variam incessantemente, acompanhando a marcha progressiva do Espírito cujo envoltório formam, até que o mesmo Espírito tenha atingido a perfeição (...). De acordo com as suas tendências e com o grau do seu progresso, o Espírito assimila constantemente os fluidos que mais em relação estejam com a sua inteligência e com as suas necessidades espirituais. (...) Assim, os corpos fluídicos constituídos pelos perispíritos apresentam maior ou menor fluidez, são mais ou menos densos, conforme a elevação do espírito encerrado nessa matéria. Dizemos "matéria" porque, efetivamente, para o Espírito, o perispírito é matéria". (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Item 56, p.298). (Itálicos do autor).

"A queda foi no estado de matéria, e o ser deve ressurgir dela, carregando-a consigo como seu corpo". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IX, p. 100). (Os grifos são nossos).

A evolução na verdade desdobra o que previamente já existe. O perispírito não surge ou é criado no processo evolutivo, mas é formado na descida involutiva ou na contração primária da consciência. A evolução apenas desenvolve ou recria as potencialidades ou germens contidos no campo psíquico do ser. A energia e a matéria são resultados da contração da consciência. A substância é uma só. No monismo universal, espírito, energia e matéria são estados de uma mesma substância, indestrutível e eterna. À medida que ocorre a contração ou descida interior involutiva, surgem as dimensões conscienciais, onde o pensamento puro sofre pequenas variações vibracionais, mas à medida que o afastamento da fonte divina torna-se maior, a energia e os seus mundos ganham forma, os denominados mundos fluídicos, que se interagem, na seqüência da descida involutiva, com os mundos ou dimensões materiais. A transmutação da consciência de sua forma primordial pura até a sua anulação no não ser, mantendo todas as suas potencialidades em estado de germe, é o fator causal do surgimento das dimensões, mundos, envoltórios e formas. O perispírito como resultado de todas essas dimensões, reflete como conjunto de corpos, em estados diversos de vibrações as dimensões atravessadas e a extensão da contração consciencial. Quanto maior a descida, maior a densidade perispiritual, de forma que, à medida que o espírito vai saindo de sua letargia vibracional, causada pela queda, ocorre a expansão paulatina do seu envoltório energético ou material. Do plasma espacial ou da partícula atômica que tudo absorveu na queda, o ser ao esgotar seus impulsos de revolta e afastamento do Centro Divino, inicia a grande viagem de volta reconquistando passo a passo todas as suas características, agrupando cada fragmento, desenvolvendo por expansão o seu potencial. A criatura ao subir a grande escada evolutiva, vai abandonando, em cada degrau ou etapa conquistada em definitivo, as cascas energético-materiais que a envolvem. Evoluindo, vai carregando consigo os seus corpos, mas à medida que se eleva, vai também perdendo os seus envoltórios grosseiros e assimilando constantemente novos fluidos ou desenvolvendo os tecidos sutis de sua constituição, adquiridos rapidamente na descida involutiva e desdobrados lentamente na subida evolutiva, até que a forma consciencial pura é reconquistada e todas as dimensões, formas e envoltórios são superados ou transubstanciados em consciência:

"Esse novo estado cinético irregular inseriu-se no originário, regular, retilíneo no particular de cada elemento; e inseriu-se precisamente como um desvio lateral dele. Daí nasceu o que chamamos "vibração". Eis aí como ocorreu a primeira gênese do estado vibratório, que é o que constitui o fundamento íntimo do mundo fenomênico, o dinamismo que gerou e que rege a forma, ilusão do mundo exterior, que é tudo o que nossos sentidos captam". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 142).

"Com a vibração, nasceu a onda, com suas qualidades de frequência vibratória e de comprimento. E o tipo de vibração, princípio, é mais próximo da linha reta, isto é freqüência máxima e comprimento de onda ou amplitude de oscilação mínimo. Esta é a que se poderá chamar de onda espiritual, do pensamento. Mas, uma vez iniciado o processo de degradação, ele continua impelindo o ser a existir em formas de vida cada vez mais involuídas, menos psíquico-espirituais e mais materiais. Descemos, assim, até a vida animal e vegetal. A este ponto, a degradação do espírito desce abaixo das mais elementares formas de vida e entra, mudando ainda mais, no mundo dinâmico, como energia, na forma de eletricidade, da qual, depois, no processo evolutivo inverso sabemos que renasceu a vida. Neste ponto da descida a onda, que se tornou mais longa tendo-se tornado a freqüência menor, até fechar-se nas trajetórias obrigatórias do átomo, fenômeno para o qual se passa, como por um congelamento cinético, da fase energia, para a fase matéria". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 143).

"Com a queda, assistimos a uma curvatura progressiva do estado cinético da substância, livre e aberto na origem, até ao ponto em que ele se aprisiona no Sistema cinético fechado do átomo. Neste ponto chegamos ao fundo da queda, no reino da matéria e do máximo divisionismo, onde dominam no caos as individuações atômicas isoladas, no triunfo pleno do princípio separatista da revolta". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 143).

"Iniciada a descida involutiva, o ser irá ficando cada vez mais aprisionado na forma, ou seja, a liberdade retilínea do movimento do sistema se irá cada vez mais amarrando no determinismo da matéria, até ao ponto de curvar completamente aquele movimento retilíneo nas trajetórias fechadas do átomo. Neste ponto, a involução, efeito da revolta, levou o ser do estado espiritual ao material e o impulso que gerou a queda alcançou os seus efeitos". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 143). (Os grifos são nossos).

"A desordem do caos substituiu-se à ordem originária porque, ao invés de cada elemento existir em função do centro Deus, estando todos os elementos de acordo na disciplina da Lei, cada elemento, com a revolta, passou a existir apenas em função de si mesmo". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 144). (Os grifos são nossos).

"Dessa maneira, a revolta diferenciou um novo estado cinético que, ecoando o infinito no Anti-Sistema, permitiu se modelasse uma ilimitada série de aparências, que para nós, como todos os que estão situados no Anti-Sistema, constituem a realidade objetiva".(Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 142). (Os grifos são nossos).

"A antiga nobreza de origem pode estar recoberta de todas as imperfeições e de todas as culpas, mas permanece indestrutível, porque é divina". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p. 67).

"Dessa forma a lei não é mais patente neste ponto. Ela sobrevive apenas em estado latente, como íntimo impulso de evolução, isto é, como impulso subterrâneo que impele para a volta à ordem de origem". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p. 144). (Os grifos são nossos).

"Chegados à periferia do Anti-Sistema, o desmoronamento está completo, a ordem do Sistema naufragou totalmente no caos do Anti-Sistema. Neste ponto os efeitos da revolta estão terminados e esgotou-se o impulso centrífugo do emborcamento". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VIII, p. 95).

"Então pode compreender-se melhor de que modo esteja pré-estabelecido o objetivo, quando se admitir que se trata de reconstrução dum organismo pré-existente, que foi destruído, e que agora se procura apenas reconstruir como ele já estava construído antes que fosse construído. Eis-nos pois na teoria da queda e no conceito de involução e evolução. Temos, desse modo, que admitir, ao lado do telefinalismo que estabelece a meta, a presença de um impulso interior que a conhece por antecedência e que se esforça por atingi-la". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XI, p. 125).

"E o homem tem que realizar em si mesmo, através da evolução, o esforço de transformar a matéria, para levá-la novamente ao espírito". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo VIII, p. 101).

O desmoronamento de valores, que a queda significa, não tem para todos os seres a mesma proporção e profundidade, como por várias vezes ressaltamos. Alguns seres sofreram ligeiras contrações conscienciais, outros contrações maiores e ainda outros se lançaram nos abismos infernais da matéria rudimentar - "E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos". (Lucas, 15:15). Em cada dimensão, onde o impulso individual de afastamento se esgotou, a criatura inicia o processo evolutivo, cooperando e co-criando em seu plano de ação e transformação, direcionada pela vibração divina ou pela presença interior do Deus imanente - "Levantar-me-ei, e irei ter com meu Pai". (Lucas, 15:18). Os que caíram em degraus superiores, partindo das diretrizes Paternais e cuidados dos que lhe são mais adiantados, desenvolvem e preparam aquele patamar, mundo ou universo, para os que, por processo evolutivo, vão ascendendo àquela dimensão, além de assistir aos Espíritos que se situam à retaguarda. Por essa razão que os anjos sobem e descem a escada de Jacó. Algumas consciências caíram, desde o princípio, na dimensão Angelical, outros na de Bons Espíritos, outros na de Espíritos Superiores, vários na dimensão hominal e outros tantos nas formas animais e nas existências primárias dos vegetais e minerais além das dimensões atômicas. Do - infinito ao + infinito o ser retorna do ponto, onde o impulso pessoal de involução se inverte no de evolução. Poderíamos comparar o processo a uma grande caravana em deslocamento ou como estações onde os passageiros do comboio evolutivo em movimento, param e seguem viagem. Enquanto teríamos vários chegando a uma estação, após longa e distante viagem, onde inúmeras estações foram superadas, outros partem daquela estação, se deslocando para o futuro, sem ter vivido os trechos ou as conexões anteriores. Assim, teríamos os Anjos que iniciaram a jornada partindo dos mundos seráficos, e Anjos que chegaram a estes planos, oriundos de mundos inferiores, após exaustivos esforços evolutivos. O mesmo se daria para todas as posições da Escala Espírita, desenvolvida por Kardec, incluindo as formas de existências nos reinos animais, vegetais, minerais, atômicas, etc.. É por essa razão que os Espíritos, que sofreram maiores densificações, encontram, ao acordarem do sono ilusório da involução, universos e mundos incomensuráveis, materializados, em funcionamento e preparados para o crescimento e desenvolvimento dos seres que o venham habitar - "Pois vou preparar-vos lugar". (João, 14:2). E como por várias vezes, também já foi dito, que o impulso de afastamento é totalmente individualizado, se desdobrando em tempo próprio, para cada ser, poderemos compreender, porque a multiplicidade das diferentes formas de vida e suas manifestações. Enquanto os pioneiros da evolução já retornaram aos páramos arcangélicos, outros estão a meio caminho e muitos ainda se situam nos primeiros degraus da escada a ser superada no tempo. Dessa forma, o Homem é cercado por seres que ainda estão em descida involutiva, pelos que dormem na formas espaciais, atômicas, minerais, vegetais, etc. e recebe assistência dos seres que caminham à frente:

"O instinto fundamental do ser é criar, eco longínquo do primeiro impulso que Deus imprimiu a todos os seres e por eles repetido, revoluteando continuamente no mesmo ciclo e esquema fundamental do universo". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo IX, p.111).

"Por isso, o amor não é apenas alegre, mas é também genético, criador, em todos os planos; e tanto mais, até, quando mais se sobe do físico ao espiritual". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVIII, p.237). (Os grifos são nossos).

"Assim tudo que existe, inclusive os homens, escalona-se por degraus ao longo da escada evolutiva, representando a reconstrução dos vários planos do sistema desmoronado. A escala que conhecemos vai da matéria ao super-homem. E tudo está a caminho". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XV, p.194).

"A luta entre corpo e alma é, para o homem, a luta evolutiva da sua libertação. Mais abaixo ainda existem seres prisioneiros de formas bem mais densas, em que a escravidão é cada vez mais pronunciada. Mais em baixo se encontram os animais, depois as plantas, depois as pedras. O homem está a meio caminho. Outras criaturas, das quais os santos nos dão uma idéia, encontram-se mais acima". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo VI, p.70). (Os grifos são nossos).

"Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus". (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Trechos da resposta à perg. 597-a).

"No átomo, pois, a substância acha-se na posição de máxima descida involutiva. O átomo, com o seu sistema apertado em torno do núcleo, reduzido às dimensões submicroscópicas, tão punctiforme que nele está quase destruída a dimensão espacial, representa o triunfo máximo do egocentrismo separatista do "eu" rebelde, que chegou a colocar o seu "eu" como substituto de Deus, transformando-se em sistema próprio, fora do sistema Dele". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XII, p.146).

"De tudo isso se deduz que a evolução pode não ter partido para todos do plano da matéria, mas também de planos mais altos, como por exemplo, do vegetal, do animal, do homem, e planos ainda superiores, a que todos esses seres deverão chegar um dia. A meta final é para todos a mesma: o Sistema". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XIX, p.255).

O perispírito vai se formando na descida involutiva, no momento que cada quantum de consciência se transmuta em inconscincia. À medida que a consciência vai se contraindo, N quanta de inconsciência vai se transubstanciando em energia e esta congelando-se em matéria. Os invólucros que revestem o ser são manifestações do fenômeno involutivo, indicando as dimensões atravessadas, sendo tanto mais densos, quanto maior for o impulso de afastamento ou de revolta da criatura. Pode-se ir de diminutos campos de inconsciência no Anjo, aos inúmeros corpos dimensionais no Homem, chegando aos campos magnéticos nas partículas atômicas. De sorte que os seres possuem diferentes características perispirituais, dependendo do patamar de descida involutiva e dos esforços evolutivo de expansão e ascensão. Como já foi dito, quanto maior o número das camadas ou envoltórios, mais densos serão os perispíritos e quanto mais sutis, menor terá sido a queda ou involução ou mais amplas já foram as conquistas evolutivas, até que todas as formas, matérias, energias e inconsciências sejam superadas definitivamente:

"Agora pode-se compreender que, tendo a involução consistido na formação de invólucros, cada vez mais densos, em torno à centelha do espírito, em que permaneceu sepultado - a evolução, contrariamente, consiste na progressiva destruição desses invólucros, que se tornam cada vez mais tênues, até a completa libertação". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XI, p.155).

"É a fase de regresso da matéria que, por meio da ação, da luta, da dor, reencontra o espírito e volta à idéia pura, despojando-se, pouco a pouco, de todas as cascas da forma". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 08, p.32).

"O "eu" eterno, com o desmoronamento do sistema, não foi destruído, mas apenas envolvido no princípio oposto em que se invertem todas as qualidades de origem. A evolução é um processo de maceração que consome os casulos, é uma chama lenta em que se evola a sua materialidade, facultando a evasão da sua prisão. Eis o que entendemos por espiritualização". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XI, p.155).

"Assim, o desmoronamento do ser consiste na inversão do estado cinético, ou vibratório, ou consciência e conhecimento, máximo no centro - Deus, em um estado oposto, de inércia ou inconsciência ou cegueira. Na periferia embotam-se as qualidades dinamizantes e vivificantes, máximas no Centro. Não foi a matéria definida como energia congelada? A energia é também pensamento congelado". (Pietro Ubaldi, Deus e Universo, Capítulo XI, p.155).

"Ao descer, tudo tende a morrer na inconsciência, que é propriedade do Anti-Sistema. Subindo, tudo tende a reviver na consciência, propriedade do Sistema". (Pietro Ubaldi, O Sistema, Capítulo XVI, p.211).

No fenômeno de contração da consciência, que é um fenômeno interior e não espacial, os universos, ou mundo ou dimensões vão surgindo à medida que o ser se afasta ou se isola vibratoriamente do Sistema. Didaticamente, apenas para facilitar a nossa compreensão, poderíamos dizer que junto ao Sistema estariam os universos, mundos ou dimensões Crísticas ou Arcangélicas, ponto final do processo evolutivo moral - "Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai". (João, 16:28). Na descida, com a contração mínima da consciência, surgem os universos ou mundos ou dimensões Angélicas ou de Beatitude - "Feito tanto mais excelente do que os anjos, quando herdou mais excelente nome do que eles". (Hebreus, 1:4). Na sequência já na esfera do dinamismo energético as dimensões, mundos, universos ou campos SupracausaisSupramentais e Supraemocionais. Na continuidade do desmoronamento as dimensões, mundos, universos ou campos energéticos materiais CausaisMentais e Astrais ou Emocionais e finalmente na imersão completa na matéria mais densa, os universos, mundos, dimensões ou campos Etéricos e Físicos. Caminhando no prosseguimento do impulso de total inconsciência surgirão as dimensões e campos magnéticos microscópicas e punctiformes do átomo e das sub-partículas atômicas, quando todas as outras dimensões passam a existir em estado de germe ou latência a serem readquiridas e desenvolvidas na escola evolutiva. O perispírito representa o conjunto dessas dimensões na forma de corpos, envoltórios, campos e níveis conscienciais assim caracterizados a partir do processo evolutivo:

1)- Do Átomo ao Mineral o ser estará envolvido pelo campo magnético ou vibracional das sub-partículas atômicas, vivenciando o movimento e a atração, e terá no Duplo Etérico a principal meta a ser alcançada;

2)- No Vegetal o Duplo Etérico será uma realidade, moldando o início das sensações e o Corpo Astral ou Emocional representará a próxima conquista;

3)- No Animal o Físico e o Duplo Etérico representam o passado conquistado e o Corpo Emocional ou Astral estará em pleno desenvolvimento, reafirmando sensações, instintos e emoções, sendo que o Corpo Mental se pronuncia em manifestações preliminares na forma de pensamentos descontínuos, na estruturação de ideias-relâmpagos ou de ideias-fragmentos;

4)- No Homem o Duplo Etérico e o Corpo Físico são realidades reencarnatórias, sendo que o Corpo Astral ou Emocional será o veículo das sensações sensoriais e sentimentais e o Corpo Mental estará em pleno desenvolvimento expressando-se em fluxos de pensamentos contínuos, tendo a razão e a inteligência, como principais atributos. O Corpo Causal velará pelos recursos da memória atual e permitirá os primeiros passos na percepção do passado reencarnatório;

5)- No Super-Homem, seja o filósofo, o poeta, o pensador ou gênio, além dos aspectos descritos anteriormente, o Corpo Supramental é reconquistado e a superconsciência passa a se expressar permitindo os insight e as visões intuitivas e integradoras, maiores ou menores, dependendo do estágio evolutivo conquistado. No santo, o maior dos representantes desse estágio o Corpo Supraemocional, campo de forças representativas do amor genuíno, estará em plena manifestação e o corpo Supracausal, em abertura inicial, permitirá ao ser, a visão do conjunto da própria história reencarnatória pregressa e remota, além das quedas do passado longínquo e as percepções das questões da origem espiritual e dos reinos divinos;

6)- Na continuidade dos esforços evolutivos, o ser, já iluminado, como Espírito Superior, tal qual quando ocorre no desencarne terreno, quando abandonamos os corpos físicos e etéricos, perderá o corpo emocional ou astral, conquistando as dimensões mentais, as supramentais e as supra-emocionais em definitivo, revelando em plenitude o amor divino em sua interioridade, e graças as superação das dimensões causais e supracausais será senhor da própria história e romperá as barreiras do tempo e do espaço;

7)- Quando toda a influência da matéria for vencida, no abandono de todos os corpos ou envoltórios energéticos o Espírito estará muito próximo da união definitiva com Deus-Pai, faltando romper determinados véus de inconsciência para superar as dimensões Angélicas ou de Beatitude e adentrar as esferas Crísticas ou Búdicas ou Arcangélicas, despojando-se de todas as impurezas materiais e reconquistando a própria consciência em definitivo, passando a realizar a vida eterna no seio de Deus. É o estado definitivo do Espírito puro onde a felicidade faz morada eterna.

A descrição acima caracterizada em etapas é apenas elemento facilitador para a nossa compreensão porque vários desses campos, corpos ou dimensões perispirituais são desenvolvidos conjuntamente em processos ainda indescritíveis, mas de holo-conquista, em cada estágio evolutivo que o ser vai ascendendo, vivenciando e superando:

"Também a vida é um ciclo, com a sua fase evolutiva e involutiva, é o inexorável retorno ao ponto de partida". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 26, p. 74).

"Compreendendo-se, porém, que o princípio divino aportou na Terra, emanado da esfera Espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho encerrando em si a árvore veneranda que será de futuro, (...)". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo III, Primeira Parte, p. 35). (Os grifos são nossos).

"O princípio contém, em embrião, todas as formas possíveis, e o desenho que inclui todas as linhas do edifício, mesmo antes que surja a primeira pedra para manifestá-lo". (Pietro Ubaldi, A Grande Síntese, Capítulo 29, p. 87).

"O veículo do espírito, além do sepulcro, no plano extrafísico ou quando reconstituído no berço, é a soma de experiências infinitamente repetidas, avançando vagarosamente da obscuridade para a luz". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo IV, Primeira Parte, p. 40). (Os grifos são nossos).

"Todos os órgãos do corpo espiritual e, consequentemente, do corpo físico foram, portanto, construídos com lentidão, atendendo-se à necessidade do campo mental em seu condicionamento e exteriorização no meio terrestre". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo IV, Primeira Parte, p. 40). (Os grifos são nossos).

"Desse modo, em qualquer estudo acerca do corpo espiritual, não podemos esquecer a função preponderante do automatismo e da herança na formação da individualidade responsável, para compreendermos a inexeqüibilidade de qualquer separação entre Fisiologia e a Psicologia, porquanto ao longo da atração no mineral, da sensação no vegetal e do instinto no animal, vemos a crisálida de consciência construindo as suas faculdades de organização, sensibilidade e inteligência, transformando gradativamente, toda a atividade nervosa em vida psíquica". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo IV, Primeira Parte, p. 40).

"Sob a orientação das Inteligências Superiores, congregam-se os átomos em colméias imensas, e, sob a pressão, espiritualmente dirigida, de ondas eletromagnéticas, são controladas reduzidas as áreas espaciais intra-atômicas, sem perda de movimento, para que se transforme na massa nuclear adensada, de que se esculpe os planetas, em cujo seio as mônadas celestes encontrarão adequado berço ao desenvolvimento". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo I, Primeira Parte, p. 23).

"À crisálida de consciência, que reside no cristal a rolar na corrente do rio, aí se acha em processo libertatório; as árvores que por vezes se aprumam centenas de anos, a suportar os golpes do Inverno e acalentadas pelas carícias da Primavera, estão conquistando a memória; a fêmea do tigre, lambendo os filhinhos recém-natos, aprende os rudimentos do amor; o símio, guinchando, organiza a faculdade da palavra. (...). Somos criação do Autor Divino, e devemos aperfeiçoar-nos integralmente". (André Luiz, No Mundo Maior, Capítulo 3, p. 52).

"Pela compreensão progressiva entre as criaturas, por intermédio da palavra que assegura o ponto de intercâmbio, fundamenta-se no cérebro o pensamento contínuo e, por semelhante maravilha da alma, as idéias-relâmpagos ou as idéias-fragmentos da crisálida de consciência, no reino animal, se transformam em conceitos e inquirições, traduzindo desejos e idéias de alentada substância íntima". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo X, Primeira Parte, p. 76). (Grifos do autor).

"Com a Supervisão Celeste, o princípio inteligente gastou, desde o vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo VI, Primeira Parte, p. 53). (Os grifos são nossos).

"Assim também com o espírito. Quanto mais evoluído, sábio e moralizado, mais complexa e poderosa a sua estrutura orgânica perispiritual, capaz de viver e agir em domínios cada vez mais amplos de tempo e espaço". (Áureo, Universo e Vida, Capítulo V, Item 16, p. 95).

"(...) a marcha do princípio inteligente para o reino humano e que a viagem da consciência humana para o reino angélico simbolizam a expansão multimilenar da criatura de Deus que, por força da Lei Divina, deve merecer, com o trabalho de si mesma, a auréola da imortalidade em pleno Céu". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Capítulo IV, Primeira Parte, p. 41).

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