Perispírito e Aura

8) - PERISPÍRITO E AURA

"A mente é o espelho da vida em toda parte".

(Emmanuel, Pensamento e Vida, Lição 1, p.11).

Antônio J. Freire comenta algumas outras particularidades do perispírito. Em busca de uma noção cada vez mais exata e que corresponda ao seu funcionamento, nos socorremos, mais uma vez, das observações do autor:

"O perispírito, indevidamente denominado, por vezes, corpo etérico, e geralmente designado por corpo astral, é constituído por camadas concêntricas de matéria hiperfísica, sucessivamente menos condensadas e mais quintessenciadas (...)". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. II, p.39).

Atentemos para as "camadas concêntricas" ressaltadas no texto. Esta definição nos auxilia a visualizar o perispírito sob formas múltiplas, e não contido em limites definidos e estanques. O mesmo escritor nos conduz a uma percepção mais detalhada sobre estas camadas:

"Distanciados por natureza o corpo físico e o espírito, é ao perispírito que compete estreitar estes limites através das suas camadas de densidades sucessivamente decrescentes, cada vez mais eterizadas à medida que se elevam para o espírito, pois seria ilógico admitir a homogeneidade do perispírito. Só pela interpenetração das camadas mais fluídicas nas menos fluídicas se pode compreender a correlação e harmonia do ser humano, a solidariedade íntima e estreita dos componentes do seu ternário (...)". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap.II, p.42).

Camadas mais fluídicas e menos fluídicas. A função delas é formar um elo indissolúvel que permita a constante comunicação entre espírito e corpo físico. A densidade destas camadas vai diminuindo à medida que elas se aproximam do espírito, demonstrando uma lógica inteligente no funcionamento do complexo humano. As camadas mais sutis desempenham o papel de conduzir as experiências realizadas pelo indivíduo, permitindo a assimilação das provas terrenas pelo ser em evolução. As camadas mais densas encontram-se próximas ao corpo físico, recolhendo dele as impressões da matéria e as transmitindo através de um grande elo. Elo dinamicamente estruturado em fluxos ascendentes e descendentes, em matéria e campos energéticos de diferentes constituições, adensáveis e não adensáveis, facultando vias de transmissão, unindo corpo e Espírito.

A distância verificada entre o Corpo Físico e o Espírito já foi sobejamente detalhada nos parágrafos anteriores. Sabemos pela análise da obra de Pietro Ubaldi, elaborada no início deste artigo, que a matéria é um dos resultados ou consequências da queda do ser. Na ascensão evolutiva a personalidade humana vai transmutando matéria em pensamento puro. Como o Homem está a meio caminho, a sua estrutura é constituída de dois campos em antagonismo constante: Matéria e Espírito. Parte já sofreu transformação, parte deve ainda ser transformada e assimilada. Dessa forma, se entre a parte sutil do ser, já conquistada, e sua parte grosseira, a ser desenvolvida, não houvesse campos multidimensionais interligando e permitindo os fluxos de influenciação e contato, os inúmeros fenômenos evolutivos e principalmente a reencarnação seriam impossíveis de realizarem-se:

"As experiências mais modernas, sobretudo realizadas depois de 1912, comprovam que o perispírito é constituído de matérias fluidicamente diferenciadas, gradualmente mais sutilizadas, adaptadas às suas variadas funções psíquicas, constituindo departamentos autônomos, desde o emocional ao mental, verdadeiro laboratório do nosso dinamismo físio-psicológico, existindo um paralelismo e reciprocidade de ação solidária entre estes departamentos, individualizados para cada ser, e os planos correspondentes do Universo, onde o perispírito vai absorver os fluidos similares para a organização e vitalização das suas camadas (...)". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. IV, p.79).

Continuando a análise do perispírito, este autor ainda destaca suas funções principais:

"Em síntese, o perispírito, impropriamente denominado corpo astral por se tomar, assim, a parte pelo todo, exerce as funções seguintes, por vezes, com a cooperação do corpo vital ou duplo etérico nos estágios terrestres:

1°- Constituir os invólucros do espírito, (...), tendo por missão receber sensações e transmitir volições por intermédio de estados vibratórios especiais e variados, (...);

2°- Desprender-se do corpo físico, exteriorizando-se em condições particulares (sono fisiológico, narcotizações, hipnomagnetizações, auto-desdobramento espontâneo, etc.), projetando-se o duplo a distâncias quase ilimitadas, animado de velocidades vertiginosas, levando consigo toda a sua individualidade psíquica, corporizando-se por vezes, ficando invariavelmente ligado ao corpo físico, ou mais precisamente ao duplo etérico ou corpo vital pelo cordão astral, (...);

3°- Arquivar nas suas camadas mais sutis e permanentes (corpo causal, sede do supraconsciente), como películas cinematográficas, todos os acontecimentos de que fomos protagonistas, registrando e assimilando todos os conhecimentos adquiridos através da nossa evolução individual multimilenária, (...);

4°- Irradiar em volta do corpo físico, interpenetrando-o e envolvendo-o numa atmosfera fluídica, de secção ovóide, de diâmetros variáveis de indivíduo para indivíduo, policroma, podendo ir da mais negra opacidade à luminosidade mais resplandecente, constituindo a aura humana (...)". (Antônio J. Freire, Da Alma Humana, Cap. IV, p.83). (Itálicos do autor e negritos nossos).

Neste trecho extraímos conclusões valiosas. Além de destacar que o perispírito forma os "invólucros do espírito" e arquiva as cenas de nossa vida, no final da citação o autor demonstra que todas aquelas camadas, às quais fizemos referência, representam a Aura Humana. Portanto, a sucessão das camadas do perispírito, que se tornam mais sutis em direção ao espírito, e mais densas no sentido do corpo físico, e que apresenta funções vitais para os organismos físico e espiritual pode ser denominada de aura. O conjunto de corpos do perispírito, na visão do autor citado, a ligar os campos emocional e mental, promove a imensa interação do organismo humano, e reflete na aura, tal qual espelho fiel e cristalino as vibrações de nosso mundo interior. A mente é o espelho da vida e a aura é o espelho da mente.

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