Os Ovóides

9) - OS OVÓIDES

"Além do plano físico, a investigação humana encontrará material valioso de observação para elucidar os variados problemas concernentes à evolução do ser".

(André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Capítulo XVIII, Segunda Parte, p.210).

A transição entre a mente instintiva e a mente racional exigiu do homem primitivo grandes esforços no sentido de aprender a utilizar as novas possibilidades. A razão, conquistada após milênios de sucessivas etapas evolutivas, inaugura, não só a expansão da inteligência, mas os domínios da responsabilidade:

"Da sensação à irritabilidade, da irritabilidade ao instinto, do instinto à inteligência e da inteligência ao discernimento, séculos e séculos correram incessantes. A evolução é fruto do tempo infinito". (Emmanuel, Roteiro, Lição 4, p.22).

"A idéia de Deus iniciando a Religião, a indagação prenunciando a Filosofia, a experimentação anunciando a Ciência, o instinto de solidariedade prefigurando o amor puro, e a sede de conforto e beleza inspirando o nascimento das indústrias e das artes, eram pensamentos nebulosos torturando-lhe a cabeça e inflamando-lhe o sentimento. (...).

Foi, então, que, em se reconhecendo ínfimo e frágil diante da vida, compreendeu que, perante Deus, seu Criador e seu Pai, estava entregue a si mesmo.

O princípio da responsabilidade havia nascido". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Capítulo X, Primeira Parte, p.78).

Não só a responsabilidade, mas a memória, que havia dado os primeiros passos na escala vegetal, prossegue agora com a capacidade de armazenar as vivências, através da idéia organizada em arquivos ao longo dos dois mundos: físico e extrafísico. Memória, inteligência, pensamento racional, livre arbítrio e responsabilidade fazem surgir as questões éticas, morais, jurídicas, filosóficas e religiosas atinentes à vida, ao ser, à dor e à morte. Em fluxos de pensamentos contínuos, responsável por si mesmo, podendo refletir em torno dos próprios atos, pelo espelho vivo das lembranças, o homem gera e mantém sentimentos, emoções, alimentando saudades, medos, solidão, afeição, simpatia e antipatia. A jornada intermitente da vida e morte por meio da reencarnação e desencarnação leva a criatura à grande dificuldade interior. A revolta originária transformou-se em luta interna, dualismo, bem e mal, solicitando atenção na forma de agir e relacionar-se com o outro. O egocentrismo de ontem é hoje egoísmo vivo a dirigir-lhe desejos e escolhas. Surge assim a delinquência, a mentira, a astúcia, e a tentativa de fuga. As leis humanas vão se aperfeiçoando, mas ainda hoje, não são capazes de reeducar e transformar o homem. A Lei Divina subsiste em seu mundo íntimo, criando os tribunais conscienciais, que por caminhos sinuosos o ser tenta frear, rejeitar, enganar ou fugir:

"Essa rejeição consciencial gera conflito mental interno, ou indigestão psíquica, provocando no espírito o reconhecimento do erro e o conseqüente remorso, ou, o que é pior, a orgulhosa ou cega ratificação do erro, causadora de revolta e empedernimento". (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 7, p.79). (Negritos do autor).

Investidos agora das potencialidades superiores, a personalidade humana passa a conduzir a jornada ascensional na semeadura das causas e na colheita das conseqüências. Na condição de indivíduos responsáveis pelo próprio crescimento, com condições de ascender à Luz, ou chafurdar nas trevas. A rejeição ou negação dos próprios atos, gerando repulsa a si mesmo, engendra patologias físicas e espirituais, por lesões nos delicados tecidos perispirituais com repercussão inevitável no corpo físico denso:

"De qualquer modo, a rejeição consciencial tem como inelutável conseqüência a não assimilação das concentrações energéticas correspondentes às formas-pensamentos que duplicam os fatos, mantendo-os "vivos" e atuantes na aura do espírito, à maneira de tumores autônomos, simples ou em rede, a afetarem o corpo espiritual e o lesarem." (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 7, p.79).

"De acordo com o princípio da repercussão, as células corporais respondem automaticamente às induções hipnóticas espontâneas que lhes são desfechadas pela mente, revigorando-se com elas ou sofrendo-lhes a agressão. Raios mentais desagregadores, de culpabilidade ou remorso, formam zonas mórbidas no cosmo orgânico, impondo distonia às células, que adoecem, provocando a eclosão de males que podem ir desde a toxiquemia até ao câncer". (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 18, p.97).

"No caso do remorso, o tumor se transforma em abscesso energético, a exigir imediata drenagem; no caso do empedernimento, o tumor cria carnicão e se estratifica, realimentado pela continuidade dos pensamentos-força da mente, arrastando o espírito a longas incursões nos despenhadeiros da revolta, onde não raro se transforma transitoriamente em demônio, a serviço mais ou menos prolongado das Trevas". (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 7, p.79). (Negritos do autor).

A revolta e o egoísmo são os binômios da formação dos fluxos mentais, que em circuito fechado, realimentam os abscessos energéticos, que vão desgastando o corpo perispiritual. À semelhança de uma ferida infectada, em determinada região do corpo, que acaba gerando uma septicemia, comprometendo todo o organismo, o empedernimento, a culpabilidade, a mágoa, as incursões nos serviços lamentáveis das trevas, as cristalizações vindicativas, podem levar ao monodeísmo que é o agente destruidor da forma perispiritual e da perda de um dos seus componentes, o corpo astral:

"Muitos acometem os adversários que ainda se entrosam no corpo terrestre, empolgando-lhes a imaginação com formas mentais monstruosas, operando perturbações que podemos classificar como "infecções fluídicas" e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura.

E ainda muitos outros, imobilizados nas paixões egoísticas desse ou daquele teor, descansam em pesado monodeísmo, ao pé dos encarnados, de cuja presença não se sentem capazes de afastar-se". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Cap. XV, p.116). (Negritos do autor).

"(...), auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideística, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, (...)". (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Cap. XV, p.117). (Negritos do autor).

Os fatores que geram a ovoidização são os mesmos que causaram a primeira queda, a contração da consciência, que levou o ser ao seu pólo oposto. A ovoidização é a repetição, em ciclo menor, do processo maior, que representou o primeiro impulso de expansão do egocentrismo e da revolta. O mecanismo é o mesmo, apenas que, na ovoidização o ser vai da multiplicidade das diferentes vibrações mentais, a monoidéia, a fixação em um só pensamento, destruindo a forma e o seu campo de expressão, enquanto que na queda primordial o rol dos efeitos é muito mais amplo:

"Por que estamos dentro do dualismo e tudo está cindido em dois termos opostos, a luta é inevitável. Ela é universal e se encontra em todos os momentos e lugares, porque a estrutura de nosso universo se baseia na oposição e contraste entre positividade e negatividade, por ter nascido da revolta e se fundamentar sobre o princípio da contradição. É por isso que a ética tomou a forma dualística de erro e correção. Até às últimas consequências, tudo é o resultado da primeira revolta, da qual se conservaram os caracteres fundamentais". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 3, p.81). (Os grifos são nossos).

"A este respeito o fenômeno da queda representa o primeiro e maior caso de erro cometido pela criatura e corrigido por Deus. A queda, erro máximo, atrás da qual ecoam e se vão repetindo todos os outros erros menores que o ser repete a toda hora, ao longo de sua escala evolutiva, (...)". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 1, p.38). (Os grifos são nossos).

Na primeira queda, o impulso individual de afastamento, pode levar o espírito do - infinito ao + infinito. Já na ovoidização, os limites de contração são a monoidéia, porque este é o limite de atuação do livre arbítrio e da vontade do ser. Na primeira queda não há limites, porque nada está formado e nenhuma estrutura pré-existe no Anti-Sistema. No fenômeno da ovoidização ocorrem fronteiras porque caso a barreira da monoidéia fosse ultrapassada, a personalidade humana voltaria aos pensamentos descontínuos dos animais, tendo de reiniciar a ascensão evolutiva nas formas dos animais superiores, alterando assim, o fundamento da Lei de Evolução, que é essencialmente determinística até a fase hominal e não retroativa. Da fase hominal em diante, a evolução passa a ser compartilhada devido à volta do livre-arbítrio e o renascimento da responsabilidade. A individualidade não tem condições de alterar os Princípios da Lei, só pode mudar aquilo que se refere a si mesmo, dentro dos limites da própria escolha, mas não possui força ou condições de inverter e subverter a Vontade Divina:

"Criam imagens que vivem e se movimentam na intimidade delas próprias, por tempo indeterminado, cuja duração varia com a força do impulso de sua paixões". (Emmanuel, Roteiro, Lição 7, p. 33).

"A lei de cada impulso tende a progredir até a plenitude da sua realização. Mas quando essa realização for atingida, o impulso não funciona mais. Então dizemos que ele se esgota porque, atingido o alvo, ele pára. Isto porque quando a causa tiver sido transformada toda em efeito, ela não existe mais como causa e com isso se anula o motor do processo". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 1, p.44). (Os grifos são nossos).

"O ser age livremente, porque tem de experimentar para aprender e subir; a Lei reage deterministicamente para que o ser suba para o Sistema e nele encontre a sua Salvação". (Pietro Ubaldi, Queda e Salvação, Capítulo 1, p.31).

Todo o processo, em qualquer fase, pode ser expresso em movimento, vibração, escolha. No caso da ovoidização o movimento é de revolta, a vibração caracterizada em formas pensamentos é de ódio, mágoa, fuga, rejeição, vingança etc., e a escolha livre do ser é a da afirmação no erro. A perda do corpo Astral surge então, como conseqüência direta da ação mental sobre o complexo psíquico representado pelos corpos sutis e grosseiros do homem. Inicialmente, cumpre demonstrar que mente é o fundamento organizador de todo tecido espiritual, de todos os campos vibratórios pelos, quais o espírito se expressa, de modo que todo distúrbio mento-emotivo tem ressonância, repercute quase imediatamente no corpo espiritual:

"Desenvolvimento mental sem correspondência equilibradora na bondade é quase sempre caminho aberto a terríveis precipícios, onde infelizmente não poucos se projetam, por tempo indeterminado, impelidos pelas forças monstruosas do orgulho cego e da impiedade arrasadora, no remoinho de alucinantes paixões". (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 6, p.78).

A mente representa a base da qual se origina a corrente de energia eletromagnética ou fluido mento-magnético que, corporificando-se, transforma-se em formas-pensamentos e que, "integrado ao sangue e à linfa, percorre incessantemente todo o organismo psicofísico, concentrando-se nos plexos, ou centros vitais, e se exteriorizando no "halo vital", ou aura". (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 19, p.100).

Através do Chacra Coronário que lhe serve de base de intercâmbio, a mente determina o sentido, a forma e a direção de todas as forças orgânicas, etéricas, astrais, etc., que lhe estão subordinadas, estabelecendo e transmitindo a toda organização psíquica seu padrão de discernimento, conquistas e enriquecimento:

"O pensamento é uma radiação da mente espiritual, dotada de ponderabilidade e de propriedades quimioeletromagnéticas, constituída por partículas subdivisíveis, ou corpúsculos de natureza fluídica, configurando-se como matéria mental viva e plástica". (Áureo, Universo e Vida, cap. V, Item 19, p.99).

"É pelo fluido mentomagnético que a mente age diretamente sobre o citoplasma, onde se entrosam e se interam as forças fisiopsicossomáticas, sensibilizando e direcionando a atividade celular, no ambiente funcional especializado de cada centro vital, saturando, destarte, as diversas regiões do império orgânico, com os princípios ativos, quimioeletromagnéticos, resultantes de seu metabolismo ídeo-emotivo saudável ou conturbado, feliz ou infeliz". (Áureo, Universo e Vida, cap. V, Item 19, p.100).

"Isso significa que as emoções e os sentimentos humanos impregnam e magnetizam o campo energético das vibrações do pensamento, por via de um processo de superenergização, no qual uma espécie de energia mais quintessenciada e poderosa ativa, colora e qualifica outra espécie de energia, sem com ela fundir-se ou confundir-se, e sem que haja entre elas a possibilidade de mútua conversão". (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 01, p.68). (Negritos do autor).

"É das vibrações da mente espiritual que dependem a harmonia ou a desarmonia orgânicas da personalidade e, portanto, a saúde ou a doença do perispírito e do corpo material". (Áureo, Universo e Vida, cap. V, Item 18, p.98).

"Tanto ou mais do que os prejuízos causados pelos excessos e acidentes físicos, muitas vezes de caráter transitório, as ondas mentais tumultuárias, se insistentemente repetidas, podem provocar lesões de longo curso, a repercutirem, no tempo, até por várias reencarnações recuperadoras". (Áureo, Universo e Vida, Cap. V, Item 18, p.98).

Na queda primordial, o espírito movimenta-se em livre escolha, optando pela individualidade, deixando de alimentar-se da totalidade. "Consumindo a si mesmo" o ser viaja da consciência à inconsciência, da inconsciência à energia, da energia à matéria, onde o impulso se esgota.

O movimento contrário, a evolução, inicia-se, pela presença de Deus imanente. Na ovoidização o processo é similar, repetindo em ciclo menor os acontecimentos já vivenciados pela alma em ciclo maior. As ondas mentais cristalizadas nas paixões inferiores, em circuito fechado pelos centros de força, vão destruindo e lesando o complexo perispiritual, o ser deixa de perceber e interagir com o meio, tornando-se por assim dizer um autista, vivenciando apenas as suas próprias imagens, alimentando-se continuamente de seus devaneios, até ir aos extremos, a monoidéia, destruindo na sequência a sua forma o seu corpo astral. Os fenômenos universais se repetem em cada nível ou dimensão, sem o entendimento da queda seria impossível compreender a ovoidização.

Finalizando o estudo do processo de OVOIDIZAÇÃO, compete-nos salientar que nem sempre o monodeísmo que pode levar à perda temporária da forma humana, ocorre em decorrência das ligações de ódio de pretérito criminoso, mas são factíveis de suceder durante as etapas iniciais da evolução humana. Conta André Luiz que nos primeiros momentos da consciência desperta, o espírito desencarnado, não acostumado com a condição errática de liberdade temporária da matéria, ignorando o processo reencarnatório sequencial evolutivo, moveu-se em monoideísmo, cristalizando seu raciocínio na idéia fixa de retornar ao convívio daqueles que deixara na terra:

"Sentindo-se em clima adverso ao seu modo de ser, o homem primitivo, desenfaixado do envoltório físico, recusa-se ao movimento na esfera extrafísica, submergindo-se lentamente, na atrofia das células que lhe tecem o corpo espiritual, por monoideísmo auto-hipnotizante, provocado pelo pensamento fixo-depressivo que lhe define o anseio de retorno ao abrigo fisiológico". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Cap. XII, p.91). (Negritos do autor espiritual)

Adiante, demonstra que nesse processo de ignorância, o homem primitivo sustenta um único pensamento, o de retornar ao convívio daqueles a quem amou na terra, daí se conclui que este processo é diferente do que foi até aqui analisado, pois, não se trata de ligações de ódio e entorpecimento na vingança, mas sim, dos laços afetivos conquistados que lhe são caros, e que o homem julgava perder a partir da morte física:

"E o homem primitivo que desencarnou, suspirando pelo devotamento dos pais e, notadamente, pelo carinho do colo materno, expulso do vaso fisiológico, não tem outro pensamento senão voltar ao convívio revitalizante daqueles que lhe usam a linguagem e lhe comungam os interesses". (André Luiz. Libertação, Evolução Em Dois Mundos, Cap. XXII, p.90)

Tratava-se de uma dificuldade, própria das almas imaturas e ainda nos primeiros degraus da viagem evolutiva. O selvagem desencarnado "desperta, fora do corpo denso, qual menino aterrado, que, em se sentindo incapaz da separação para arrostar o desconhecido, permanece, tímido, ao pé dos seus, em cuja companhia passa a viver, noutras condições vibratórias, em processos multifários de simbiose, ansioso por retomar à vida física que lhe surge à imaginação como sendo a única abordável à própria mente". (André Luiz, Evolução Em Dois Mundos, Cap. XII, p.89).

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