O ternário humano

5) - O TERNÁRIO HUMANO

"Quando as ciências médicas tiverem na devida conta o elemento espiritual na economia do ser, terão dado grande passo e horizontes inteiramente novos se lhes patentearão".

(Allan Kardec, Obras Póstumas, p. 45).

O ser humano é, pois, constituído por três elementos essenciais e diferenciados, que se interpenetram mutuamente, sem perder a autonomia, no que chamamos corpo ternário, fenômeno trifásico da existência humana, três entidades distintas, espírito, corpo, perispírito, partes de um único organismo divino, em busca de uma única finalidade: a integração Cósmica com a mente de Deus.

O perispírito, conforme visto, na qualidade de mediador plástico, liga positivamente a alma pensante ao organismo corpóreo, é quem recolhe as manifestações do espírito e transmite ao corpo físico, provocando-lhe as sensações necessárias para materializar ações.

Ilustrando a dinâmica do corpo trino de que somos feitos, Antônio J. Freire apresenta singela, porém rica comparação, em torno da questão:

"(...) O homem é comparado a uma equipagem, sendo o carro representado pelo corpo físico, o cavalo pelo corpo astral e o cocheiro pelo espírito. O carro, pela sua natureza grosseiramente material e ainda pela sua inércia, corresponde bem ao nosso corpo físico. O cavalo, unido pelos tirantes ao carro (sistema nervoso), e pelas rédeas ao cocheiro (sentidos astrais), move todo sistema sem participar da direção. É esta a função do perispírito ou corpo astral". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. II, p.44).

O Termo "Ternário Humano" é encontrado em sua obra com o objetivo de explicar a divisão dos corpos sob a ótica da tríade, da seguinte forma:

"À face do Espiritismo, o ser humano é constituído por três elementos essenciais e diferenciados, com natureza, organização, estrutura, funções e finalidade distintas, interpenetrando-se mutuamente sem perderem a sua autonomia, formados de matérias sucessivamente mais rarefeitas e sutilizadas, constituindo um sistema solidário e harmônico:

1° - Corpo físico incluindo o corpo vital ou duplo etérico;

2° - O perispírito ou corpo astral;

3° - O espírito centelha divina, mônada, ou alma humana". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. II, p.38).

Esta divisão tem sido utilizada por diversos autores e, além de bastante didática, remonta a vários outros processos a que o homem está inserido, como os níveis consciente, subconsciente, superconsciente, ou até mesmo a expressão que ficou bastante difundida no meio católico com os elementos pai, filho, espírito santo. A partir desta divisão, já se começa a entender que a função do perispírito é promover o elo entre o espírito eterno e o corpo físico. Mais adiante, o mesmo autor completa:

"Distanciados por natureza o corpo físico e o espírito, é ao perispírito que compete estreitar estes limites através das suas camadas de densidades sucessivamente decrescentes, cada vez mais eterizadas à medida que se elevam para o espírito, pois seria ilógico admitir a homogeneidade do perispírito. Só pela interpenetração das camadas mais fluídicas nas menos fluídicas se pode compreender a correlação e harmonia do ser humano, a solidariedade íntima e estreita dos componentes do seu ternário, conservando todos eles a autonomia que lhes é própria, estando os elementos inferiores numa interdependência subalterna, regidos pela lei do ritmo vibratório e pela lei da polarização (...)". (Da Alma Humana, Antônio J. Freire, Cap. II, p.42). (Itálicos do Autor).

Esta "interpenetração" de camadas do perispírito permite a permanente transmissão das mensagens da consciência "externa" e "latente" para o corpo físico. Esta transmissão, não ocorre, como se poderia pensar, em um passe de mágica, como quem transfere água de um copo para o outro. O processo é bem mais complexo e envolve não só o trinômio espírito, perispírito, corpo físico, mas também, variedades diversas de corpos, campos, fluidos ou energias, responsáveis pela recepção, armazenamento e assimilação das experiências terrenas, que servirão de meio de amadurecimento para a personalidade humana em rumo ao reino do Espírito:

"O plano físico é o berço da evolução que o plano extrafísico aprimora. O primeiro insufla o sopro da vida, cujas edificações o segundo aperfeiçoa. A reencarnação multiplica as experiências, somando-as, pouco a pouco. A desencarnação subtrai-lhes lentamente as parcelas inúteis ao processo do Espírito e divide os remanescentes, definindo os resultados com que o Espírito se encontra enobrecido ou endividado perante a Lei". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Capítulo XIII, Primeira Parte, p. 101)

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