O Duplo Etéreo

6) - O DUPLO ETÉREO

"Diz-se que o corpo etérico é um dos muitos corpos que contribuem para a expressão final da forma humana. O corpo etérico muito provavelmente é um padrão de interferência de energia semelhante a um holograma".

(Richard Gerber, Medicina Vibracional, Capítulo I, p.47).

Em consulta a vasta bibliografia, sobre o assunto, encontramos autores que se utilizam da expressão "duplo etérico" e outros que preferem empregar o título "duplo etéreo", não se podendo dizer que uma delas esteja errada e a outra certa.

Para melhor entendimento de sua natureza, recorremos inicialmente às definições de Antônio J. Freire, que nos explica:

"O duplo etérico tem, pois, uma individualidade própria, característica, inconfundível, ainda que fazendo parte integrante do corpo físico ou somático". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. III, p.47).

Extraímos daqui conceitos preciosos. O primeiro diz respeito à individualidade do duplo etéreo, ou seja, este não se confunde nem com o corpo físico, nem com o perispírito, possuindo campo próprio, com características e funções distintas dos outros corpos. É o que se depreende dos esclarecimentos trazidos pelo mesmo autor:

"No entanto, o duplo etérico tem funções preponderantes específicas, de capital importância, quer na vitalidade do corpo físico ou orgânico de que faz parte o constituinte, quer nas mais variadas mediunidades, particularmente nas materializações e em todas as modalidades dos fenômenos supranormais que dependam da metergia e da ectoplasmia. São precisamente estas duas propriedades que constituem as suas principais funções: biológicas, fisiológicas e mediúnicas". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. III, p.47). (Itálicos do Autor).

O segundo conceito é que o duplo etéreo faz parte do corpo físico. Isto implica que a sua natureza se assemelha à matéria, embora não possa ser tão facilmente percebida e tocada como os tecidos ossos e músculos do nosso organismo. Este fato, não impede que, ainda assim, o duplo etéreo seja parte constituinte da nossa estrutura mais densa. A matéria, assim como os vários corpos que aqui analisaremos, não se apresenta em estado único, uniforme e homogêneo. Ao contrário, o perispírito, da mesma forma que a aura, o duplo etéreo e o corpo físico, são formados de várias camadas ou campos que se interpenetram e se comunicam, tecendo uma rede de vibrações, que se estende desde o corpo mais denso até as dimensões sutis da consciência:

"O duplo etérico parece mais uma duplicação do corpo físico que do perispírito, propriamente, mas como ele se organizaria simultaneamente, aglutinando-se no campo ensejado pelo psicossoma, comparece melhor como uma sua extensão ou revestimento, ainda que em caráter provisório ao menos, em se tratando de Espírito encarnado na Terra." (Zalmino Zimmermann, Perispírito, Cap. VI, p. 167).

Assim como a aura, o duplo etéreo apresenta características que permitem a sua percepção, inclusive através das cores de que se reveste, de acordo com o que explica Antônio J. Freire:

"O corpo vital é polarizado, apresentando, quando dissociado experimentalmente, a cor azul sobre toda a metade do lado esquerdo e alaranjado sobre o lado direito. Quando associadas normalmente as suas duas metades, no seu conjunto apresenta uma cor cinzento-clara, mais ou menos luminosa e fluorescente na obscuridade, sob o aspecto de vagas luminosidades e clarões a que o sábio investigador, o coronel Rochas d'Aiglun, deu nome de lohées, sujeitos às leis da refração e da polarização. (Antônio J. Freire, Da Alma Humana). (Itálicos do Autor).

O corpo vital, quando exteriorizado e bem condensado, apresenta uma notável queda de temperatura que pode ir a 0 grau, dando impressão ao tato de um aglomerado de finas musselinas geladas, fornecendo assim, na sua invisibilidade à vista normal, um meio seguro de determinar a sua posição, dimensões, delineamentos e contornos:

"O corpo vital tem sido fotografado muitas vezes, sendo visível a uma mediana clarividência". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. III, p.51).

Por ocasião da desencarnação, verifica-se que o corpo físico, englobando o duplo etéreo, se desfaz. Contudo, o perispírito, interpretado, como o conjunto de todos os corpos, continua a existir. Em outras palavras, conclui-se que os desencarnados, apesar da perda do corpo físico e do duplo etéreo, permanecem com seu organismo perispiritual:

"O duplo etérico é, pois, vida em relação ao corpo físico, mas é forma em relação ao princípio superior: o corpo astral. O duplo etérico acaba por desagregar-se, mas o corpo astral sobreviverá à sua decomposição. Logo que o corpo astral se desagregue e se disperse a seu turno, o corpo mental persiste como vida, e assim sucessivamente. O mesmo elemento é simultaneamente vida e forma: vida do corpo inferior e forma do superior". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. III, p.58). (Itálicos do autor).

Tratando sobre a anatomia do duplo etéreo, Freire esclarece:

"Envolvendo e interpenetrando os órgãos anatômicos dos sentidos corporais, existe, justapondo-se e interpenetrando-se, uma duplicata etérica para cada órgão. Ao aparelho auditivo ou visual corresponde um mesmo aparelho etérico e da mesma forma para todo o sistema nervoso.

Um pensamento, uma emoção, só podem chegar e atuar sobre o cérebro físico por intermédio do cérebro etérico. Este fato é de magna importância para compreender a mecânica das mediunidades, em particular as de ordem intelectual ou subjetivas. Os Espíritos desencarnados, despojados, pela morte, do seu corpo etérico, só podem atuar sobre os médiuns pelo seu respectivo corpo vital ou duplo etérico, o que constitui o fundamento de todas as mediunidades. O médium será tanto melhor quanto mais ativa e intensa a dissociação do seu corpo vital ou duplo etérico para, assim, se unir ao perispírito das entidades astrais comunicante". (Antônio J. Freire, Cap. III, Da Alma Humana, p.62). (Itálicos do autor).

André Luiz aponta igualmente a existência daquilo que poderíamos chamar de órgãos espirituais reforçando o que anteriormente foi afirmado:

"Qual a importância da relação existente entre o baço e o centro esplênico, se o baço pode ser extirpado sem maiores prejuízos à continuação da existência do encarnado?

- Compreendamos que a extirpação do baço em sua expressão física, no corpo carnal, não significa a anulação desse órgão no corpo espiritual e que, interligado a outras fontes de formação sanguínea no sistema hematopoético, prossegue funcionando, embora imperfeitamente, no campo somático, atento às articulações do binário mente-corpo". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Segunda Parte, Cap. III, p.175).

A relação entre o corpo físico, o duplo etérico e o perispírito é também descrita por André Luiz no detalhamento dos fenômenos de desdobramento do médium Antônio Castro, nas narrações do livro Nos Domínios da Mediunidade:

"Com o auxílio do supervisor, o médium foi convenientemente exteriorizado. A princípio, seu perispírito ou "corpo astral" estava revestido com os eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne, conhecidos aqueles, em seu conjunto, como sendo o "duplo etérico", formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao instrumento carnal, por ocasião da morte renovadora. Para melhor ajustar-se ao nosso ambiente, Castro devolveu essas energias ao corpo inerme, garantindo assim o calor indispensável à colméia celular e desembaraçando-se, tanto quanto possível, para entrar no serviço que o aguarda." (André Luiz, Nos Domínios da Mediunidade, Cap. 11, p.98).

Zimmermann ainda aponta:

"Tudo indica, a propósito, que a carga de energia vital contida no duplo etérico condiciona, basicamente, a maior ou menor longevidade do ser humano, ainda que não possam deixar de ser considerados fatores como a hereditariedade, as diminutas, mas efetivas reposições de energia via respiração e alimentação e outros que possam, eventualmente, compor o esquema cármico de cada reencarnação. E como a energia vital ("neuropsíquica") que o duplo etérico retém e distribui a todas as células, pela ação dos centros vitais, parece guardar relação com o ectoplasma, pode-se afirmar que a predisposição maior ou menor ao fornecimento deste, para a produção dos diversos efeitos de cura, ou, simplesmente, demonstrativos da sobrevivência espiritual, diz com a própria quantidade de energia armazenada pelo duplo etérico". (Zalmino Zimmermann, Perispírito, Cap. VI, p.169). (Itálicos do autor).

Em resumo, a função primordial do duplo etéreo é servir de instrumento para armazenamento das energias que servirão de sustento para o indivíduo em sua encarnação. Ultrapassada esta fase de experiência e contato com a matéria grosseira, quando o indivíduo retorna ao plano espiritual, ele perde o seu duplo, passando para uma nova dimensão. Quando mais adiante houver necessidade do retorno ao orbe terrestre, através do corpo mental, o corpo astral, o corpo etérico e um novo corpo físico serão formados, propiciando-lhe o reinicio das experiências, que pouco a pouco o conduzirá de volta ao reino de felicidade que vive adormecido em sua intimidade.

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